Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — INSTITUTO AOCP 2026
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa393532
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF CE
Ano
2026
Cargo
Adm ( )
Informação não é conhecimento: o paradoxo da era hiperconectada
Uma das características da modernidade líquida é a abundância informacional. Milhões de dados são produzidos a cada segundo e algoritmos nos fornecem conteúdo com base em nossas interações e gostos; nunca foi tão fácil acessar informação como hoje.
Porém, essa facilidade trouxe uma responsabilidade muitas vezes negligenciada: a de produzir conhecimento. Tornamo-nos uma sociedade muito bem informada, mas pobre em conhecimento. Refletir sobre as informações que adquirimos parece não ter mais espaço no cotidiano.
Informação e conhecimento são, portanto, distintos, ainda que relacionados. A informação se apresenta de forma bruta, desordenada e fragmentada, enquanto o conhecimento implica um processo de organização, interpretação e atribuição de sentido aos dados. Conhecer é um processo ativo, que exige reflexão e articulação entre diferentes experiências.
A internet, ao favorecer o acesso rápido e contínuo a conteúdos, muitas vezes impede que haja tempo para a assimilação e a reflexão. Assim, o consumo fragmentado de informações pode gerar apenas uma sensação de saber, sem que haja efetiva construção de conhecimento.
O mundo hiperconectado favorece a dispersão, não a contemplação. No entanto, sem reflexão, não há construção consistente do conhecimento. Aquele que se propõe a conhecer precisa adotar uma postura de humildade diante do saber. Ao construir o conhecimento, logo compreende que, quanto mais aprender, mais ainda há a ser treinado e compreendido.
E, assim, nasce o perigo: informação sem discernimento se torna ruído; conhecimento sem sabedoria se torna arrogância; e sabedoria sem ação se torna vaidade. Diante dessas profundas transformações na relação entre informação e conhecimento, e do impacto da modernidade e da tecnologia no processo cognitivo humano, o desafio não é mais ter acesso ao conhecimento, mas formar pessoas que saibam o que fazer com ele.
No fim das contas, o problema da era da informação não é a escassez de dados, mas sim a pobreza de critérios. E talvez o maior luxo da atual geração seja encontrar silêncio, tempo e disposição para pensar com profundidade.
Adaptado de: https://medium.com/escola-classica/informa- conhecimento-o-paradoxo-da-era-hiperconectada-8f90c44cee5a. Acesso em: 23 fev. 2026.
Assinale a alternativa em que a reescrita do seguinte excerto mantém a correção gramatical e o sentido original, no que se refere à concordância verbal e nominal. “O mundo hiperconectado favorece a dispersão, não a contemplação.”.
AA contemplação, e não a dispersão, é favorecida pelo mundo hiperconectado.
BA contemplação, e não a dispersão, são igualmente favorecidas pelo mundo hiperconectado.
CFavorece-se a contemplação, e não a dispersão, pelo mundo hiperconectado.
DA dispersão, e não a contemplação, é favorecida pelo mundo hiperconectado.
EFavorecem-se a dispersão, e não a contemplação, pelo mundo hiperconectado.
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GabaritoD — A dispersão, e não a contemplação, é favorecida pelo mundo hiperconectado.
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Concordância verbal e nominal na reescrita: o núcleo do sujeito decide
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que mantém a correção gramatical e o sentido original do excerto: "A dispersão, e não a contemplação, é favorecida pelo mundo hiperconectado." A reescrita preserva a ideia de que o mundo hiperconectado favorece a dispersão (e não a contemplação), e a concordância verbal está correta porque o núcleo do sujeito é "A dispersão" (singular), sendo o trecho "e não a contemplação" apenas uma ressalva que não altera a concordância. Como se lê no excerto original: "O mundo hiperconectado favorece a dispersão, não a contemplação."
A questão exige dois movimentos: reescrever o período na voz passiva e manter a concordância verbal e nominal. O comando é claro: "mantém a correção gramatical e o sentido original, no que se refere à concordância verbal e nominal". Isso significa que a alternativa correta deve (1) preservar o sentido de que a dispersão é o elemento favorecido, e (2) apresentar o verbo e os nomes flexionados corretamente.
No texto-base, o autor afirma que o mundo hiperconectado favorece a dispersão, não a contemplação. Essa é a tese do trecho: a dispersão é o efeito, a contemplação é o que não ocorre. Qualquer reescrita que inverta essa relação (dizendo que a contemplação é favorecida) ou que trate os dois elementos como igualmente favorecidos estará contradizendo o texto.
A regra de concordância que decide a questão é a do sujeito composto com núcleos ligados por "e não": quando a expressão "e não" introduz uma ressalva, o verbo concorda com o primeiro núcleo (o elemento afirmado), não com o segundo (o elemento negado). Veja o exemplo clássico: "O professor, e não os alunos, foi elogiado" — o verbo fica no singular porque o núcleo é "O professor". O mesmo ocorre em "A dispersão, e não a contemplação, é favorecida".
A pegadinha central da banca está em confundir o aluno com a concordância do sujeito composto. Muitos candidatos, ao verem dois substantivos (dispersão e contemplação), pensam que o sujeito é composto e que o verbo deve ir para o plural. Mas a presença de "e não" (ou "não") antes do segundo elemento exclui esse segundo elemento do núcleo do sujeito: ele funciona como uma ressalva, um adjunto que não participa da concordância. Por isso, o verbo fica no singular, concordando apenas com o primeiro núcleo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a falsa ideia de sujeito composto. "A dispersão, e não a contemplação" NÃO é sujeito composto — o "e não" exclui o segundo termo da concordância. O verbo concorda só com "A dispersão".
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever, identifique primeiro o núcleo do sujeito (o termo que o verbo realmente flexiona). Expressões como "e não", "além de", "assim como" podem introduzir ressalvas que não alteram a concordância. Teste: "A dispersão é favorecida" — faz sentido? Sim. "A contemplação é favorecida"? Não, contradiz o texto.
Concordância com "e não": Regra (Verbo concorda com o 1º núcleo, "e não" = ressalva, não integra o sujeito); Exemplo ("O professor, e não os alunos, foi elogiado"); Pegadinha (Não é sujeito composto, Plural estaria errado)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"A contemplação, e não a dispersão, é favorecida pelo mundo hiperconectado."
Erro: contradiz o texto. A reescrita inverte a relação: afirma que a contemplação é favorecida, quando o texto diz exatamente o oposto. O excerto original é claro: "O mundo hiperconectado favorece a dispersão, não a contemplação." A alternativa A troca os elementos, mantendo a concordância correta (singular), mas alterando o sentido — o que a torna errada, pois o comando exige a manutenção do sentido original.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"A contemplação, e não a dispersão, são igualmente favorecidas pelo mundo hiperconectado."
Erro: contradiz o texto + erro de concordância. Aqui há dois problemas. Primeiro, inverte o sentido (diz que a contemplação é favorecida). Segundo, usa o verbo no plural ("são") e o adjetivo no plural ("favorecidas"), tratando os dois elementos como sujeito composto — o que é incorreto, pois "e não" exclui o segundo termo. Além disso, a palavra "igualmente" acrescenta uma ideia de que ambos são favorecidos, o que extrapola o texto, que afirma apenas a dispersão como favorecida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Favorece-se a contemplação, e não a dispersão, pelo mundo hiperconectado."
Erro: contradiz o texto. A reescrita na voz passiva sintética ("Favorece-se") mantém a concordância correta (singular, pois "a contemplação" é o sujeito paciente), mas inverte o sentido: afirma que a contemplação é favorecida, quando o texto diz que é a dispersão. A concordância está certa, mas o sentido está errado — e o comando exige ambos.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"A dispersão, e não a contemplação, é favorecida pelo mundo hiperconectado."
Correta: mantém o sentido e a concordância. A reescrita preserva a ideia original: a dispersão é o elemento favorecido, a contemplação é a ressalva. A concordância verbal está correta: o verbo "é" concorda com o núcleo do sujeito "A dispersão" (singular), e o "e não a contemplação" funciona como ressalva, não alterando a concordância. A concordância nominal também está correta: "favorecida" concorda com "A dispersão" (feminino singular). A passagem que sustenta: "O mundo hiperconectado favorece a dispersão, não a contemplação." — a reescrita apenas transpõe para a voz passiva, mantendo a mesma relação semântica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Favorecem-se a dispersão, e não a contemplação, pelo mundo hiperconectado."
Erro: erro de concordância. A reescrita mantém o sentido (a dispersão é favorecida), mas o verbo "Favorecem-se" está no plural, tratando "a dispersão" e "a contemplação" como sujeito composto. Como "e não" exclui o segundo termo, o sujeito é simples ("a dispersão"), e o verbo deveria ficar no singular: "Favorece-se a dispersão, e não a contemplação". A concordância verbal está incorreta, o que desqualifica a alternativa.
Conclusão: a questão testa a concordância com sujeito seguido de ressalva ("e não"). A regra é: o verbo concorda com o núcleo do sujeito, e a expressão "e não" introduz um termo que não participa da concordância. A alternativa D é a única que acerta a concordância (singular) e mantém o sentido original (dispersão favorecida).