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Questão de Português — Geral — Quadrix 2026

PortuguêsGeral
Código
qa395414
Banca
Quadrix
Órgão
CREF 11
Ano
2026
Cargo
Ass Adm ( )

Canetas emagrecedoras: sem exercício físico, pacientes recuperam peso

 

Em 2044, quase metade (48%) dos brasileiros estará obesa, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Esse é um problema de saúde pública complexo e multifatorial. Recentemente, um medicamento para diabetes tipo 2 ganhou popularidade pelo seu efeito colateral: o emagrecimento. Tendo como princípio ativo a semaglutida, o Ozempic é uma droga injetável que deve ser aplicada em doses semanais. Apesar de seguro, o tratamento deve ser indicado por médico capacitado, levando em consideração indicações, contraindicações, tolerabilidade e expectativas do paciente.

 

O mau uso da semaglutida, além de colocar em risco pessoas que não teriam essa indicação, aumenta o estigma de quem já sofre com diversos preconceitos, reforçando a ideia de que a obesidade seria resultado de pouca disposição ou vontade de mudar sua condição. No entanto, trata‑se de uma doença crônica, complexa, multicausal e de difícil tratamen

 

A doutora em Ciências Biológicas Daisy Motta explica: “Quando reduzimos o peso corporal, perdemos massa muscular também. Quanto mais rápido esse peso é reduzido, maior é também a diminuição de músculos. Então, o exercício é essencial”. Portanto, caso não haja um trabalho integrado com um profissional de Educação Física, para reeducar esse paciente e inseri‑lo em um contexto de exercício, sua situação pode piorar no médio prazo.

 

Para Daisy, o treino de força é protagonista nesse processo, sendo necessário durante o emagrecimento para frear a sarcopenia, ou seja, a redução da musculatura do paciente, condição comum em idosos sedentários, mas que vem acometendo também os jovens. Nesse contexto, outro ponto escancara a dificuldade do tratamento da obesidade. Trata‑se de um problema invisível para muitos, mas que jamais passa despercebido pelo profissional de Educação Física atento: o analfabetismo motor.

 

Por isso, o profissional de Educação Física é um agente indispensável no tratamento da obesidade. Muitas dessas pessoas precisarão aprender a se exercitar, ativar musculaturas específicas, estimular a mobilidade e conhecer o próprio corpo. Sem passar por essa etapa, ao suspenderem a semaglutida, esses pacientes entrarão em uma estatística nada otimista, na qual voluntários recuperaram dois terços do peso perdido após um ano sem as injeções.

 

Internet: <www.confef.org.br> (com adaptações).

Texto para o item a seguir.     Julgue o item a seguir em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos.   Em “Portanto, caso não haja um trabalho integrado com um profissional de Educação Física, para reeducar esse paciente e inseri­lo em um contexto de exercício, sua situação pode piorar no médio prazo”, a preposição “com” poderia ser substituída por a, sem qualquer alteração do sentido original e sem prejuízo à correção gramatical do período.
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  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Substituição de preposição: “com” por “a” altera a regência e o sentido

Gabarito: ERRADO. A substituição de “com” por “a” em “trabalho integrado com um profissional” não é possível sem alterar o sentido e sem prejudicar a correção gramatical, pois o verbo “trabalhar”, no sentido de “exercer atividade profissional”, rege a preposição “com” — e não “a”. A troca quebraria a regência e mudaria o sentido da expressão.

O comando: o que a banca pede

A questão é de reescritura — mais especificamente, de substituição de palavra (preposição) sem alteração de sentido e sem prejuízo à correção gramatical. O comando exige que você avalie dois critérios simultaneamente: (1) a troca mantém o sentido original? (2) a troca mantém a norma culta? Se qualquer um dos dois falhar, o item é ERRADO. Aqui, ambos falham: a regência exige “com” e o sentido de “trabalho integrado com” é específico.

O texto e o trecho em análise

O trecho citado é:

“Portanto, caso não haja um trabalho integrado com um profissional de Educação Física, para reeducar esse paciente e inseri‑lo em um contexto de exercício, sua situação pode piorar no médio prazo”

A expressão “trabalho integrado com” indica uma ação conjunta entre o paciente e o profissional. O verbo “trabalhar”, nesse sentido, rege a preposição “com” — quem trabalha, trabalha com alguém. A preposição “a” não é compatível com essa regência: não se diz “trabalho integrado a um profissional” no sentido de parceria. A troca por “a” produziria uma construção agramatical e sem sentido no contexto.

A técnica: regência verbal e nominal

A regência é a relação de dependência entre um termo (verbo ou nome) e seu complemento, que pode ser introduzido por preposição. No caso:

  • Trabalhar com = exercer atividade em parceria, junto com alguém. Ex.: “Trabalho com meu irmão.”

  • Trabalhar a = não existe nesse sentido. A preposição “a” poderia aparecer em outras acepções (ex.: “trabalhar a favor de”), mas não com o verbo “trabalhar” seguido de pessoa como complemento.

A banca explora exatamente essa troca de preposição que, à primeira vista, parece inofensiva, mas que altera a regência e, consequentemente, o sentido.

Análise da assertiva

A assertiva afirma que a substituição é possível sem qualquer alteração do sentido original e sem prejuízo à correção gramatical. Isso é falso por dois motivos:

  1. Correção gramatical: a regência do verbo “trabalhar” exige “com” quando indica parceria. “Trabalho integrado a” é agramatical — não atende à norma culta.

  2. Sentido: “trabalho integrado com” expressa colaboração mútua; “trabalho integrado a” não tem esse sentido, soaria como “integrado a algo”, o que não se aplica a uma pessoa.

Portanto, a substituição não é possível sem alterar o sentido e sem prejudicar a correção.

Conclusão

A assertiva está ERRADA. A preposição “com” é obrigatória nesse contexto, tanto pela regência quanto pelo sentido. A troca por “a” quebraria a norma culta e desvirtuaria o significado da expressão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você acreditar que “com” e “a” são intercambiáveis, mas a regência do verbo “trabalhar” exige “com” no sentido de parceria. Desconfie sempre de trocas de preposição: teste a regência e o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar substituições, pergunte: (1) a regência do verbo/nome permite a troca? (2) o sentido permanece idêntico? Se qualquer resposta for “não”, a assertiva é ERRADA.

Gabarito: ERRADO.

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