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Questão de Português — Geral — Quadrix 2026

PortuguêsGeral
Código
qa395386
Banca
Quadrix
Órgão
CREF 11
Ano
2026
Cargo
Ag Fisc ( )

Exercício com acolhimento transforma vida de pessoas com autismo

 

Imagine entrar em uma academia onde o som parece alto demais, a luz incomoda e estímulos surgem por todos os lados. Para muitas pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), essa não é uma situação hipotética, mas, sim, a realidade que muitos enfrentam ao tentar praticar exercícios físicos.

 

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta, em diferentes graus, comunicação, linguagem, interação social e comportamento. No Brasil, cerca de 2,4 milhões de pessoas têm diagnóstico de autismo, segundo o Censo de 2022. O número ajuda a dimensionar um desafio pouco discutido: como os estabelecimentos com oferta de atividades físicas podem se preparar para recebê-las melhor.

 

As barreiras não são apenas sociais ou sensoriais. Pessoas autistas frequentemente apresentam condições associadas, como distúrbios do sono, alterações metabólicas e gastrointestinais e maior risco de ganho de peso.

 

Nesse cenário, a prática regular de atividade física é não apenas recomendada, mas, também, parte importante do cuidado com a saúde, o que torna o papel do profissional de Educação Física indispensável. Mas o sucesso dessa prática depende diretamente de como o ambiente e o atendimento são conduzidos. Espaços com excesso de estímulos e a ausência de previsibilidade podem transformar o exercício em uma experiência desafiadora, levando ao abandono da atividade.

 

Entender as especificidades de cada indivíduo faz parte da atuação do profissional de Educação Física. No atendimento a pessoas com espectro autista, essa atenção se torna ainda mais necessária. Cabe, portanto, ao profissional compreender o funcionamento corporal do aluno e adaptar o ambiente para que a prática seja segura, confortável e acolhedora.

 

Mais do que possibilitar a prática de exercícios, o atendimento adequado amplia a participação social de pessoas com TEA. Quando o ambiente é compreendido, estruturado e conduzido por profissionais preparados, o que antes era uma fonte de sobrecarga se transforma em oportunidade de desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida.

 

À medida que a Educação Física avança em formação e conhecimento, cresce também a capacidade de incluir de forma real. O futuro do atendimento passa menos por adaptações improvisadas e mais por preparo técnico e sensibilidade profissional.

 

Internet: <www.confef.org.br> (com adaptações).

Texto para o item a seguir.     Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.   Em “Cabe, portanto, ao profissional compreender o funcionamento corporal do aluno e adaptar o ambiente para que a prática seja segura, confortável e acolhedora.”, a forma verbal “seja” está no modo subjuntivo em razão da presença da conjunção subordinativa “para que”, a qual, por introduzir oração de finalidade, exige, obrigatoriamente, esse modo verbal na oração que a sucede.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oração subordinada adverbial final e o modo subjuntivo

Gabarito: letra C (Certo). A afirmação está correta: em “para que a prática seja segura, confortável e acolhedora”, a forma verbal “seja” está no modo subjuntivo porque a locução conjuntiva “para que” introduz uma oração subordinada adverbial final, e essa conjunção, por expressar finalidade, exige o subjuntivo na oração que introduz. A passagem que ancora a análise é o próprio trecho citado no enunciado.

“Cabe, portanto, ao profissional compreender o funcionamento corporal do aluno e adaptar o ambiente para que a prática seja segura, confortável e acolhedora.”

A banca não pede interpretação de ideias do texto, mas análise sintática e morfológica de um trecho específico. O comando é de julgamento (certo/errado) sobre um fato gramatical: a relação entre a conjunção “para que” e o modo verbal “seja”. Para resolver, é preciso dominar dois pontos: (1) o valor semântico da conjunção “para que” — finalidade; (2) a regência modal que essa conjunção impõe — subjuntivo.

A técnica que decide a questão

A questão testa a classificação da oração subordinada e a flexão de modo verbal. Veja o passo a passo:

  1. Identifique a conjunção: “para que” é uma locução conjuntiva subordinativa adverbial final. Ela liga duas orações, indicando a finalidade (o objetivo) da ação expressa na oração principal.

  2. Classifique a oração: a oração “a prática seja segura, confortável e acolhedora” é uma oração subordinada adverbial final, pois responde à pergunta “para quê?” — para que o profissional adapta o ambiente? Para que a prática seja segura.

  3. Verifique o modo verbal: conjunções finais (“para que”, “a fim de que”) exigem o modo subjuntivo na oração que introduzem, pois expressam um fato hipotético, desejado, possível, e não uma certeza. O subjuntivo é o modo da irrealidade, da possibilidade, do desejo.

  4. Confirme no trecho: “seja” é a 3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo do verbo “ser”. A forma está correta e obrigatória, pois a finalidade é algo que se espera alcançar, não um fato consumado.

PEGA ESSA DICA!

Para reconhecer uma oração final, pergunte “para quê?” ou “com que finalidade?”. Se a resposta couber, a conjunção é final e o verbo virá no subjuntivo.

Por que a afirmação está certa

A assertiva faz três afirmações, todas verdadeiras:

  • “seja” está no modo subjuntivo — correto, é presente do subjuntivo.

  • em razão da presença da conjunção “para que” — correto, é a conjunção que rege o modo.

  • “para que” introduz oração de finalidade e exige, obrigatoriamente, esse modo verbal — correto, conjunções finais regem subjuntivo.

Não há nenhuma ressalva: a relação entre “para que” e o subjuntivo é obrigatória na norma culta. Não existe construção final com “para que” + indicativo. Portanto, o item está certo.

Comparação com outros valores de “que”

Para fixar, veja como o mesmo “que” pode ter valores diferentes, mudando o modo verbal:

Conjunção

Valor

Modo exigido

Exemplo

“para que”

finalidade

subjuntivo

“Estudo para que eu passe.”

“embora”

concessão

subjuntivo

Embora estude, não passo.”

“se”

condição

subjuntivo

Se estudar, passo.”

“porque”

causa

indicativo

“Passei porque estudei.”

A pegadinha da banca, aqui, é justamente o contrário do que costuma ocorrer: ela afirma uma regra correta e o candidato desconfiado pode achar que há uma exceção. Não há. A regra é absoluta para “para que”.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa uma regra gramatical verdadeira e bem formulada. O erro do candidato seria achar que “obrigatoriamente” é exagero — mas, para conjunções finais, o subjuntivo é de fato obrigatório.

Gabarito: letra C (Certo).

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