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Questão de Português — Geral — INSTITUTO AOCP 2026

PortuguêsGeral
Código
qa395561
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
MPE GO
Ano
2026
Cargo
Estag ( )

Boas amizades mudam o jeito que você vê o mundo e seu reflexo

 

Melhores amigos ‘perdem’ os limites do ‘eu próprio’ e englobam características e sentimentos da outra pessoa

 

Redação Galileu

 

Mais que amigos, friends: novo estudo sugere que suas amizades moldam, literalmente, a maneira como você enxerga o mundo e até seu próprio reflexo (!). Não é à toa que você guarda ressentimentos indiretos contra pessoas que, de outra forma, não teria motivos para não gostar.

 

Publicada no Journal of Social and Personal Relationships, a pesquisa realizou testes de imagens com participantes voluntários. Em um momento, os cientistas pediram que eles indicassem se a foto de um rosto que aparecia em uma tela pertencia a eles mesmos ou a outra pessoa.

 

De acordo com o relatório, os participantes demoraram mais tempo para distinguir sua própria imagem do que a de um amigo ou a de uma celebridade.

 

Para os pesquisadores, reconhecer um amigo como uma pessoa que não é você mesmo parece consumir energia extra da mente — seria um processo, e não somente uma reação intuitiva de parar, olhar para seu colega e pensar: “ah sim, é outra pessoa”.

 

O estudo não foi muito extenso, mas sugere que uma amizade próxima representa não só uma conexão entre, pelo menos, dois indivíduos, mas também a indefinição dos limites entre dois “eus”.

 

Outra pesquisa de 2013 descobriu que o cérebro reage da mesma maneira a uma ameaça contra um amigo como se fosse você que estivesse recebendo o sinal de perigo. Análises anteriores também apontaram que bons amigos agem como um “Google” para as histórias de vida um do outro, no fenômeno chamado “memória transacionada”. Isso significa que você contou tantas coisas ao seu amigo que não precisa se esforçar para lembrar de algo, pois confia que a outra pessoa irá saber de algum fato se você precisar.

 

Segundo o portal The Cut, psicólogos nomeiam de “auto-expansão” a ideia de que, à medida que uma amizade se aprofunda, seu senso de si cresce, chegando a abranger parte do outro indivíduo dentro de si próprio. Ou seja, você envolve seus amigos no âmago da sua personalidade, até no mais básico sentimento.

 

Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2018/08/boas-amizades-mudam-o-jeito-que-voce-ve-o-mundo-e-seu-reflexo.html. Acesso em: 17 jun. 2026.

A partir da leitura do texto, é correto afirmar que
  1. Aa primeira pesquisa mencionada no texto foi realizada a partir de questionários em que se perguntava aos participantes quanto tempo eles demoravam para reconhecer seus amigos.
  2. Ba primeira pesquisa mencionada no texto concluiu que as pessoas sentem mais empatia por seus amigos, o que faz com que mesclem suas identidades às deles.
  3. Ca segunda pesquisa mencionada no texto demonstra que as pessoas tendem a proteger seus amigos contra uma ameaça, visto que o cérebro prioriza a manutenção da amizade.
  4. Do fenômeno chamado de “memória transacionada” ocorre quando duas pessoas partilham experiências juntas, o que faz com que ambas possuam as mesmas lembranças.
  5. Etanto o que os psicólogos nomeiam de “auto-expansão” quanto as pesquisas mencionadas no texto apontam para a ausência de uma fronteira rígida entre o “eu” e o “outro”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — tanto o que os psicólogos nomeiam de “auto-expansão” quanto as pesquisas mencionadas no texto apontam para a ausência de uma fronteira rígida entre o “eu” e o “outro”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão global: a fusão entre o “eu” e o “outro” nas amizades

Gabarito: letra E. A alternativa correta é a única que sintetiza com fidelidade a tese central do texto: tanto a “auto-expansão” quanto as pesquisas apontam para a ausência de uma fronteira rígida entre o “eu” e o “outro”. Isso está explícito no trecho final, em que se lê que a amizade próxima representa “a indefinição dos limites entre dois ‘eus’”, e no parágrafo sobre a “auto-expansão”, que afirma que o senso de si “chega a abranger parte do outro indivíduo dentro de si próprio”. As demais alternativas ou extrapolam o que o texto diz, ou contradizem dados apresentados.

O comando pede uma afirmação correta a partir da leitura do texto — ou seja, uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções que ultrapassem as pistas textuais. É uma questão de compreensão, não de inferência livre: a resposta deve estar ancorada em passagens concretas, e qualquer alternativa que acrescente informação de fora do texto deve ser descartada.

O texto tem uma tese clara: as amizades próximas dissolvem os limites entre o eu e o outro. Isso é construído por meio de três evidências: (1) a pesquisa que mostra a dificuldade de distinguir o próprio rosto do de um amigo; (2) a pesquisa de 2013 sobre a reação cerebral a ameaças contra amigos; (3) o conceito de “memória transacionada” e, por fim, o de “auto-expansão”. A alternativa E é a única que abrange todas essas ideias de forma coerente, sem acrescentar nada que o texto não diga.

A armadilha central da banca é a extrapolação: várias alternativas parecem plausíveis, mas introduzem noções que o texto não sustenta. Por exemplo, a alternativa C fala em “proteger” amigos, mas o texto apenas diz que o cérebro reage “da mesma maneira” a uma ameaça contra um amigo — não afirma que as pessoas tendem a proteger ativamente. A alternativa B fala em “empatia”, termo que não aparece no texto, e a alternativa D distorce o conceito de “memória transacionada”, que não é sobre partilhar experiências, mas sobre confiar que o amigo lembrará de algo por você.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro no mundo real, mas ausente do texto. A alternativa C, por exemplo, soa razoável — afinal, é natural proteger amigos —, mas o texto não diz isso. Sempre confronte cada alternativa com o trecho exato que a sustentaria.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a primeira pesquisa foi realizada “a partir de questionários em que se perguntava aos participantes quanto tempo eles demoravam para reconhecer seus amigos”. O texto, porém, descreve outra metodologia: “a pesquisa realizou testes de imagens com participantes voluntários”, e os cientistas pediram que indicassem se a foto de um rosto pertencia a eles ou a outra pessoa. Não há menção a questionários nem a perguntas sobre tempo de reconhecimento. Erro: contradiz o texto (troca a metodologia descrita).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a primeira pesquisa “concluiu que as pessoas sentem mais empatia por seus amigos, o que faz com que mesclem suas identidades às deles”. O texto não menciona empatia em nenhum momento; ele fala em “indefinição dos limites entre dois ‘eus’”, mas não atribui isso a um sentimento de empatia. Além disso, a pesquisa não “concluiu” isso — ela apenas “sugere” essa indefinição. Erro: acrescenta opinião (introduz o conceito de empatia, ausente do texto) e restringe (transforma uma sugestão em conclusão).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a segunda pesquisa “demonstra que as pessoas tendem a proteger seus amigos contra uma ameaça, visto que o cérebro prioriza a manutenção da amizade”. O texto diz apenas que “o cérebro reage da mesma maneira a uma ameaça contra um amigo como se fosse você que estivesse recebendo o sinal de perigo”. Não há menção a “proteger” nem a “priorizar a manutenção da amizade”. Erro: extrapola (acrescenta a ideia de proteção ativa e de prioridade, que não estão no texto).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa define “memória transacionada” como “quando duas pessoas partilham experiências juntas, o que faz com que ambas possuam as mesmas lembranças”. O texto, porém, explica o fenômeno de outra forma: “você contou tantas coisas ao seu amigo que não precisa se esforçar para lembrar de algo, pois confia que a outra pessoa irá saber de algum fato se você precisar”. Ou seja, não é sobre partilhar experiências nem ter as mesmas lembranças, mas sobre delegar a memória ao amigo. Erro: troca conceito (distorce o significado do termo).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa sintetiza a tese central do texto: “tanto o que os psicólogos nomeiam de ‘auto-expansão’ quanto as pesquisas mencionadas no texto apontam para a ausência de uma fronteira rígida entre o ‘eu’ e o ‘outro’”. Isso está ancorado em duas passagens:

“uma amizade próxima representa não só uma conexão entre, pelo menos, dois indivíduos, mas também a indefinição dos limites entre dois ‘eus’.”

“à medida que uma amizade se aprofunda, seu senso de si cresce, chegando a abranger parte do outro indivíduo dentro de si próprio.”

A alternativa não acrescenta nada de fora; ela apenas parafraseia o que o texto afirma. É a única inteiramente sustentada pelo texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, teste cada alternativa perguntando: “o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?”. Se a alternativa usa palavras como “empatia”, “proteger” ou “partilhar experiências” sem que o texto as mencione, é sinal de extrapolação.

Gabarito: letra E.

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