Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — Quadrix 2026
Português›Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
qa394741
Banca
Quadrix
Órgão
CORE PI
Ano
2026
Cargo
Ass ( )
No âmbito do Conselho Regional dos Representantes Comerciais no Estado do Piauí (Core-PI), a atuação administrativa e jurídica exige comunicação clara, precisa e compatível com a natureza pública das atividades desempenhadas. A análise de processos, a elaboração de pareceres, o atendimento a profissionais registrados e a instrução de procedimentos administrativos dependem de registros escritos capazes de assegurar segurança jurídica, transparência e efetividade institucional.
A linguagem empregada nesses documentos não deve apenas transmitir informações. Ela também organiza fundamentos, delimita responsabilidades, orienta decisões e reduz riscos de interpretações equivocadas. Por isso, impropriedades gramaticais, ambiguidades sintáticas ou inadequações vocabulares podem comprometer a compreensão dos atos administrativos e afetar a confiança dos interessados na atuação do Conselho.
No exercício das atribuições do cargo de Assistente Jurídico, o domínio da norma-padrão da língua portuguesa constitui instrumento essencial de trabalho. A correta articulação entre períodos, o emprego adequado de pronomes, a observância da concordância e da regência, o uso criterioso da pontuação e a seleção precisa de palavras contribuem para a produção de textos objetivos e juridicamente seguros.
Além disso, em comunicações institucionais, a impessoalidade e a formalidade devem ser preservadas, sem prejuízo da clareza. Um texto técnico eficiente não se caracteriza pelo excesso de termos complexos, mas pela capacidade de apresentar informações de modo ordenado, coeso e compreensível. Assim, a competência linguística do servidor fortalece a regularidade dos procedimentos, a credibilidade do órgão e a proteção do interesse público.
BRASIL. Manual de Redação da Presidência da República. 3. ed. Brasília: Presidência da República, 2018; Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, art. 37 (com adaptações).
Assinale a opção correta, no que diz respeito à regência verbal e à nominal, bem como ao emprego do sinal indicativo de crase, de acordo com a norma-padrão.
AEm “compatível com a natureza pública”, a substituição por compatível à natureza pública é obrigatória.
BEm “atendimento a profissionais registrados”, o emprego de crase antes de “profissionais” é obrigatório.
CEm “afetar a confiança dos interessados”, a reescrita afetar à confiança preservaria a correção gramatical do trecho.
DEm “proteção do interesse público”, a reescrita proteção ao interesse público mantém a regra padrão de regência nominal.
EEm “contribuem para a produção de textos”, a substituição por contribuem à produção mantém a correção gramatical e o sentido original do texto.
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GabaritoD — Em “proteção do interesse público”, a reescrita proteção ao interesse público mantém a regra padrão de regência nominal.
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Regência nominal e verbal e crase: a reescrita que preserva a norma-padrão
Gabarito: letra D. A reescrita proteção ao interesse público mantém a regência nominal correta, pois o substantivo proteção rege a preposição a (proteção a algo), e o artigo definido o que antecede interesse público funde-se com essa preposição, formando a contração ao. As demais alternativas ou impõem crase indevida ou trocam a regência exigida pelo termo regente, como se vê na análise de cada uma.
O comando
A questão pede que se assinale a opção correta quanto à regência verbal e nominal e ao emprego da crase, sempre de acordo com a norma-padrão. Isso significa que cada alternativa propõe uma reescrita de um trecho do texto e afirma que ela é gramaticalmente correta (ou obrigatória). O candidato deve verificar se a reescrita preserva a regência do termo regente e se o uso da crase é facultativo, obrigatório ou proibido naquele contexto. Não se trata de interpretação de sentido, mas de aplicação de regras sintáticas.
O texto e o ponto de ancoragem
O texto-base, embora trate da importância da norma-padrão na redação oficial, não define regras de regência; ele apenas exemplifica usos corretos em trechos como:
"a proteção do interesse público"
Esse trecho é o ponto de partida da alternativa D. A banca testa se o candidato reconhece que proteção admite tanto a regência com de (proteção de algo) quanto com a (proteção a algo), desde que a preposição seja adequada ao complemento. No caso, interesse público é um substantivo masculino, e a preposição a exigida por proteção se funde com o artigo o, formando ao. Portanto, a reescrita é gramaticalmente correta.
A técnica que decide
Para resolver questões de regência e crase, siga este roteiro:
Identifique o termo regente (verbo ou nome) e veja qual preposição ele exige.
Verifique se o complemento admite artigo (se for substantivo, geralmente admite; se for verbo, pronome, etc., não).
Se houver preposição + artigo, ocorre a crase (ou a contração, como em ao).
Cuidado com falsas regências: muitos candidatos confundem a regência de um nome com a de um verbo parecido, ou aplicam crase onde não há preposição.
No caso da alternativa D, proteção rege a preposição a (proteção a algo), e o complemento interesse público é um substantivo masculino que admite o artigo o. A fusão gera ao, que é a forma correta. Já nas demais alternativas, ou a preposição não é exigida, ou o complemento não admite artigo, ou a crase é proibida.
Alternativa
Reescrita proposta
Regência do termo regente
Crase/Contração
Correção gramatical
A
“compatível à natureza pública”
compatível exige com
Crase indevida (não há preposição a)
❌ Incorreta
B
“atendimento à profissionais”
atendimento exige a
Crase proibida (palavra masculina plural)
❌ Incorreta
C
“afetar à confiança”
afetar é transitivo direto (sem preposição)
Crase indevida (objeto direto)
❌ Incorreta
D
“proteção ao interesse público”
proteção exige a
Contraçao ao (preposição + artigo)
✅ Correta
E
“contribuem à produção”
contribuir exige para
Crase indevida (troca de preposição)
❌ Incorreta
Regência nominal
1Compatível
com (não à)
2Proteção
de algo
a algo (ao)
3Atendimento
a (sem crase)
4Regência verbal
Afetar
objeto direto (sem preposição)
Contribuir
para (não à)
5Crase
Só com preposição + artigo
Proibida antes de masculino
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"compatível com a natureza pública"
A substituição por compatível à natureza públicanão é obrigatória — na verdade, é incorreta. O adjetivo compatível rege a preposição com (compatível com algo), e não a preposição a. Portanto, a forma compatível com é a única correta; a forma compatível à violaria a regência nominal. A alternativa erra ao afirmar que a substituição é obrigatória, quando na verdade é proibida.
Erro: troca de preposição exigida pelo termo regente (regência nominal).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"atendimento a profissionais registrados"
O emprego de crase antes de profissionais é proibido, não obrigatório. O substantivo atendimento rege a preposição a (atendimento a algo), mas profissionais é um substantivo masculino plural que não admite artigo definido feminino (a), portanto não há fusão de preposição com artigo. A crase só ocorre quando há a fusão da preposição a com o artigo a ou com os pronomes aquele, aquela, aquilo. Como profissionais é masculino, não há crase.
Erro: aplicação indevida de crase diante de palavra masculina.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"afetar a confiança dos interessados"
A reescrita afetar à confiançanão preserva a correção gramatical. O verbo afetar é transitivo direto, ou seja, exige objeto direto sem preposição. Portanto, o correto é afetar a confiança (sem crase), pois a é apenas artigo, não preposição. A forma afetar à confiança introduziria uma preposição indevida, tornando o verbo transitivo indireto, o que não é aceito pela norma-padrão.
Erro: confusão entre objeto direto e indireto; crase indevida em verbo transitivo direto.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"proteção do interesse público"
A reescrita proteção ao interesse público mantém a regra padrão de regência nominal. O substantivo proteção rege a preposição a (proteção a algo), e o complemento interesse público é um substantivo masculino que admite o artigo o. A fusão da preposição a com o artigo o forma a contração ao, que é gramaticalmente correta. Portanto, a reescrita é válida e preserva o sentido original.
Por que as outras estão erradas? As demais alternativas ou impõem crase indevida (B, C) ou trocam a regência exigida (A, E). A alternativa D é a única que apresenta uma reescrita gramaticalmente correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"contribuem para a produção de textos"
A substituição por contribuem à produçãonão mantém a correção gramatical nem o sentido original. O verbo contribuir rege a preposição para (contribuir para algo), e não a preposição a. Portanto, a forma correta é contribuem para a produção. A forma contribuem à produção violaria a regência verbal, pois contribuir não admite a preposição a nesse contexto.
Erro: troca de preposição exigida pelo verbo (regência verbal).
Conclusão
A alternativa D é a única que apresenta uma reescrita gramaticalmente correta, pois proteção admite a preposição a e o complemento interesse público admite o artigo o, formando a contração ao. As demais alternativas erram ao impor crase indevida ou ao trocar a regência exigida pelo termo regente.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de regência e crase, sempre verifique a preposição exigida pelo termo regente e se o complemento admite artigo. A crase só ocorre quando há fusão de preposição a com artigo a ou pronome demonstrativo. Desconfie de alternativas que afirmam que a substituição é "obrigatória" — muitas vezes é apenas uma possibilidade, ou até mesmo um erro.