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Questão de Português — Conjunção — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsConjunção
Código
qa394610
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref V Conquista
Ano
2026
Cargo
Prof ( )

A economia da longevidade

 

José Eustáquio

 

O Brasil está prestes a atingir um marco demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com menos de 15 anos.

 

O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa transição em nível regional. Em dois estados, a população idosa superava a jovem: no Rio Grande do Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens. Porto Alegre destacava-se como a capital mais envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens, enquanto São Paulo, a maior cidade do país, registrava 103 para cada 100.

 

A idade mediana da população brasileira era de 18 anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os 250 anos da Independência. Nessa data, a razão de idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O envelhecimento populacional tende, assim, a consolidar-se como a principal característica demográfica do Brasil no século 21 — um processo que traz desafios relevantes, mas também oportunidades.

 

O principal desafio decorre do esgotamento do primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica caso o país mantenha uma visão estática das relações intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido — com jovens apenas estudando, adultos exclusivamente trabalhando e idosos integralmente aposentados.

 

A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser encarado com perspectiva construtiva, pois há outras duas janelas estratégicas para promover prosperidade e bem-estar.

 

O segundo bônus demográfico, ou bônus da produtividade, ao contrário do primeiro, não é transitório. Seus efeitos podem se prolongar indefinidamente, desde que haja investimentos contínuos em educação, saúde, ciência e infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do trabalho, permitindo que a economia produza mais com menor uso de insumos humanos e ambientais, compensando a redução da força de trabalho.

 

A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus demográfico, ou bônus da longevidade, associado à expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus depende de como a sociedade se organiza para viver mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital humano acumulado ao longo da vida permite que os idosos continuem contribuindo, compartilhando experiência, conhecimento e capacidades produtivas. O professor Andrew Scott, em “The Longevity Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy Longevity, argumenta que esse marco exige uma mudança de paradigma: deixar a ideia de uma “sociedade que envelhece” para construir uma “sociedade da longevidade”. Na primeira, acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se vida aos anos.

 

A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela ótica dos custos, como a expansão dos gastos com previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade” enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott destaca a maleabilidade do envelhecimento — a possibilidade de intervenções que permitam viver não apenas mais, mas com mais saúde, maior integração social e níveis mais elevados de produtividade.

 

A economia da longevidade exige superar o etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e multietapas, com requalificação ao longo da vida, mudanças de carreira e maior inclusão das gerações maduras no mercado de trabalho, além de maior capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das empresas e das políticas públicas.

 

Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/a-economia-da-longevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026.

Assinale a alternativa em que a oração destacada estabelece com a anterior uma relação sintático-semântica de adição.
  1. A“A idade mediana da população brasileira era de 18 anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve atingir 49 anos em 2072 [...]”.
  2. B“[...] o que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica caso o país mantenha uma visão estática das relações intergeracionais [...]”.
  3. C“No entanto, o envelhecimento deve ser encarado com perspectiva construtiva, pois há outras duas janelas estratégicas [...]”.
  4. D“Seus efeitos podem se prolongar indefinidamente, desde que haja investimentos contínuos em educação, saúde, ciência e infraestrutura.”.
  5. E“Andrew Scott, em ‘The Longevity Economy’ (2021), [...] argumenta que esse marco exige uma mudança de paradigma [...]”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “A idade mediana da população brasileira era de 18 anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve atingir 49 anos em 2072 [...]”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Orações coordenadas aditivas: a relação de adição no texto

Gabarito: letra A. A única alternativa em que a oração destacada estabelece com a anterior uma relação de adição é a letra A, pois a conjunção "e" liga três orações coordenadas que se somam: "era de 18 anos em 1950", "chegou a 34 anos em 2022" e "deve atingir 49 anos em 2072". As demais alternativas apresentam relações de consequência (B), adversidade (C), condição (D) e subordinação substantiva (E), como se comprova nos trechos citados abaixo.

O comando pede que você identifique a relação sintático-semântica de adição — ou seja, a relação em que uma oração se acrescenta à outra, sem hierarquia entre elas, típica das orações coordenadas sindéticas aditivas, introduzidas por conectivos como "e", "nem", "mas também". A banca não quer que você interprete o conteúdo do texto, mas que reconheça o valor semântico do conectivo que une as orações. Por isso, o método é: isole a oração destacada, identifique o conectivo que a introduz e classifique a relação que ele estabelece.

No texto, a letra A traz a passagem: "A idade mediana da população brasileira era de 18 anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve atingir 49 anos em 2072". Aqui, o "e" é uma conjunção coordenativa aditiva clássica: ele soma três informações sobre a idade mediana, sem que uma dependa da outra sintaticamente. As três orações são independentes e poderiam ser reescritas como "era 18; chegou a 34; deve atingir 49" — todas no mesmo nível. É exatamente isso que caracteriza a adição.

A armadilha central da questão está em confundir o valor semântico dos conectivos. Veja: na letra B, o trecho "o que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica caso o país mantenha uma visão estática" — o "o que" retoma toda a ideia anterior e introduz uma consequência (o declínio da população ativa gera crise). Na letra C, o "No entanto" é uma conjunção adversativa (oposição), e o "pois" é explicativo. Na letra D, o "desde que" é uma locução conjuntiva condicional (estabelece uma condição para os efeitos se prolongarem). Na letra E, o "que" é uma conjunção integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta (o que Scott argumenta), sem valor semântico próprio.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, sublinhe o conectivo da oração destacada e pergunte: "que relação ele estabelece?" — adição (e, nem), oposição (mas, porém), condição (se, desde que), causa (porque), consequência (logo, portanto), explicação (pois). Se o conectivo for "e" somando ideias, é adição.

1Aditivas
e, nem, mas também
somam ideias no mesmo nível
2Adversativas
mas, porém, no entanto
oposição
3Explicativas
pois, porque
justificativa
4Condicionais (subordinadas)
se, desde que, caso
condição
5Integrante (subordinada)
que
sem valor semântico próprio
Conjunções coordenativas
LEVELsoulevel.com.br
Conjunções coordenativas: Aditivas (e, nem, mas também, somam ideias no mesmo nível); Adversativas (mas, porém, no entanto, oposição); Explicativas (pois, porque, justificativa); Condicionais (subordinadas) (se, desde que, caso, condição); Integrante (subordinada) (que, sem valor semântico próprio)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A idade mediana da população brasileira era de 18 anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve atingir 49 anos em 2072"

A conjunção "e" liga três orações coordenadas que se somam: cada uma acrescenta uma informação nova sobre a idade mediana, sem relação de dependência ou hierarquia. É a relação de adição pedida no enunciado. As três orações são independentes e poderiam ser separadas por ponto final sem prejuízo sintático — marca típica da coordenação aditiva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"[...] o que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica caso o país mantenha uma visão estática das relações intergeracionais [...]"

O pronome relativo "o que" retoma a ideia anterior (o declínio da população em idade ativa) e introduz uma consequência: esse declínio pode gerar crise fiscal. A relação é de causa e consequência, não de adição. Além disso, o "caso" é uma conjunção condicional, reforçando que a oração destacada não é aditiva.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"No entanto, o envelhecimento deve ser encarado com perspectiva construtiva, pois há outras duas janelas estratégicas [...]"

O "No entanto" é uma conjunção adversativa — estabelece oposição com a ideia anterior (a "narrativa da catástrofe demográfica"). Já o "pois" é uma conjunção explicativa, que introduz a justificativa da afirmação anterior. Nenhum dos dois conectivos expressa adição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Seus efeitos podem se prolongar indefinidamente, desde que haja investimentos contínuos em educação, saúde, ciência e infraestrutura."

A locução conjuntiva "desde que" estabelece uma relação de condição: os efeitos só se prolongam se houver investimentos. É uma oração subordinada adverbial condicional, não uma coordenada aditiva. O "e" que aparece dentro do trecho liga apenas termos (educação, saúde, ciência e infraestrutura), não orações.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Andrew Scott, em 'The Longevity Economy' (2021), [...] argumenta que esse marco exige uma mudança de paradigma [...]"

O "que" é uma conjunção integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta (o que Scott argumenta). Ela não tem valor semântico próprio — apenas liga a oração principal à subordinada, sem estabelecer adição, oposição, condição ou qualquer outra relação lógica.

Gabarito: letra A. A questão testa o reconhecimento do valor semântico dos conectivos. A regra de ouro: conjunção aditiva soma ideias no mesmo nível (e, nem); qualquer outra relação — consequência, oposição, condição, explicação — elimina a alternativa. Quando a banca pedir "adição", procure o "e" ligando orações independentes, e desconfie de conectivos como "mas", "pois", "desde que" e "que" integrante.

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