Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Crase — Quadrix 2026

PortuguêsCrase
Código
qa395256
Banca
Quadrix
Órgão
CRECI-BA
Ano
2026
Cargo
PAS AFis ( )

Quando o legal não é suficiente no mercado imobiliário

 

O mercado testa diariamente o limite entre cumprir a lei e agir com ética. Ética é um conceito elástico, pois o que pode ser considerado dentro das quatro linhas para um não seria regra para outro.

 

No setor imobiliário, tensões éticas nos levam a revisitar regras às quais todos estamos sujeitos. Acerca disso, a advogada Natália Japur reflete sobre o espaço que existe entre o que é legal e o que é ético.

 

A regulação do setor não nasce do acaso. Ela decorre da necessidade de ordenar relações econômicas complexas. O risco está quando essas normas perdem contato com a realidade praticada pelo mercado.

 

“A normatização deve ser clara e objetiva para conseguir regular o setor”, afirma Natália. Quando as normas se tornam obsoletas, convertem-se em obstáculo ou deixam de ser cumpridas.

 

O limite entre o legal e o ético é tênue. A depender da posição de quem analisa, uma mesma conduta pode ser justificada ou condenável. A função social da propriedade é exemplo dessa zona de tensão, que se manifesta em locação urbana, políticas habitacionais, desapropriações, incorporações e questões ambientais.

 

“É preciso reconhecer essa zona cinzenta e manter atenção aos objetivos da operação e aos seus efeitos”, orienta. Ir além da análise formal diferencia o profissional ético do operador oportunista.

 

Natália ressalta: “o imediatismo na obtenção de resultados e a fiscalização deficiente funcionam como vetores que impulsionam a flexibilização ou a quebra de princípios éticos”. O contraponto está na postura vigilante que vai além do formalismo legal. Não basta cumprir a letra da lei; é preciso observar a boa-fé objetiva e a transparência.

 

Criatividade jurídica não é flexibilização ética. A primeira estrutura soluções dentro da base legal, e a segunda é distorção. “O uso oportunista de brechas legais e o desvio de finalidade não configuram criatividade, mas distorção”, define Natália.

 

Natália elencou práticas inegociáveis: transparência com investidores e adquirentes, cumprimento rigoroso das etapas de aprovação, observância dos parâmetros urbanísticos e ambientais e relação ética com o poder público.

 

Ética se constrói ou se corrói nas decisões quotidianas. O setor tem estrutura, arcabouço legal e talentos profissionais. Precisa agora de uma cultura que coloque ética não como limite, mas como vantagem competitiva.

 

Internet: <exame.com> (com adaptações).

Assinale a opção que apresenta o emprego correto do sinal indicativo de crase, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
  1. AEle se referiu à um conjunto de práticas inegociáveis.
  2. BA advogada aludiu à normas que perderam contato com a realidade.
  3. CO setor imobiliário está sujeito à vários vetores de pressão.
  4. DA ética deve ser aplicada à cada situação de mercado.
  5. EO profissional deve atentar à transparência em suas relações.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — O profissional deve atentar à transparência em suas relações.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: o emprego correto do acento grave

Gabarito: letra E. A única alternativa em que o acento grave é obrigatório é a E, pois o verbo atentar rege a preposição a e o substantivo transparência admite o artigo feminino a — há, portanto, a fusão a + a = à. Nas demais, ou o termo seguinte é masculino, ou é plural sem artigo, ou é pronome indefinido — casos em que a crase é proibida.

O comando

A questão pede que você identifique o emprego correto do sinal indicativo de crase, ou seja, a frase em que o acento grave é obrigatório e bem aplicado. Isso não é interpretação de texto: é uma questão de gramática normativa — mais especificamente, de regência verbal + crase. O método é sempre o mesmo: verificar se há, simultaneamente, (1) um termo que exija a preposição a e (2) uma palavra feminina que aceite o artigo a. Se faltar qualquer um dos dois, não há crase.

A técnica que decide

A crase é a fusão da preposição a com o artigo feminino a (ou com o a inicial de aquele, aquela, aquilo e de a qual/as quais). Para saber se o acento grave é obrigatório, faça o teste clássico: troque a palavra feminina por uma masculina. Se, na troca, aparecer ao, há crase; se aparecer apenas ao sem contração (como em a o), não há. Exemplo: atentar à transparênciaatentar ao sigilo (aparece ao, logo há crase). Já em referiu-se a um conjuntoreferiu-se a um documento (não aparece ao, logo não há crase).

A pegadinha da banca

A banca mistura, nas distratoras, os dois erros mais comuns de crase: usar o acento antes de palavra masculina (A, C) e antes de palavra no plural sem artigo definido (B). A alternativa D erra ao usar crase antes de pronome indefinido (cada), que não admite artigo. A única que respeita a regra é a E, porque o verbo atentar exige a preposição a e transparência é um substantivo feminino que aceita o artigo.

Crase (a + a = à)
  • 1Exige preposição a + artigo feminino a
  • 2Teste: trocar por palavra masculina
    • Aparece "ao" → [+] há crase
    • Não aparece "ao" → [-] não há crase
  • 3Casos proibidos
    • Antes de palavra masculina
    • Antes de plural sem artigo
    • Antes de pronome indefinido
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Ele se referiu à um conjunto de práticas inegociáveis."

O verbo referir-se exige a preposição a, mas o termo seguinte é "um conjunto" — e um é artigo indefinido masculino, que não admite o artigo feminino a. Não há fusão, logo não há crase. O correto seria: referiu-se a um conjunto. Erro: crase antes de palavra masculina.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"A advogada aludiu à normas que perderam contato com a realidade."

O verbo aludir exige a preposição a, mas normas está no plural sem artigo definido (não se diz as normas aqui, pois o sentido é genérico). Sem artigo, não há fusão. O correto seria: aludiu a normas. Erro: crase antes de palavra plural sem artigo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O setor imobiliário está sujeito à vários vetores de pressão."

O adjetivo sujeito exige a preposição a, mas vários é pronome indefinido masculino plural — não admite artigo feminino. Não há crase. O correto seria: sujeito a vários vetores. Erro: crase antes de palavra masculina.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A ética deve ser aplicada à cada situação de mercado."

O verbo aplicar exige a preposição a, mas cada é pronome indefinido e não admite artigo. Sem artigo, não há fusão. O correto seria: aplicada a cada situação. Erro: crase antes de pronome indefinido.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"O profissional deve atentar à transparência em suas relações."

O verbo atentar (no sentido de prestar atenção, observar) rege a preposição a: quem atenta, atenta a algo. O substantivo transparência é feminino e admite o artigo a. Há, portanto, a fusão a + a = à. O teste da troca por palavra masculina confirma: atentar ao sigilo — aparece ao, logo a crase é obrigatória. Correta.

PEGA ESSA DICA!

Na dúvida, troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer ao, há crase; se aparecer apenas a (sem contração), não há. Esse teste resolve a maioria das questões de crase em concursos.

Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/qa395256