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Questão de Português — Polissemia — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsPolissemia
Código
qa394635
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
Pref V Conquista
Ano
2026
Cargo
Prof ( )

‘Acham que alguém da minha idade deve estar recolhido em casa. Não vou ser assim nunca’, diz Ney Matogrosso

 

Mônica Bergamo / Victória Cócolo

 

Em 2025 houve a estreia do filme sobre sua biografia, “Homem com H”, turnês e o projeto musical Tiny Desk. Aos 84 anos, de onde vem a energia para abraçar tantos projetos?

 

Eu também não sei. Na verdade, estou bem cansado. Estou louco para chegar o fim do ano para descansar. Vão ser miniférias — isso até o ano novo, em que eu vou cantar com o Gil no Rio de Janeiro. Depois, tem show marcado de janeiro até julho.

 

O corpo é um elemento muito presente no seu trabalho. O que você faz para se cuidar?

 

Faço ginástica diariamente quando estou no Rio de Janeiro, na minha casa. Não faço no hotel porque tem que vestir o modelito. Gosto de fazer exercício do jeito que estiver, só de shorts.

 

Com qual dos projetos você se divertiu mais neste ano?

 

Eu gostei de tudo, mas demanda energia. Todos os projetos me interessavam muito, então eu me envolvi mesmo. Por exemplo: com o filme ‘Homem com H’, eu li 12 roteiros, acompanhei três dias de gravação, com filmagens de 12 horas. Eu tenho prazer trabalhando.

 

Sobre o filme, como foi se ver projetado numa tela de cinema? É estranho?

 

Muito estranho. Mas o Jesuíta Barbosa [protagonista de “Homem com H”] é muito bom, um ator maravilhoso. Tinha horas em que, vendo o filme, eu pensava: será que eles pegaram um pedaço de mim de verdade e colocaram no filme?

 

Você declarou que o filme foi um marco e que antes podia sair na rua, mas agora é abordado o tempo todo. Como tem sido essa experiência?

 

Eu sempre andei na rua, aqui no Leblon, estão todos acostumados. Mas, subitamente, agora vem falar comigo gente que nunca teria se aproximado. Ontem [quarta, dia 10] eu saí e, quando estava voltando, veio um casal de adolescentes. Um devia ter uns 15 anos, a namorada uns 14. Vieram me pedir uma foto e, enquanto isso, estava passando um casal de senhores que disse: “Vocês têm muito bom gosto”. Eu achei tudo muito engraçado. Eu lá, parado no meio da rua fazendo foto, e o casal passando e falando dos meninos. Foi ótimo.

 

E qual é a sua relação com a finitude e a morte? Você pensa sobre a morte?

 

Normal. Eu aceito. Estou convivendo com isso: minha mãe está com 103 anos, não se levanta mais da cama, e eu estou vendo que é isso que vai acontecer com ela — e tenho que aceitar a minha morte também. Eu não sou paranoico, não sou grilado com a realidade da vida.

   

Você canta algumas músicas da Rita Lee no seu show. Isso te faz se sentir mais perto dela, especialmente agora que ela se foi?

 

Acho que sim. Para mim, é um prazer enorme cantar a Rita. Nós éramos o mesmo lado da moeda. Nosso jeito de ver o mundo era muito parecido.

 

Tem alguma música do seu repertório que mudou de sentido ao longo dos anos?

 

“Sangue Latino”. Quando lancei, era uma música normal. Com o passar do tempo, ela significa cada vez mais para mim. Parece que eu já estava falando de mim mesmo. Naquela época, eu não tinha meus mortos, meus caminhos tortos, agora eu tenho.

 

Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/autores/victoria-cocolo.shtml. Acesso em: 25 maio 2026.

Assinale a alternativa que analisa corretamente a palavra destacada no excerto.
  1. AEm “[...] estava passando um casal de senhores que disse [...]”, o termo destacado apresenta ambiguidade em relação ao gênero das pessoas que formam o casal.
  2. BEm “Todos os projetos me interessavam muito, então eu me envolvi mesmo.”, o termo destacado é um adjetivo que caracteriza o envolvimento do artista com os projetos.
  3. CEm “Aos 84 anos, de onde vem a energia para abraçar tantos projetos?”, trocar por “muitos” o pronome indefinido destacado tornaria o excerto incorreto sintaticamente.
  4. DEm “Gosto de fazer exercício do jeito que estiver, só de shorts.”, o termo destacado apresenta a mesma classificação morfológica e o mesmo sentido que em “O artista está só”.
  5. EEm “Na verdade, estou bem cansado.”, o termo destacado apresenta a mesma classificação morfológica e o mesmo sentido que em “Hoje estou me sentindo bem”.
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GabaritoA — Em “[...] estava passando um casal de senhores que disse [...]”, o termo destacado apresenta ambiguidade em relação ao gênero das pessoas que formam o casal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da palavra destacada: ambiguidade e polissemia

Gabarito: letra A. A alternativa correta é a A, pois o termo destacado "que" em "estava passando um casal de senhores que disse" apresenta ambiguidade estrutural: o pronome relativo "que" pode se referir tanto a "casal" quanto a "senhores", gerando duas leituras possíveis para o gênero das pessoas que formam o casal. A ambiguidade está na estrutura da frase, não no vocábulo em si.

O comando pede que se analise corretamente a palavra destacada em cada excerto, exigindo conhecimento de semântica (polissemia, ambiguidade) e de morfossintaxe (classificação e função das palavras). A banca testa se o candidato percebe quando uma palavra tem sentido único, quando é polissêmica (vários sentidos, mesma classe) e quando a estrutura da frase gera dupla interpretação.

No texto-base, o trecho citado na alternativa A é:

"Ontem [quarta, dia 10] eu saí e, quando estava voltando, veio um casal de adolescentes. Um devia ter uns 15 anos, a namorada uns 14. Vieram me pedir uma foto e, enquanto isso, estava passando um casal de senhores que disse: 'Vocês têm muito bom gosto'."

Aqui, o pronome relativo "que" retoma o sintagma "um casal de senhores". A ambiguidade surge porque "casal" é um substantivo coletivo que, embora esteja no singular, semanticamente designa duas pessoas. Assim, o verbo "disse" (singular) concorda com "casal", mas o referente pode ser interpretado como o conjunto (o casal) ou como os indivíduos (os senhores). Essa dupla possibilidade de leitura é o que caracteriza a ambiguidade estrutural, pois não é a palavra "que" que tem dois sentidos, mas a construção que permite duas interpretações.

A técnica para resolver esta questão é testar cada alternativa perguntando: a análise apresentada é fiel ao que o texto e a gramática autorizam? A alternativa correta é a única que descreve com precisão o fenômeno linguístico presente no excerto, sem extrapolar ou restringir o sentido.

1"que" (A)
Ambiguidade estrutural
Referente: casal ou senhores
2"mesmo" (B)
Advérbio de afirmação
Não é adjetivo
3"tantos" (C)
Pronome indefinido
Troca por "muitos" é válida
4"só" (D)
Exclusão (apenas)
≠ adjetivo (sozinho)
5"bem" (E)
Intensidade (muito)
≠ modo (satisfatoriamente)
Palavras destacadas
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Palavras destacadas: "que" (A) (Ambiguidade estrutural, Referente: casal ou senhores); "mesmo" (B) (Advérbio de afirmação, Não é adjetivo); "tantos" (C) (Pronome indefinido, Troca por "muitos" é válida); "só" (D) (Exclusão (apenas), ≠ adjetivo (sozinho)); "bem" (E) (Intensidade (muito), ≠ modo (satisfatoriamente))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. No trecho "estava passando um casal de senhores que disse", o pronome relativo "que" introduz uma oração adjetiva restritiva. A ambiguidade está no fato de que "casal" é um substantivo que, embora singular, denota duas pessoas. Portanto, o referente de "que" pode ser lido como o conjunto (o casal) ou como os indivíduos (os senhores). Essa é uma ambiguidade estrutural, pois a estrutura sintática permite duas interpretações para o mesmo enunciado. O texto não resolve a ambiguidade, pois o verbo "disse" concorda com o núcleo "casal", mas o leitor pode entender que foram os senhores (individualmente) que falaram.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. Em "Todos os projetos me interessavam muito, então eu me envolvi mesmo", o termo destacado "mesmo" é um advérbio de afirmação (equivale a "de fato", "realmente"), e não um adjetivo. A banca tenta confundir o candidato ao classificar "mesmo" como adjetivo, mas ele não caracteriza o envolvimento; ele reforça a ideia de que o envolvimento foi real. O erro é de troca de classe gramatical.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. Em "Aos 84 anos, de onde vem a energia para abraçar tantos projetos?", o termo destacado "tantos" é um pronome indefinido que indica quantidade. Trocar por "muitos" não tornaria o excerto incorreto sintaticamente, pois ambos são pronomes indefinidos e exercem a mesma função de adjunto adnominal. A troca alteraria apenas o matiz de sentido ("tantos" tem valor mais enfático, ligado à ideia de "tão muitos"), mas não a correção gramatical. A alternativa extrapola ao afirmar que haveria incorreção sintática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. Em "Gosto de fazer exercício do jeito que estiver, só de shorts", o termo "só" é uma palavra denotativa de exclusão (equivale a "apenas", "somente"). Já em "O artista está só", o termo "só" é um adjetivo (equivale a "sozinho"). Portanto, não há a mesma classificação morfológica nem o mesmo sentido. A alternativa confunde as duas ocorrências da palavra "só".

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. Em "Na verdade, estou bem cansado", o termo "bem" é um advérbio de intensidade (modifica o adjetivo "cansado", equivalendo a "muito"). Já em "Hoje estou me sentindo bem", o termo "bem" é um advérbio de modo (equivale a "satisfatoriamente", "com saúde"). Embora ambos sejam advérbios, o sentido é diferente: no primeiro, intensifica; no segundo, indica modo. A alternativa restringe o sentido ao afirmar que são idênticos.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar palavras como "só", "mesmo", "bem", "que", verifique sempre a classe gramatical e o sentido no contexto. Palavras como "só" podem ser advérbio, adjetivo ou palavra denotativa; "mesmo" pode ser advérbio, pronome ou palavra denotativa. A banca adora explorar essas múltiplas funções.

Gabarito: letra A. A questão cobra a distinção entre ambiguidade estrutural (dupla leitura pela estrutura da frase) e polissemia (múltiplos sentidos de uma palavra). A alternativa A é a única que identifica corretamente o fenômeno presente no excerto, sem confundir classes gramaticais ou sentidos.

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