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Questão de Português — Geral — Quadrix 2026

PortuguêsGeral
Código
qa395415
Banca
Quadrix
Órgão
CREF 11
Ano
2026
Cargo
Ass Adm ( )

Canetas emagrecedoras: sem exercício físico, pacientes recuperam peso

 

Em 2044, quase metade (48%) dos brasileiros estará obesa, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Esse é um problema de saúde pública complexo e multifatorial. Recentemente, um medicamento para diabetes tipo 2 ganhou popularidade pelo seu efeito colateral: o emagrecimento. Tendo como princípio ativo a semaglutida, o Ozempic é uma droga injetável que deve ser aplicada em doses semanais. Apesar de seguro, o tratamento deve ser indicado por médico capacitado, levando em consideração indicações, contraindicações, tolerabilidade e expectativas do paciente.

 

O mau uso da semaglutida, além de colocar em risco pessoas que não teriam essa indicação, aumenta o estigma de quem já sofre com diversos preconceitos, reforçando a ideia de que a obesidade seria resultado de pouca disposição ou vontade de mudar sua condição. No entanto, trata‑se de uma doença crônica, complexa, multicausal e de difícil tratamen

 

A doutora em Ciências Biológicas Daisy Motta explica: “Quando reduzimos o peso corporal, perdemos massa muscular também. Quanto mais rápido esse peso é reduzido, maior é também a diminuição de músculos. Então, o exercício é essencial”. Portanto, caso não haja um trabalho integrado com um profissional de Educação Física, para reeducar esse paciente e inseri‑lo em um contexto de exercício, sua situação pode piorar no médio prazo.

 

Para Daisy, o treino de força é protagonista nesse processo, sendo necessário durante o emagrecimento para frear a sarcopenia, ou seja, a redução da musculatura do paciente, condição comum em idosos sedentários, mas que vem acometendo também os jovens. Nesse contexto, outro ponto escancara a dificuldade do tratamento da obesidade. Trata‑se de um problema invisível para muitos, mas que jamais passa despercebido pelo profissional de Educação Física atento: o analfabetismo motor.

 

Por isso, o profissional de Educação Física é um agente indispensável no tratamento da obesidade. Muitas dessas pessoas precisarão aprender a se exercitar, ativar musculaturas específicas, estimular a mobilidade e conhecer o próprio corpo. Sem passar por essa etapa, ao suspenderem a semaglutida, esses pacientes entrarão em uma estatística nada otimista, na qual voluntários recuperaram dois terços do peso perdido após um ano sem as injeções.

 

Internet: <www.confef.org.br> (com adaptações).

Texto para o item a seguir.     Julgue o item a seguir em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos.   No fragmento “reforçando a ideia de que a obesidade seria resultado de pouca disposição ou vontade de mudar sua condição”, o termo “sua” refere­se anaforicamente ao “médico capacitado”, mencionado no parágrafo anterior, indicando que a mudança de condição depende da intervenção profissional.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Referência do pronome “sua” — coesão referencial

Gabarito: E (ERRADO). O item afirma que “sua” se refere anaforicamente ao “médico capacitado”, mas o pronome possessivo retoma, na verdade, o termo “paciente” (ou “pessoa”), mencionado no mesmo parágrafo. A passagem que prova isso é: “reforçando a ideia de que a obesidade seria resultado de pouca disposição ou vontade de mudar sua condição” — quem tem “pouca disposição ou vontade de mudar sua condição” é o paciente obeso, não o médico. O item erra ao atribuir ao pronome um referente que o texto não autoriza.

O comando pede uma análise de coesão referencial: identificar a que termo o pronome possessivo “sua” se refere. Isso é uma questão de compreensão literal do texto — não há inferência a fazer, basta rastrear o antecedente. A banca, porém, arma uma pegadinha clássica: menciona o “médico capacitado” no parágrafo anterior e sugere que o pronome o retoma, quando o contexto imediato aponta para outro referente.

No trecho, o pronome “sua” está dentro de uma oração que explica o estigma sofrido por quem tem obesidade: “a obesidade seria resultado de pouca disposição ou vontade de mudar sua condição”. A ideia é que a sociedade (erroneamente) atribui a obesidade à falta de vontade do próprio paciente de mudar. O pronome possessivo, portanto, retoma “pessoa” (ou “paciente”), termo que aparece no mesmo período: “aumenta o estigma de quem já sofre com diversos preconceitos”.

A técnica para resolver: ao localizar um pronome, volte no texto e procure o termo mais próximo e semanticamente compatível. “Sua” é possessivo de 3ª pessoa e deve concordar com o possuidor — quem possui a “condição” (a obesidade) é o paciente, não o médico. O médico é apenas quem indica o tratamento, não quem tem a condição de saúde.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão referencial, sublinhe o pronome e pergunte: “quem é o possuidor/agente dessa ação?”. O referente está sempre no contexto imediato, não em parágrafos distantes, a menos que haja uma cadeia coesiva explícita.

Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO

O item está errado por dois motivos: (1) o referente de “sua” não é “médico capacitado”, e (2) a conclusão de que “a mudança de condição depende da intervenção profissional” não está no trecho. O texto diz apenas que o mau uso da semaglutida “reforça a ideia de que a obesidade seria resultado de pouca disposição ou vontade de mudar sua condição” — ou seja, o pronome se refere à pessoa obesa, que precisaria mudar sua própria condição. O médico não é mencionado nesse trecho, e a ideia de “dependência da intervenção profissional” é uma extrapolação — o texto não afirma isso.

Conclusão: o item erra ao trocar o referente do pronome. A resposta correta é E (ERRADO), pois “sua” retoma “paciente/pessoa”, não “médico capacitado”.

Gabarito: E

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