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Questão de Português — Geral — Quadrix 2026

PortuguêsGeral
Código
qa395479
Banca
Quadrix
Órgão
CREFONO 2
Ano
2026
Cargo
Age Fis ( )

Ética e moral: qual é a diferença?

 

Isso é certo ou errado? Bom ou ruim? Devo ou não devo? Essas perguntas permeiam a reflexão sobre dois termos: ética e moral. É muito comum esses termos serem confundidos como se significassem a mesma coisa.

 

Embora estejam relacionados entre si, moral e ética são conceitos distintos.

 

A palavra “ética” vem do grego ethos, que significa morada, habitat, refúgio. Mas para os filósofos a palavra se refere a caráter, índole, natureza.

 

A palavra “moral” deriva do latim mores, que significa costume. É aquilo que se consolidou como verdadeiro sob o ponto de vista da ação. A moral é fruto do padrão cultural vigente e incorpora as regras eleitas como necessárias ao convívio entre os membros dessa sociedade.

 

Regras essas determinadas pela própria sociedade.

 

E o que seria um comportamento moral ou imoral? Assim como a reflexão ética, uma conduta moral também é uma escolha a ser feita.

 

As normas ou os códigos morais são cumpridos a partir da convicção íntima da pessoa que se comporta.

 

A ética, por sua vez, é a parte da filosofia que estuda a moral, isto é, que reflete e questiona sobre as regras morais. A reflexão ética pode, inclusive, contestar as regras morais vigentes, entendendo‑as, por exemplo, como ultrapassadas ou simplesmente erradas do ponto de vista pessoal.

 

A moral é constituída pelos valores previamente estabelecidos e comportamentos socialmente aceitos e passíveis de serem questionados pela ética em busca de uma condição mais justa. É possível uma ação moral ou imoral sem qualquer reflexão ética, assim como é possível uma reflexão ética acompanhada de uma ação imoral ou amoral.

 

Basicamente, quando se trata de moral, o que é certo e errado depende do lugar onde se está. A ética é o questionamento da moral; ela trata de princípios, e não de mandamentos.

 

Quando uma empresa diz que tem um código de ética, na verdade o que se está presente no texto são códigos ou regras de moral que buscam criar uma cultura ética. A moral é convenção; e a ética, reflexão.

 

Aprender a conviver juntos é um dos maiores desafios no século 21. A ética pode ser uma bússola para orientar o pensamento e responder à seguinte pergunta: qual sociedade eu ajudo a formar com minha ação?

 

Internet: <www.uol.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.

   

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.

 

No período “A moral é fruto do padrão cultural vigente e incorpora as regras eleitas como necessárias ao convívio entre os membros dessa sociedade”, no trecho “necessárias ao convívio”, o termo “ao convívio” atua como complemento nominal da palavra “necessárias”. Por essa razão, caso a palavra “convívio” fosse substituída pelo substantivo feminino harmonia, o uso do sinal indicativo de crase passaria a ser facultativo.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase facultativa: o caso de "necessárias ao convívio"

Gabarito: E (Errado). A afirmação está incorreta porque, embora "ao convívio" seja de fato complemento nominal de "necessárias", a substituição por "harmonia" não tornaria a crase facultativa — ela se tornaria obrigatória. A crase seria facultativa apenas diante de substantivo feminino quando houvesse a possibilidade de usar também a forma sem artigo (como em "a cavalo" / "à cavalo"), o que não ocorre com "harmonia", que exige o artigo definido "a".

O comando da questão

O item pede um julgamento Certo/Errado sobre dois pontos: (1) a função sintática de "ao convívio" e (2) o comportamento da crase após a substituição lexical. A banca mistura análise sintática com regra de crase — e a pegadinha está justamente na segunda parte: o candidato que confirma a função sintática (correta) tende a aceitar a conclusão sobre a crase (errada) sem testá-la.

A função sintática: "ao convívio" é complemento nominal

No trecho do texto:

"A moral é fruto do padrão cultural vigente e incorpora as regras eleitas como necessárias ao convívio entre os membros dessa sociedade"

A palavra "necessárias" é um adjetivo que exige complemento para completar seu sentido: necessárias a quê?ao convívio. Esse termo preposicionado completa o sentido de um adjetivo, portanto é complemento nominal. A primeira parte da afirmação está correta.

A crase: facultativa ou obrigatória?

A crase é a fusão da preposição "a" (exigida pelo adjetivo "necessárias") com o artigo definido "a" (que antecede o substantivo feminino). A questão é: após a troca de "convívio" por "harmonia", o artigo "a" é obrigatório ou dispensável?

  • "necessárias ao convívio" → preposição "a" + artigo "o" (masculino) = "ao" (obrigatório, pois "convívio" exige artigo).

  • "necessárias à harmonia" → preposição "a" + artigo "a" (feminino) = "à".

A crase seria facultativa apenas se o substantivo feminino pudesse ser usado sem artigo, mantendo o sentido. Isso ocorre em casos como "a cavalo" / "à cavalo" (ambas as formas são aceitas). Com "harmonia", porém, a forma "necessárias a harmonia" é agramatical — o artigo é obrigatório. Portanto, a crase é obrigatória, não facultativa.

A pegadinha da banca

A banca explora a confusão entre crase facultativa (que depende da possibilidade de omitir o artigo) e crase obrigatória (que ocorre quando o artigo é exigido). O candidato que sabe que "ao convívio" é complemento nominal pode assumir, sem verificar, que a troca por "harmonia" manteria a mesma lógica — mas a lógica muda porque o artigo é obrigatório com "harmonia".

Crase com "necessárias"
  • 1"ao convívio"
    • Complemento nominal (correto)
    • Preposição "a" + artigo "o" (masculino)
  • 2"à harmonia" (substituição)
    • Preposição "a" + artigo "a" (feminino)
    • Crase obrigatória (artigo exigido)
    • Não é facultativa
  • 3Crase facultativa (quando?)
    • Substantivo feminino sem artigo obrigatório
    • Ex.: "a cavalo" / "à cavalo"
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NÃO CAIA NESSA!

A banca usa a função sintática correta (complemento nominal) como isca para fazer o candidato aceitar a conclusão errada sobre a crase. A crase facultativa exige que o artigo possa ser omitido — o que não ocorre com "harmonia".

Conclusão

A primeira parte do item é verdadeira ("ao convívio" é complemento nominal), mas a segunda é falsa (a crase seria obrigatória, não facultativa). Como o item exige que ambas as partes sejam verdadeiras para ser considerado Certo, o gabarito é Errado.

Gabarito: letra E (Errado).

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