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Questão de Português — Geral — Quadrix 2026

PortuguêsGeral
Código
qa395389
Banca
Quadrix
Órgão
CREF 11
Ano
2026
Cargo
Ag Fisc ( )

Exercício com acolhimento transforma vida de pessoas com autismo

 

Imagine entrar em uma academia onde o som parece alto demais, a luz incomoda e estímulos surgem por todos os lados. Para muitas pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), essa não é uma situação hipotética, mas, sim, a realidade que muitos enfrentam ao tentar praticar exercícios físicos.

 

O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta, em diferentes graus, comunicação, linguagem, interação social e comportamento. No Brasil, cerca de 2,4 milhões de pessoas têm diagnóstico de autismo, segundo o Censo de 2022. O número ajuda a dimensionar um desafio pouco discutido: como os estabelecimentos com oferta de atividades físicas podem se preparar para recebê-las melhor.

 

As barreiras não são apenas sociais ou sensoriais. Pessoas autistas frequentemente apresentam condições associadas, como distúrbios do sono, alterações metabólicas e gastrointestinais e maior risco de ganho de peso.

 

Nesse cenário, a prática regular de atividade física é não apenas recomendada, mas, também, parte importante do cuidado com a saúde, o que torna o papel do profissional de Educação Física indispensável. Mas o sucesso dessa prática depende diretamente de como o ambiente e o atendimento são conduzidos. Espaços com excesso de estímulos e a ausência de previsibilidade podem transformar o exercício em uma experiência desafiadora, levando ao abandono da atividade.

 

Entender as especificidades de cada indivíduo faz parte da atuação do profissional de Educação Física. No atendimento a pessoas com espectro autista, essa atenção se torna ainda mais necessária. Cabe, portanto, ao profissional compreender o funcionamento corporal do aluno e adaptar o ambiente para que a prática seja segura, confortável e acolhedora.

 

Mais do que possibilitar a prática de exercícios, o atendimento adequado amplia a participação social de pessoas com TEA. Quando o ambiente é compreendido, estruturado e conduzido por profissionais preparados, o que antes era uma fonte de sobrecarga se transforma em oportunidade de desenvolvimento, autonomia e qualidade de vida.

 

À medida que a Educação Física avança em formação e conhecimento, cresce também a capacidade de incluir de forma real. O futuro do atendimento passa menos por adaptações improvisadas e mais por preparo técnico e sensibilidade profissional.

 

Internet: <www.confef.org.br> (com adaptações).

Texto para o item a seguir.     Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.   Na construção “Nesse cenário, a prática regular de atividade física é não apenas recomendada, mas, também, parte importante do cuidado com a saúde, o que torna o papel do profissional de Educação Física indispensável.”, o adjetivo “indispensável” exerce a função de predicativo do sujeito “o papel do profissional de Educação Física”, concordando com ele em gênero e número, razão pela qual está no masculino singular.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Predicativo do sujeito e concordância nominal: “indispensável” refere-se ao papel do profissional

Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque, embora “indispensável” seja, de fato, predicativo do sujeito e concorde com ele em gênero e número, o sujeito dessa oração não é “o papel do profissional de Educação Física” — é o pronome relativo “que”, que retoma esse sintagma. A concordância está correta, mas a identificação do sujeito está errada, o que torna o item falso.

Vamos destrinchar a oração para você ver com clareza. O trecho é:

“Nesse cenário, a prática regular de atividade física é não apenas recomendada, mas, também, parte importante do cuidado com a saúde, o que torna o papel do profissional de Educação Física indispensável.”

A oração em questão é “o que torna o papel do profissional de Educação Física indispensável”. Aqui, o pronome relativo “o que” (equivalente a “aquilo que”) exerce a função de sujeito do verbo “torna”. O que torna algo indispensável? Aquilo — ou seja, o fato de a prática ser recomendada e parte do cuidado com a saúde. O termo “o papel do profissional de Educação Física” é o objeto direto de “torna”, e “indispensável” é o predicativo do objeto, não do sujeito.

Veja a estrutura:

  • Sujeito: “o que” (pronome relativo, retomando a ideia anterior)

  • Verbo transitivo direto: “torna”

  • Objeto direto: “o papel do profissional de Educação Física”

  • Predicativo do objeto: “indispensável”

O adjetivo “indispensável” concorda com o objeto direto, que é masculino singular, por isso está no masculino singular. A concordância está perfeita, mas a função sintática é de predicativo do objeto, e não do sujeito.

A banca montou a pegadinha exatamente nesse ponto: ela afirma que “indispensável” é predicativo do sujeito “o papel do profissional de Educação Física”. Isso está errado por dois motivos: primeiro, o sujeito da oração é o pronome relativo “o que”; segundo, “o papel...” é objeto direto, e “indispensável” é predicativo do objeto.

Para fixar: predicativo do sujeito é o termo que caracteriza o sujeito, ligado a ele por um verbo de ligação (ser, estar, parecer, ficar, permanecer, continuar, tornar-se). Predicativo do objeto é o termo que caracteriza o objeto direto ou indireto, ligado a ele por um verbo transitivo (como “tornar”, “achar”, “considerar”, “nomear”, “eleger”).

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a função sintática: apresenta “indispensável” como predicativo do sujeito, quando na verdade é predicativo do objeto. A concordância está correta, mas a análise sintática está invertida.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar uma oração com verbo transitivo, pergunte: “quem pratica a ação?” (sujeito) e “sobre quem recai a ação?” (objeto). Se houver um adjetivo caracterizando o objeto, ele é predicativo do objeto.

Conclusão: o item está ERRADO porque a função sintática de “indispensável” é predicativo do objeto, e não predicativo do sujeito. A concordância nominal está correta, mas a análise sintática apresentada no enunciado não.

Gabarito: letra E.

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