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Questão de Português — Orações Coordenadas — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsOrações Coordenadas
Código
qa393527
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF CE
Ano
2026
Cargo
Adm ( )

Informação não é conhecimento: o paradoxo da era hiperconectada

 

Uma das características da modernidade líquida é a abundância informacional. Milhões de dados são produzidos a cada segundo e algoritmos nos fornecem conteúdo com base em nossas interações e gostos; nunca foi tão fácil acessar informação como hoje.

 

Porém, essa facilidade trouxe uma responsabilidade muitas vezes negligenciada: a de produzir conhecimento. Tornamo-nos uma sociedade muito bem informada, mas pobre em conhecimento. Refletir sobre as informações que adquirimos parece não ter mais espaço no cotidiano.

 

Informação e conhecimento são, portanto, distintos, ainda que relacionados. A informação se apresenta de forma bruta, desordenada e fragmentada, enquanto o conhecimento implica um processo de organização, interpretação e atribuição de sentido aos dados. Conhecer é um processo ativo, que exige reflexão e articulação entre diferentes experiências.

 

A internet, ao favorecer o acesso rápido e contínuo a conteúdos, muitas vezes impede que haja tempo para a assimilação e a reflexão. Assim, o consumo fragmentado de informações pode gerar apenas uma sensação de saber, sem que haja efetiva construção de conhecimento.

 

O mundo hiperconectado favorece a dispersão, não a contemplação. No entanto, sem reflexão, não há construção consistente do conhecimento. Aquele que se propõe a conhecer precisa adotar uma postura de humildade diante do saber. Ao construir o conhecimento, logo compreende que, quanto mais aprender, mais ainda há a ser treinado e compreendido.

 

E, assim, nasce o perigo: informação sem discernimento se torna ruído; conhecimento sem sabedoria se torna arrogância; e sabedoria sem ação se torna vaidade. Diante dessas profundas transformações na relação entre informação e conhecimento, e do impacto da modernidade e da tecnologia no processo cognitivo humano, o desafio não é mais ter acesso ao conhecimento, mas formar pessoas que saibam o que fazer com ele.

 

No fim das contas, o problema da era da informação não é a escassez de dados, mas sim a pobreza de critérios. E talvez o maior luxo da atual geração seja encontrar silêncio, tempo e disposição para pensar com profundidade.

 

Adaptado de: https://medium.com/escola-classica/informa- conhecimento-o-paradoxo-da-era-hiperconectada-8f90c44cee5a. Acesso em: 23 fev. 2026.

Considere o excerto:

 

“E, assim, nasce o perigo: informação sem discernimento se torna ruído; conhecimento sem sabedoria se torna arrogância; e sabedoria sem ação se torna vaidade.”.

 

Assinale a alternativa correta quanto à estrutura e à pontuação do período.

  1. AO uso do ponto e vírgula indica a presença de orações subordinadas que dependem sintaticamente da oração anterior.
  2. BO uso do ponto e vírgula entre as orações é inadequado, pois separa orações com o mesmo sujeito.
  3. CAs orações após os dois-pontos são subordinadas à oração principal, exercendo função de complemento nominal de “perigo”.
  4. DO conectivo “e” antes da última oração é obrigatório, pois introduz oração subordinada conclusiva.
  5. EOs dois-pontos introduzem uma enumeração de orações coordenadas que explicam e desenvolvem a ideia de “perigo”.
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GabaritoE — Os dois-pontos introduzem uma enumeração de orações coordenadas que explicam e desenvolvem a ideia de “perigo”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação e Estrutura do Período: Dois-Pontos e Orações Coordenadas

Gabarito: letra E. Os dois-pontos introduzem uma enumeração de orações coordenadas que explicam e desenvolvem a ideia de “perigo”. A estrutura do excerto é clara: após os dois-pontos, temos três orações coordenadas assindéticas (sem conjunção) e uma sindética aditiva (iniciada por “e”), todas sintaticamente independentes entre si e em relação à primeira parte do período. A passagem que ancora essa leitura é o próprio excerto: “E, assim, nasce o perigo: informação sem discernimento se torna ruído; conhecimento sem sabedoria se torna arrogância; e sabedoria sem ação se torna vaidade.” — as orações após os dois-pontos não dependem sintaticamente de “nasce o perigo”; elas apenas a explicam.

O comando pede que você analise a estrutura e a pontuação do período. Isso significa que você deve identificar a relação sintática entre as orações (coordenação ou subordinação) e a função dos sinais de pontuação (dois-pontos e ponto e vírgula). Não se trata de interpretar o sentido global do texto, mas de aplicar regras gramaticais ao trecho destacado.

No excerto, o núcleo é a oração “E, assim, nasce o perigo”. Os dois-pontos anunciam uma enumeração explicativa: as três orações seguintes detalham o que é esse “perigo”. Cada uma delas — “informação sem discernimento se torna ruído”, “conhecimento sem sabedoria se torna arrogância”, “sabedoria sem ação se torna vaidade” — tem sujeito e predicado próprios, ou seja, são sintaticamente independentes. Por isso, são orações coordenadas, não subordinadas. O ponto e vírgula separa as duas primeiras, e a conjunção “e” liga a última, mantendo a coordenação.

A técnica para resolver é simples: teste a independência sintática. Tente transformar cada oração em um período simples: “Informação sem discernimento se torna ruído.” / “Conhecimento sem sabedoria se torna arrogância.” / “Sabedoria sem ação se torna vaidade.” Todas têm sentido completo sozinhas. Isso prova que são coordenadas. Além disso, os dois-pontos, aqui, têm função de anunciar uma enumeração, e não de introduzir uma oração subordinada substantiva (como em “quero isto: que você estude”).

A pegadinha central da banca é tentar fazer você confundir coordenação com subordinação. As alternativas A, C e D apostam nisso: afirmam que as orações são subordinadas ou que o “e” é conclusivo. Mas o texto não autoriza essa leitura. A alternativa B, por sua vez, erra ao dizer que o ponto e vírgula é inadequado — ele é perfeitamente adequado para separar orações coordenadas que já têm certa extensão e que mantêm relação semântica entre si.

Orações após os dois-pontos
  • 1Coordenadas (independentes)
    • Assindéticas (sem conjunção)
    • Sindética aditiva (com "e")
  • 2Função
    • Explicam o "perigo"
    • Enumeração
  • 3Pontuação
    • Dois-pontos: anunciam enumeração
    • Ponto e vírgula: separa coordenadas extensas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O ponto e vírgula não indica orações subordinadas. Ele separa orações coordenadas, que são sintaticamente independentes. No excerto, as orações após os dois-pontos são coordenadas assindéticas e sindéticas, não subordinadas. A alternativa contradiz o texto e a própria definição de coordenação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O ponto e vírgula é adequado aqui. Ele separa orações coordenadas que têm certa extensão e que mantêm relação semântica entre si. Não há regra que proíba seu uso entre orações com o mesmo sujeito — aliás, cada oração tem sujeito diferente (informação, conhecimento, sabedoria). A alternativa restringe indevidamente o uso do sinal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

As orações após os dois-pontos não são subordinadas à oração principal. Elas são coordenadas e exercem função de aposto explicativo ou de enumeração, não de complemento nominal. A alternativa troca o conceito de subordinação por coordenação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O conectivo “e” é facultativo e tem valor aditivo, não conclusivo. Ele apenas acrescenta a última oração à enumeração. A alternativa inverte o valor semântico do conectivo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os dois-pontos introduzem uma enumeração de orações coordenadas que explicam e desenvolvem a ideia de “perigo”. Cada oração é sintaticamente independente, e o ponto e vírgula separa as duas primeiras, enquanto o “e” liga a última. A alternativa está inteiramente sustentada pelo excerto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você acreditar que as orações após os dois-pontos são subordinadas (A, C) ou que o “e” é conclusivo (D). A chave é testar a independência sintática: se a oração tem sentido completo sozinha, é coordenada.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar pontuação, pergunte-se: “essa oração depende sintaticamente da outra?” Se não, é coordenação. Os dois-pontos podem introduzir enumeração, explicação, citação ou oração subordinada substantiva — verifique o contexto.

Gabarito: letra E.

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