Questão de Português — Geral — INSTITUTO AOCP 2026
Português›Geral
Código
qa395560
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE GO
Ano
2026
Cargo
Estag ( )
Boas amizades mudam o jeito que você vê o mundo e seu reflexo
Melhores amigos ‘perdem’ os limites do ‘eu próprio’ e englobam características e sentimentos da outra pessoa
Redação Galileu
Mais que amigos, friends: novo estudo sugere que suas amizades moldam, literalmente, a maneira como você enxerga o mundo e até seu próprio reflexo (!). Não é à toa que você guarda ressentimentos indiretos contra pessoas que, de outra forma, não teria motivos para não gostar.
Publicada no Journal of Social and Personal Relationships, a pesquisa realizou testes de imagens com participantes voluntários. Em um momento, os cientistas pediram que eles indicassem se a foto de um rosto que aparecia em uma tela pertencia a eles mesmos ou a outra pessoa.
De acordo com o relatório, os participantes demoraram mais tempo para distinguir sua própria imagem do que a de um amigo ou a de uma celebridade.
Para os pesquisadores, reconhecer um amigo como uma pessoa que não é você mesmo parece consumir energia extra da mente — seria um processo, e não somente uma reação intuitiva de parar, olhar para seu colega e pensar: “ah sim, é outra pessoa”.
O estudo não foi muito extenso, mas sugere que uma amizade próxima representa não só uma conexão entre, pelo menos, dois indivíduos, mas também a indefinição dos limites entre dois “eus”.
Outra pesquisa de 2013 descobriu que o cérebro reage da mesma maneira a uma ameaça contra um amigo como se fosse você que estivesse recebendo o sinal de perigo. Análises anteriores também apontaram que bons amigos agem como um “Google” para as histórias de vida um do outro, no fenômeno chamado “memória transacionada”. Isso significa que você contou tantas coisas ao seu amigo que não precisa se esforçar para lembrar de algo, pois confia que a outra pessoa irá saber de algum fato se você precisar.
Segundo o portal The Cut, psicólogos nomeiam de “auto-expansão” a ideia de que, à medida que uma amizade se aprofunda, seu senso de si cresce, chegando a abranger parte do outro indivíduo dentro de si próprio. Ou seja, você envolve seus amigos no âmago da sua personalidade, até no mais básico sentimento.
Assinale a alternativa em que o “se” destacado cumpre a mesma função que o “que” em “[...] novo estudo sugere que suas amizades moldam, literalmente, a maneira como você enxerga [...]”.
A“[...] psicólogos nomeiam de ‘auto-expansão’ a ideia de que, à medida que uma amizade se aprofunda, seu senso de si cresce [...]”.
B“[...] o cérebro reage da mesma maneira a uma ameaça contra um amigo como se fosse você que estivesse recebendo o sinal de perigo.”.
C“[...] os cientistas pediram que eles indicassem se a foto de um rosto que aparecia em uma tela pertencia a eles mesmos ou a outra pessoa.”.
D“Isso significa que você contou tantas coisas ao seu amigo que não precisa se esforçar para lembrar de algo [...]”.
E“[...] não precisa se esforçar para lembrar de algo, pois confia que a outra pessoa irá saber de algum fato se você precisar.”.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — “[...] os cientistas pediram que eles indicassem se a foto de um rosto que aparecia em uma tela pertencia a eles mesmos ou a outra pessoa.”.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Função do "se" e do "que": conjunção integrante
Gabarito: letra C. A alternativa correta é a única em que o "se" exerce a mesma função sintática que o "que" destacado no enunciado: ambos são conjunções integrantes, ou seja, introduzem uma oração subordinada substantiva objetiva direta (complemento verbal). No trecho do enunciado, "que suas amizades moldam..." completa o verbo "sugere" (quem sugere, sugere algo); na alternativa C, "se a foto... pertencia a eles mesmos" completa o verbo "indicassem" (quem indica, indica algo). As demais alternativas usam "se" com outras funções: pronome reflexivo, conjunção condicional, conjunção integrante com valor de "que" em oração subjetiva, e partícula apassivadora.
O comando
A questão pede uma comparação de funções sintáticas: identificar em qual alternativa o "se" destacado cumpre a mesma função que o "que" destacado no trecho do enunciado. Isso é uma questão de análise sintática contextual — não basta saber a classe da palavra; é preciso ver qual papel ela desempenha na oração em que aparece. O comando "cumpre a mesma função" exige que você compare a estrutura sintática de cada ocorrência, não o sentido isolado.
O texto
O texto fala sobre como amizades próximas moldam a percepção de si e do mundo. O trecho destacado no enunciado está no segundo parágrafo: "novo estudo sugere que suas amizades moldam, literalmente, a maneira como você enxerga o mundo". Aqui, o "que" é uma conjunção integrante — ele introduz uma oração que funciona como objeto direto do verbo "sugere". A oração "que suas amizades moldam..." responde à pergunta "o que o estudo sugere?", ou seja, é o complemento verbal.
A técnica: como identificar a função do "se"
O "se" pode assumir várias funções na língua portuguesa. As principais são:
Conjunção integrante: introduz uma oração subordinada substantiva (objetiva direta, subjetiva, etc.). Ex.: "Perguntei se ele viria." (complementa o verbo "perguntar")
Pronome reflexivo: indica que a ação recai sobre o próprio sujeito. Ex.: "Ele se feriu." (feriu a si mesmo)
Conjunção condicional: equivale a "caso", "desde que". Ex.: "Se chover, não sairei."
Partícula apassivadora: acompanha verbo transitivo direto na voz passiva sintética. Ex.: "Vendem-se casas." (casas são vendidas)
Índice de indeterminação do sujeito: com verbos intransitivos ou transitivos indiretos. Ex.: "Precisa-se de ajuda."
Para identificar a função, o método é substituir o "se" por um termo equivalente ou analisar a estrutura da oração:
Se o "se" puder ser trocado por "isso" ou "algo" e a oração funcionar como complemento, é conjunção integrante.
Se o "se" puder ser trocado por "a si mesmo", é pronome reflexivo.
Se o "se" puder ser trocado por "caso", é conjunção condicional.
Se o verbo estiver na voz passiva sintética (verbo transitivo direto + se), é partícula apassivadora.
Análise das alternativas
Funções do "se": Conjunção integrante (Introduz oração substantiva, Complemento verbal, Ex.: "Perguntei se ele viria"); Pronome reflexivo (Ação recai no sujeito, Troca por "a si mesmo", Ex.: "Ele se feriu"); Conjunção condicional (Equivale a "caso", Ex.: "Se chover, não saio"); Partícula apassivadora (Voz passiva sintética, Ex.: "Vendem-se casas"); Índice de indeterminação (Verbo intransitivo/TI, Ex.: "Precisa-se de ajuda")
Alternativa A — ❌ Incorreta
"[...] psicólogos nomeiam de 'auto-expansão' a ideia de que, à medida que uma amizade se aprofunda, seu senso de si cresce [...]"
Aqui, o "se" é pronome reflexivo: a amizade aprofunda a si mesma. Não é conjunção integrante. A oração "que uma amizade se aprofunda" é subordinada adverbial temporal (equivale a "quando uma amizade se aprofunda"), não substantiva. Erro: troca de função sintática — o "se" reflexivo não introduz complemento verbal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"[...] o cérebro reage da mesma maneira a uma ameaça contra um amigo como se fosse você que estivesse recebendo o sinal de perigo."
O "se" aqui é conjunção condicional (equivale a "caso"). A oração "se fosse você" expressa uma condição hipotética. Não é conjunção integrante. Erro: troca de função sintática — o "se" condicional não introduz complemento verbal.
Alternativa C — ✅ Correta
"[...] os cientistas pediram que eles indicassem se a foto de um rosto que aparecia em uma tela pertencia a eles mesmos ou a outra pessoa."
O "se" destacado é conjunção integrante: introduz a oração "se a foto... pertencia a eles mesmos ou a outra pessoa", que funciona como objeto direto do verbo "indicassem" (quem indica, indica algo). Exatamente a mesma função do "que" no enunciado, que introduz a oração "que suas amizades moldam...", objeto direto de "sugere". Correta: mesma função sintática.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Isso significa que você contou tantas coisas ao seu amigo que não precisa se esforçar para lembrar de algo [...]"
O "se" destacado é pronome reflexivo: "esforçar a si mesmo". Não é conjunção integrante. Erro: troca de função sintática — o "se" reflexivo não introduz complemento verbal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"[...] pois confia que a outra pessoa irá saber de algum fato se você precisar."
O "se" destacado é conjunção condicional (equivale a "caso"). A oração "se você precisar" expressa condição. Não é conjunção integrante. Erro: troca de função sintática — o "se" condicional não introduz complemento verbal.
Conclusão
A única alternativa em que o "se" exerce a mesma função do "que" do enunciado é a letra C, pois ambos são conjunções integrantes que introduzem orações subordinadas substantivas objetivas diretas. As demais usam "se" como pronome reflexivo (A e D) ou conjunção condicional (B e E).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os usos do "se": conjunção integrante, pronome reflexivo, conjunção condicional e partícula apassivadora. O candidato que não analisa a função sintática no contexto tende a marcar a alternativa que usa "se" como condicional (letra A) ou reflexivo (letra E).
PEGA ESSA DICA!
Para identificar a função do "se", substitua-o por um termo equivalente: "a si mesmo" (reflexivo), "caso" (condicional), "isso" (integrante). Se a oração funcionar como complemento do verbo, é conjunção integrante.