Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Geral — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsGeral
Código
qa395556
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE GO
Ano
2026
Cargo
Estag ( )

O amigo pessoal e o seu contrário, o amigo coletivo

 

Categoria difere do colega ou do conhecido, que curiosamente é como chamamos quem não conhecemos muito bem

 

Gregório Duvivier

 

Você já deve ter ouvido a expressão, em geral na negativa. “Conheço o fulano, mas não é meu amigo pessoal.” Gosto dessa categoria tão brasileira. Não consigo imaginar a expressão em outras línguas. A busca por “personal friend” no Google revela um serviço de aluguel de amigos. Curiosamente “amigo pessoal” em inglês é amigo profissional.

 

No Brasil, a categoria confunde porque pressupõe que existam outros tipos de amigo. Parece que dá para contrair amizade sem passar pela pessoa física. “O fulano é meu amigo espiritual. Beltrano? Meu amigo jurídico.”

 

O conceito, no entanto, faz sentido. Nem todo amigo tem uma relação individual com você. Alguns amigos da vida toda nunca ficaram no mano a mano. Todo o mundo tem amigos pessoais e tem amigos coletivos. O fenômeno acontece quando relação não é direta, intransferível, mas mediada por uma turma.

 

Atenção: o amigo coletivo difere do colega ou do “conhecido”, que curiosamente é como chamamos aquele que não conhecemos muito bem. Difere mais ainda do semiconhecido, aquele que conhecemos menos ainda. Existe uma hierarquia: o semiconhecido está abaixo do conhecido, que vem logo abaixo do colega, que vem antes do amigo coletivo, que precede o amigo pessoal.

 

Do conhecido você sabe o nome, do amigo coletivo você sabe o signo, do amigo pessoal você conhece o funcionamento do intestino. Você sabe o bairro onde o conhecido mora, do amigo coletivo você sabe a rua — do amigo pessoal você sabe o prédio, o apartamento e a senha do wifi — quando não sabe, adivinha.

 

Puristas da amizade dirão que amigos não pessoais não podem ser chamados de amigos. Discordo. O amigo grupal tem, sim, seu valor. Diverte, preenche, entretém. E o mais importante: é dele que pode nascer, um belo dia, quando menos se espera, o amigo pessoal.

 

Basta chover um pouco mais. E vocês ficarem ilhados no escritório. Ou basta um porre, uma viagem, um acidente, um pneu furado. O que separa um amigo coletivo de um amigo pessoal, muitas vezes, é um perrengue. Mas pode ser uma carona — de preferência daquelas demoradas, na hora do rush. Se cair um temporal, melhor ainda. Entre um silêncio e outro, você vai abrir uma chaga, e ele vai compartilhar uma memória, você vai rebater com uma esperança, ele vai contar um segredo. Pronto. Ali, na avenida Brasil alagada, sob o abrigo de um palio weekend, o amigo pessoal acaba de nascer.

 

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gregorioduvivier/2022/04/o-amigo-pessoal-e-o-seu-contrario-o-amigo-coletivo.shtml. Acesso em: 17 jun. 2026.

Acerca da expressão destacada, assinale a alternativa correta.
  1. AEm “O fulano é meu amigo espiritual. Beltrano? Meu amigo jurídico.”, “fulano” é usado em sentido pejorativo.
  2. BEm “Ou basta um porre, uma viagem, um acidente, um pneu furado.”, “porre” apresenta o mesmo sentido que em “Este filme está um porre, acho melhor mudar de canal.”.
  3. CEm “O que separa um amigo coletivo de um amigo pessoal, muitas vezes, é um perrengue.”, “perrengue” é uma variante linguística histórica, considerada um arcaísmo no português.
  4. DEm “Mas pode ser uma carona — de preferência daquelas demoradas, na hora do rush.”, a expressão destacada é, no Brasil, uma variante de “horário de pico” ou “horário de pique”.
  5. EEm “Alguns amigos da vida toda nunca ficaram no mano a mano.”, a expressão destacada veicula o sentido de “briga física em que se usam as mãos”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Em “Mas pode ser uma carona — de preferência daquelas demoradas, na hora do rush.”, a expressão destacada é, no Brasil, uma variante de “horário de pico” ou “horário de pique”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido e significado de expressões no texto: "na hora do rush"

Gabarito: letra D. A alternativa correta é a D, pois a expressão "na hora do rush" é, no português brasileiro, uma variante de "horário de pico" ou "horário de pique". A questão cobra o conhecimento do sentido de expressões idiomáticas e de suas variações regionais, e a alternativa D é a única que apresenta uma equivalência correta de sentido, sem extrapolar ou contradizer o texto.

O comando da questão

O enunciado pede que se assinale a alternativa correta acerca da expressão destacada. Isso significa que devemos analisar o sentido de cada expressão em destaque dentro do contexto em que aparece no texto. Não se trata de uma questão de compreensão global, mas de semântica contextual: entender o significado de palavras e expressões a partir do uso no texto e do conhecimento da língua.

O texto e o movimento argumentativo

O texto de Gregório Duvivier discute a diferença entre "amigo pessoal" e "amigo coletivo", apresentando uma hierarquia de relações: semiconhecido, conhecido, colega, amigo coletivo e amigo pessoal. O autor defende que o amigo coletivo tem valor e pode se tornar um amigo pessoal a partir de um "perrengue" ou de uma "carona demorada". A questão foca em expressões específicas usadas ao longo do texto, exigindo que o candidato saiba o significado de cada uma no contexto.

A técnica que decide a questão

A técnica central é testar cada alternativa perguntando: o sentido atribuído à expressão é o mesmo que ela tem no texto? Para isso, é preciso conhecer o sentido literal e figurado das expressões, bem como suas variações regionais. A alternativa D é a única que apresenta uma equivalência correta: "na hora do rush" é uma expressão comum no Brasil para se referir ao horário de maior movimento no trânsito, também chamado de "horário de pico" ou "horário de pique". As demais alternativas ou atribuem sentidos incorretos às expressões, ou extrapolam o que o texto diz.

Análise das alternativas

1"Fulano" e "Beltrano"
Pronomes indefinidos
Exemplificação (não pejorativo)
2"Porre"
No texto: embriaguez
Outro uso: algo chato
3"Perrengue"
Dificuldade, aperto
Não é arcaísmo
4"Na hora do rush"
Variante de "horário de pico/pique"
5"Mano a mano"
Relação direta, frente a frente
Não é briga física
Expressões no texto
LEVELsoulevel.com.br
Expressões no texto: "Fulano" e "Beltrano" (Pronomes indefinidos, Exemplificação (não pejorativo)); "Porre" (No texto: embriaguez, Outro uso: algo chato); "Perrengue" (Dificuldade, aperto, Não é arcaísmo); "Na hora do rush" (Variante de "horário de pico/pique"); "Mano a mano" (Relação direta, frente a frente, Não é briga física)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "fulano" é usado em sentido pejorativo no trecho "O fulano é meu amigo espiritual. Beltrano? Meu amigo jurídico.". No texto, o autor usa "fulano" e "beltrano" como pronomes indefinidos, para se referir a pessoas hipotéticas, sem qualquer intenção pejorativa. O sentido é de exemplificação, não de depreciação. A alternativa extrapola ao atribuir um valor negativo que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "porre" em "Ou basta um porre, uma viagem, um acidente, um pneu furado." tem o mesmo sentido que em "Este filme está um porre, acho melhor mudar de canal.". No texto, "porre" significa embriaguez (sentido literal). Na frase citada, "porre" significa algo chato, entediante (sentido figurado). São sentidos diferentes. A alternativa contradiz o sentido do texto ao igualar os dois usos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "perrengue" é uma variante linguística histórica, considerada um arcaísmo. No texto, "perrengue" é usado com o sentido de dificuldade, aperto, situação complicada, como se vê em "O que separa um amigo coletivo de um amigo pessoal, muitas vezes, é um perrengue.". Não há qualquer indicação de que seja um arcaísmo. A alternativa extrapola ao inventar uma classificação histórica que o texto não sustenta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que "na hora do rush" é, no Brasil, uma variante de "horário de pico" ou "horário de pique". Isso é correto. A expressão "rush" (do inglês) é usada no português brasileiro para designar o horário de maior movimento, especialmente no trânsito. "Horário de pico" e "horário de pique" são sinônimos. O texto usa a expressão em "Mas pode ser uma carona — de preferência daquelas demoradas, na hora do rush.", e o sentido é exatamente esse. A alternativa está ancorada no texto e no conhecimento da língua.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "mano a mano" veicula o sentido de "briga física em que se usam as mãos". No texto, "mano a mano" é usado com o sentido de relação direta, individual, frente a frente, como se vê em "Alguns amigos da vida toda nunca ficaram no mano a mano.". O sentido é de confronto direto entre duas pessoas, mas não necessariamente físico. A alternativa restringe o sentido da expressão, atribuindo-lhe um significado mais específico que o texto não autoriza.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões sobre o sentido de expressões, sempre volte ao texto e verifique se o sentido atribuído na alternativa é compatível com o contexto. Desconfie de alternativas que atribuem sentidos muito específicos ou que extrapolam o que está escrito.

Gabarito: letra D.

Link permanente: /questoes/qa395556