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Questão de Português — Geral — FUNDATEC 2026

PortuguêsGeral
Código
qa395376
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Getúlio Vargas
Ano
2026
Cargo
ASB ( )

Pior que o 7 x 1

 

Por Rafael Battaglia Popp

 

Meu avô acompanhou a Copa de 1958 no radinho da oficina em que trabalhava. Meu pai assistiu à de 1982 com a família em volta da TV. Viram Zico, Sócrates e cia. ao vivo e em cores. Mágico, até sermos eliminados pela Itália. Eu acompanhei a de 2014 entre uma aula e outra do colégio. Durante algumas delas também, confesso. Era ensino integral, foi difícil resistir. Mas não fui o único: no laboratório de informática, a professora pediu a todos que desligassem as abas com o minuto a minuto de Espanha x Austrália. Só que ela se esqueceu de mutar o próprio computador, que foi o primeiro a gritar “gol” pelo alto-falante. Eu e meus amigos também assistimos aos jogos nos sofás de uma loja de eletrodomésticos num shopping perto da escola, no Centro de São Paulo. Era clima de Copa, e ninguém se importou com a nossa presença – até um de nós deitar no chão em frente à TV. Não dá pra culpar o vendedor por expulsar um bando de adolescentes caras de pau, ainda mais em uma época crucial para o varejo, em que as pessoas aproveitam a data para dar um upgrade na TV de casa.

 

Parte da beleza da Copa é o sentimento de que todo mundo está ligado na mesma coisa. Mas, neste ano, não será bem assim. Na matéria de capa, o editor Bruno Carbinatto mostra em detalhes como a ascensão do futebol nos EUA contrasta com as restrições do evento, de ingressos a preços impraticáveis às barreiras migratórias, que impedirão torcedores de acompanhar os seus times. Mas há um outro tipo de barreira, que extrapola os estádios: a falta de tempo. De que adianta uma TV nova se a impressão é a de que os dias estão cada vez mais curtos? São expedientes com mais de dez horas diárias, muito comuns entre motoristas e entregadores de aplicativo. Tempo perdido no trânsito e no transporte público. Poucas folgas nos fins de semana.

 

A atual discussão sobre a redução da jornada de trabalho é uma das mais importantes desta geração. É impossível falar em envelhecimento de qualidade, saúde mental e prática de atividade física se mal sobra tempo para aspirar a casa, preparar a marmita e ver um episódio de The Office no fim do dia. Pior do que o 7 x 1 é a 6 x 1. O impacto econômico precisa ser considerado, é claro. Mas dá pra fechar essa conta priorizando o bem-estar do trabalhador, seja ele CLT ou autônomo. Está na Constituição Federal e na Declaração dos Direitos Humanos: todo mundo tem direito a repouso e lazer. Um tempo adequado para fazer o que quiser – inclusive (eespecialmente) assistir a Arábia Saudita x Cabo Verde numa sexta à noite.

 

(Disponível em: https://super.abril.com.br/sociedade/pior-que-o-7-x-1/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o trecho retirado do texto “Meu avô acompanhou a Copa de 1958 no radinho da oficina em que trabalhava”, em qual tempo e modo o verbo “trabalhava” está conjugado?
  1. APretérito perfeito do indicativo.
  2. BPretérito imperfeito do indicativo.
  3. CPretérito mais-que-perfeito do indicativo.
  4. DFuturo do pretérito do indicativo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Pretérito imperfeito do indicativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Flexão verbal de tempo e modo — Gabarito: letra B.

O verbo "trabalhava" está conjugado no pretérito imperfeito do indicativo. A forma verbal "trabalhava" apresenta a desinência modo-temporal -va, característica da 1ª conjugação (-ar) no pretérito imperfeito do indicativo, indicando uma ação contínua ou habitual no passado. No trecho, o avô do autor trabalhava na oficina — ou seja, exercia essa atividade de forma permanente ou repetida, não como um fato pontual e concluído.

O comando

A questão pede a classificação do tempo e do modo do verbo destacado. Isso é uma tarefa de gramática metalinguística: não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer a conjugação verbal. Para resolver, basta identificar a terminação e o valor semântico da forma.

O texto e a pista

No trecho "Meu avô acompanhou a Copa de 1958 no radinho da oficina em que trabalhava", o verbo trabalhava descreve uma ação que se estendia no passado, servindo de pano de fundo para o fato pontual "acompanhou". Essa noção de duração ou habitualidade no passado é exatamente o valor do pretérito imperfeito do indicativo.

A técnica que decide

Para não errar, lembre-se da conjugação do verbo trabalhar no pretérito imperfeito do indicativo:

Pessoa

Forma

Eu

trabalhava

Tu

trabalhavas

Ele

trabalhava

Nós

trabalhávamos

Vós

trabalháveis

Eles

trabalhavam

A desinência -va (ou -ia na 2ª e 3ª conjugações) é a marca do pretérito imperfeito do indicativo. Compare com o pretérito perfeito: "trabalhou" (ação concluída) e com o mais-que-perfeito: "trabalhara" (ação anterior a outra passada). O contexto do texto — "trabalhava" como pano de fundo — reforça o valor de duração.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar os pretéritos, pergunte: a ação é pontual e concluída (perfeito), habitual/contínua (imperfeito) ou anterior a outra passada (mais-que-perfeito)? No trecho, "trabalhava" é o cenário em que o avô "acompanhou" a Copa — logo, imperfeito.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O pretérito perfeito do indicativo expressa ação concluída em um momento específico do passado. A forma seria "trabalhou". No texto, "trabalhava" não indica conclusão, mas continuidade. A banca tenta confundir com o passado simples, mas a desinência -va é inequívoca.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O pretérito imperfeito do indicativo indica ação habitual, contínua ou durativa no passado. A forma "trabalhava" (radical trabalh- + vogal temática -a + desinência modo-temporal -va + desinência número-pessoal -∅) é a 1ª/3ª pessoa do singular. No trecho, o avô exercia a atividade na oficina de forma permanente, servindo de pano de fundo para o fato pontual "acompanhou".

Alternativa C — ❌ Incorreta

O pretérito mais-que-perfeito do indicativo expressa ação anterior a outra ação passada. A forma seria "trabalhara" (ou composta: "tinha trabalhado"). No texto, não há anterioridade em relação a outro fato passado; "trabalhava" é simultâneo ao contexto. A desinência -ra caracteriza esse tempo, ausente aqui.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O futuro do pretérito do indicativo expressa ação futura em relação a um fato passado, geralmente condicional. A forma seria "trabalharia". No texto, não há ideia de condição ou futuro no passado; "trabalhava" é um passado factual e contínuo. A desinência -ria é típica desse tempo, não presente na forma.

Conclusão: A única forma que corresponde à conjugação de "trabalhava" é o pretérito imperfeito do indicativo, pois a desinência -va e o valor de duração/habito no passado confirmam a classificação. As demais alternativas ou usam desinências de outros tempos ou atribuem valores semânticos incompatíveis com o contexto.

Gabarito: letra B.

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