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Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2026

PortuguêsConjunção
Código
qa394685
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Bento Gonçalves
Ano
2026
Cargo
Edu Inf ( )

Por que crianças não quebram mais o braço?

 

Por Pedro Guerra

 

Nunca quebrei um braço quando criança. Nascido nos anos 1990, sei que isso me coloca no time das exceções. Naquele tempo, era quase um rito de passagem encontrar um colega de escola com gesso no braço ou na perna — testemunhos em branco de aventuras mal calculadas, árvores subidas depressa demais, quedas de bicicleta, disputas no campinho, e por aí vai.

 

Estou delirando ou essa cena anda rara? Não lembro a última vez em que vi uma criança exibindo um gesso assinado pelos amigos. Desde que me dei conta disso, aliás, passei a me perguntar o motivo.

 

A resposta é simples e, ao mesmo tempo, assustadora: as crianças continuam quebrando, só que outras coisas.

 

Se antes o risco maior era cair do muro, agora se tornou desabar em si. Nos últimos anos, cresceu o número de diagnósticos, rótulos e ansiedades que não faziam parte da infância décadas atrás. Não porque não existiam, mas porque não tinham espaço para aparecer. A queda, antes física, hoje é oculta e interna.

 

Estudos recentes evidenciam o crescimento dos transtornos mentais entre crianças. Já preocupantes, os números provavelmente são ainda maiores, considerando que nem toda infância tem acesso ao diagnóstico formal.

 

Hoje, antes mesmo de correrem o risco de quebrar um braço, algumas crianças já carregam fraturas invisíveis. São dores quietas, sem sirene, sem compressa, sem gesso. Nada anuncia o impacto. Às vezes, nem elas mesmas entendem onde dói — apenas aprendem a conviver com o incômodo, como quem ajeita um sapato apertado sem saber dizer qual parte que machuca.

 

Os motivos não são poucos — e quase todos fazem parte do cotidiano que construímos para elas. Lá (não tão) atrás, normalizamos uma superexposição digital desde cedo. A brincadeira livre perdeu espaço para as telas, tão temidas quanto inevitáveis. Muitos pais, exaustos pelo próprio formato de mundo que criamos, tornaram-se emocionalmente indisponíveis sem querer. Soma-se a isso a pandemia: anos formativos vividos no isolamento, seguidos de um tipo de bullying que não se restringe à escola. Tudo isso compõe uma sociedade que, sem perceber, acelera a infância até que ela tropece em si mesma.

 

Talvez as quedas de hoje doam mais justamente porque não deixam marcas aparentes. E, enquanto não aprendermos a enxergá-las, teremos muito mais trabalho do que envolver um braço em gesso e esperar pela melhora. Quebrar por dentro é um ato silencioso — quase sempre imperceptível num primeiro momento. E, quando percebemos, descobrimos que o cuidado é mais longo. Ao contrário do gesso, não há um prazo exato para que tudo volte a firmar.  

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/pedro-guerra/noticia/2025/12/por-que-criancas-nao-quebram-mais-o-braco-cmj2y6ojc01y8014o699c5t7b.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando os sentidos às respectivas conjunções e locuções conjuntivas sublinhadas nos trechos abaixo.

 

Coluna 1


1. Comparação.
2. Tempo.
3. Finalidade.

 

Coluna 2


( ) “Desde que me dei conta disso, aliás, passei a me perguntar o motivo”.


( ) “apenas aprendem a conviver com o incômodo, como quem ajeita um sapato apertado”.


( ) “Ao contrário do gesso, não há um prazo exato para que tudo volte a firmar”.

 

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

  1. A2 – 1 – 3.
  2. B1 – 3 – 2.
  3. C3 – 1 – 2.
  4. D2 – 3 – 1.
  5. E3 – 2 – 1.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — 2 – 1 – 3.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunções e locuções conjuntivas: sentido no contexto

Gabarito: letra A (2 – 1 – 3). A questão pede para associar cada trecho ao sentido da conjunção/locução sublinhada: "Desde que" indica tempo (2), "como" indica comparação (1) e "para que" indica finalidade (3). A ordem correta, de cima para baixo, é 2 – 1 – 3, exatamente como na alternativa A.

O comando

O enunciado pede uma associação de sentidos — não é uma questão de compreensão global do texto, mas de semântica das conjunções e locuções conjuntivas dentro de trechos específicos. A tarefa é identificar qual valor cada conectivo assume no contexto em que aparece. Isso exige conhecer os sentidos possíveis de cada conectivo e, principalmente, testá-los na frase para ver qual faz sentido.

O texto e o movimento argumentativo

O texto discute a mudança nas "fraturas" da infância: antes físicas (quebrar o braço), hoje emocionais e invisíveis. Os trechos destacados pela questão são retirados desse contexto, mas a resposta não depende da tese global — depende do valor semântico de cada conectivo na frase isolada. Por isso, a técnica central é: substituir o conectivo por outro de mesmo valor e verificar se o sentido se mantém.

A técnica que decide

Cada conectivo tem um sentido próprio e, às vezes, múltiplos sentidos possíveis. O que define é o contexto. Vejamos:

  • "Desde que" — pode ser temporal ("desde que casei") ou condicional ("desde que arrume o quarto"). No trecho, "Desde que me dei conta disso" indica ponto de partida no tempo — equivale a "a partir do momento em que". É tempo.

  • "Como" — pode ser comparativo ("como quem ajeita"), conformativo ("como foi combinado") ou causal ("como choveu"). No trecho, "como quem ajeita um sapato apertado" estabelece uma comparação entre a criança que convive com o incômodo e alguém que ajeita um sapato. É comparação.

  • "Para que" — é locução conjuntiva final por excelência, indicando finalidade (equivale a "a fim de que"). No trecho, "para que tudo volte a firmar" expressa o objetivo de não haver prazo exato. É finalidade.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o sentido de um conectivo, substitua-o por um sinônimo clássico (tempo → "quando"; comparação → "assim como"; finalidade → "a fim de que"). Se a frase continuar com o mesmo sentido, você acertou.

Análise das alternativas

1"Desde que"
Temporal (ponto de partida)
Condicional (desde que arrume)
2"Como"
Comparativo (assim como)
Conformativo (como foi combinado)
Causal (como choveu)
3"Para que"
Finalidade (a fim de que)
Conectivos e seus sentidos
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos e seus sentidos: "Desde que" (Temporal (ponto de partida), Condicional (desde que arrume)); "Como" (Comparativo (assim como), Conformativo (como foi combinado), Causal (como choveu)); "Para que" (Finalidade (a fim de que))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ordem 2 – 1 – 3 corresponde exatamente aos sentidos identificados: "Desde que" = tempo (2), "como" = comparação (1), "para que" = finalidade (3). É a única alternativa que associa corretamente todos os trechos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ordem 1 – 3 – 2 inverte os sentidos: trata "Desde que" como comparação (errado, é tempo), "como" como finalidade (errado, é comparação) e "para que" como tempo (errado, é finalidade). Erro: troca de conceito — confunde os valores semânticos dos conectivos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ordem 3 – 1 – 2 também inverte: trata "Desde que" como finalidade (errado, é tempo), "como" como comparação (correto) e "para que" como tempo (errado, é finalidade). Erro: troca de conceito — acerta apenas o segundo trecho.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ordem 2 – 3 – 1 acerta o primeiro trecho ("Desde que" = tempo), mas erra os demais: trata "como" como finalidade (errado, é comparação) e "para que" como comparação (errado, é finalidade). Erro: troca de conceito — acerta apenas o primeiro trecho.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A ordem 3 – 2 – 1 inverte todos: trata "Desde que" como finalidade (errado, é tempo), "como" como tempo (errado, é comparação) e "para que" como comparação (errado, é finalidade). Erro: troca de conceito — nenhum trecho é associado corretamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia dos conectivos — "desde que" e "como" têm mais de um sentido possível. Quem decora apenas um valor (ex.: "como" = comparação, sem pensar no contexto) pode se confundir. A chave é sempre testar o sentido na frase.

Conclusão

A questão se resolve identificando o valor semântico de cada conectivo no contexto específico: "Desde que" = tempo, "como" = comparação, "para que" = finalidade. A ordem correta é 2 – 1 – 3, letra A.

Gabarito: letra A

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