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Questão de Português — Orações Subordinadas Adjetivas — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsOrações Subordinadas Adjetivas
Código
qa393694
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
CODERN
Ano
2026
Cargo
Tec Port ( )

O PUXADOR DE PALMAS

Antonio Prata

 

Não sei se é verdade que ao bater as botas vemos um túnel de luz – e taí um mistério que não tenho pressa em desvendar. O que venho descobrindo empiricamente é que quando uma pessoa muito especial parte, cria um túnel de luz do lado de cá, ajudando os que ficam a fazer a passagem. Tem o susto, a dor, mas aos poucos vão surgindo as memórias, histórias engraçadas vão brotando e quando você vê, um papo que começou com “meus pêsames” termina em risada.

 

Eu não conhecia direito o Marcão, mas ele era dessas pessoas que a gente não precisa conhecer direito pra conhecer bem. Vivia de guarda abaixada, o sorriso à mostra, principalmente quando falava da filha mais velha, Renatinha, minha amiga e colega de trabalho. Todo dia, há três anos, eu, a Renata, a Thais, o Chico e a Hela escrevemos uma série em longas reuniões Zoom. Quando o Marcão faleceu, não faz nem duas semanas, preparei-me pra uma Renata deprimida, calada: eu não contava com o túnel de luz. A cada dia a Renatinha traz uma história, uma memória, um traço do pai que nos leva às lágrimas ou às gargalhadas – não raro, ao mesmo tempo.

Anteontem ela nos contou que um dos maiores orgulhos do Marcão era ser “puxador de palmas”. Ele era aquele cara que no teatro ou num show aplaude primeiro, forte, convicto, arrastando milhares atrás de si.

 

Você pode achar que não há grande mérito em ser puxador de palmas. Que seria uma virtude caxias, tipo: ser o primeiro a chegar numa fila ou o primeiro a acordar na família. Nada disso.

 

Pedro, meu querido cunhado, mencionou outro dia como o entusiasmo está fora de moda. O arrebatamento é tratado como uma fraqueza. Ficar enlevado é coisa de criança. No mundo das redes sociais, com as opiniões transformadas em commodities, nos tornamos todos “brokers” de nós mesmos, num “day-trade” infernal. Nos exibimos em tempo real nessas vitrines virtuais, ansiosos para que nosso valor seja estabelecido hora a hora pelo número de views, likes, reposts.

 

Como todo mercado, é um terreno competitivo, hostil. Nos apresentamos, portanto, segurados pela ironia, alavancados pelo sarcasmo, contando com circuit breaker do cinismo. Sai um filme, um álbum novo, um livro, as pessoas consultam as opiniões de duas dúzias antes de dar um pio (ou, agora que mudou o nome, pontificar sobre o X da questão). Na dúvida, falam mal, como se não gostar decorresse de profunda atividade intelectual e o alumbramento de uma espécie de reflexo instintivo.

 

Diametralmente oposto aos habitantes desta savana vital está o puxador de palmas. O puxador de palmas não tá na bolsa de valores, tá na praça, tá na roda. O que diz com o aplauso é “não importa o que o cês acharam, eu adorei!”. Uma mente amolecida pelo sol da savana veria no “puxador de palmas” um líder. Um influenciador. Talvez lançasse um livro de autoajuda: “Aplauda antes para ser aplaudido depois – como gerir pessoas e liderar equipes”.

 

Não, amizade. O puxador de palmas não tá nem aí pro que os outros pensam, pra quem vem atrás, é o contrário. Ele é alguém que está à vontade dentro de si, despreocupado. Sua convicção não vem da análise macro e microeconômica das tendências culturais, vem do coração.

 

Esse é o tipo de assunto que surge toda vez que a Renatinha, no meio da lida, evoca o Marcão, orgulhoso puxador de palmas. De repente, do pranto faz-se o riso. Das mãos espalmadas faz-se o encanto. Faz-se de um Zoom uma aventura errante. De repente, não mais que de repente.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2024/05/o-puxa dor-de-palmas.shtml. Acesso em: 24 mar. 2026.

Assinale a alternativa em que o item em destaque tem a função de retomar uma palavra mencionada anteriormente e introduzir uma oração que a especifica.
  1. A“Você pode achar que não há grande mérito em ser puxador de palmas.”.
  2. B“Anteontem ela nos contou que um dos maiores orgulhos do Marcão era ser ‘puxador de palmas’.”.
  3. C“[...] ansiosos para que nosso valor seja estabelecido hora a hora pelo número de views, likes, reposts.”.
  4. D“[...] e quando você vê, um papo que começou com ‘meus pêsames’ termina em risada.”.
  5. E“Não sei se é verdade que ao bater as botas vemos um túnel de luz [...]”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “[...] e quando você vê, um papo que começou com ‘meus pêsames’ termina em risada.”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações subordinadas adjetivas: o pronome relativo que retoma e especifica

Gabarito: letra D. A questão pede a alternativa em que o item destacado (o "que") retoma uma palavra anterior e introduz uma oração que a especifica — ou seja, uma oração subordinada adjetiva restritiva, introduzida por pronome relativo. Na letra D, o "que" retoma "papo" e introduz a oração "que começou com 'meus pêsames'", que restringe/especifica qual papo termina em risada. Como se lê no texto: "um papo que começou com 'meus pêsames' termina em risada".

O comando: identificar a função do "que"

O enunciado pede que você encontre o "que" que (1) retoma uma palavra mencionada anteriormente e (2) introduz uma oração que a especifica. Isso é a definição exata de pronome relativo introduzindo oração subordinada adjetiva restritiva. O pronome relativo sempre retoma um antecedente (substantivo ou pronome) e, ao mesmo tempo, inicia uma oração que funciona como adjetivo desse antecedente, restringindo-o ou explicando-o. A pegadinha clássica é confundir o "que" pronome relativo com o "que" conjunção integrante (que introduz oração subordinada substantiva, sem retomar nada) ou com outras funções do "que".

A técnica: o teste do pronome relativo

Para não errar, aplique o teste: o "que" pode ser substituído por o qual / a qual / os quais / as quais? Se sim, é pronome relativo. Além disso, a oração que ele introduz deve estar modificando um substantivo (função de adjetivo), não completando o sentido de um verbo ou nome (função de substantivo). No texto-base, a letra D aparece em: "quando você vê, um papo que começou com 'meus pêsames' termina em risada". O "que" retoma "papo" e a oração "que começou com 'meus pêsames'" especifica qual papo termina em risada — exatamente o que o enunciado descreve.

Análise das alternativas

1Pronome relativo
Retoma antecedente
Introduz oração adjetiva
Teste: troca por "o qual"
2Conjunção integrante
Não retoma nada
Introduz oração substantiva
Ex.: "achar que", "contou que"
3Locução conjuntiva
"para que" → final
Funções do "que"
LEVELsoulevel.com.br
Funções do "que": Pronome relativo (Retoma antecedente, Introduz oração adjetiva, Teste: troca por "o qual"); Conjunção integrante (Não retoma nada, Introduz oração substantiva, Ex.: "achar que", "contou que"); Locução conjuntiva ("para que" → final)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Você pode achar que não há grande mérito em ser puxador de palmas."

Aqui o "que" é conjunção integrante, introduzindo a oração subordinada substantiva objetiva direta "que não há grande mérito em ser puxador de palmas" (complemento do verbo "achar"). Não retoma palavra alguma — é um conectivo que liga a oração principal ao seu objeto. O erro é de troca de conceito: confundir conjunção integrante com pronome relativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Anteontem ela nos contou que um dos maiores orgulhos do Marcão era ser 'puxador de palmas'."

Novamente, o "que" é conjunção integrante, introduzindo oração subordinada substantiva objetiva direta (complemento de "contou"). Não há retomada de termo anterior; a oração funciona como objeto do verbo. Mesmo erro da alternativa A: troca de conceito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"[...] ansiosos para que nosso valor seja estabelecido hora a hora pelo número de views, likes, reposts."

O "que" aqui faz parte da locução conjuntiva "para que", que introduz oração subordinada adverbial final (indica a finalidade da ansiedade). Não retoma substantivo e não especifica nome algum. Erro de troca de conceito: confundir locução conjuntiva final com pronome relativo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"[...] e quando você vê, um papo que começou com 'meus pêsames' termina em risada."

O "que" é pronome relativo (equivale a "o qual"), retoma o substantivo "papo" e introduz a oração subordinada adjetiva restritiva "que começou com 'meus pêsames'", que especifica qual papo termina em risada. Sem essa oração, o sentido ficaria genérico (qualquer papo); com ela, fica restrito ao papo que começou com pêsames. É exatamente o que o enunciado pede: retomar palavra anterior e introduzir oração que a especifica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Não sei se é verdade que ao bater as botas vemos um túnel de luz [...]"

O "que" é conjunção integrante, introduzindo oração subordinada substantiva subjetiva (sujeito de "é verdade"). Não retoma termo anterior. Erro de troca de conceito, igual às alternativas A e B.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as funções do "que": pronome relativo (retoma substantivo, inicia adjetiva) versus conjunção integrante (inicia substantiva, sem retomada). A letra D é a única em que o "que" pode ser trocado por "o qual" e a oração funciona como adjetivo de "papo".

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "que" em destaque, pergunte: "retoma qual palavra?" Se não houver antecedente claro, é conjunção integrante ou parte de locução. Se houver, teste a troca por "o qual/a qual" — se funcionar, é pronome relativo e a oração é adjetiva.

Gabarito: letra D. A regra de ouro: pronome relativo sempre retoma um antecedente e introduz oração adjetiva; conjunção integrante apenas liga a oração substantiva ao verbo/nome, sem retomar nada. Identifique o antecedente e a função sintática da oração — o resto é consequência.

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