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Questão de Português — Geral — Quadrix 2026

PortuguêsGeral
Código
qa395563
Banca
Quadrix
Órgão
CREFONO 2
Ano
2026
Cargo
Ana Fis ( )
Conselhos de fiscalização profissional e proteção da sociedade

        As profissões são necessárias ao desenvolvimento de uma sociedade, razão pela qual a Constituição Federal aponta o valor social do trabalho e da livre iniciativa como um dos fundamentos da República. Elas têm repercussão social, por isso é necessário proteger a coletividade. É nesse contexto em que os conselhos de fiscalização profissional se destacam como entidades que regulamentam, normatizam e fiscalizam o exercício da profissão em prol da sociedade.

        Embora a Constituição Federal tenha outorgado à União a competência para legislar e fiscalizar o exercício profissional, em determinadas profissões essa função foi delegada aos denominados conselhos de fiscalização profissional. Como entidades não integrantes da administração pública, os conselhos de fiscalização profissional têm autonomia financeira e administrativa, não recebem subvenções ou repasses financeiros da União e tampouco estão submetidos à supervisão ministerial.

        Dada a sua natureza autárquica, os conselhos têm personalidade jurídica de direito público e se submetem aos ditames constitucionais. Os conselhos de fiscalização profissional, portanto, estão submetidos ao sistema de concurso público, são obrigados à realização de processo licitatório e seus atos são controlados e fiscalizados pelo TCU.

        Os conselhos de fiscalização profissional têm papel fundamental na proteção à saúde, à vida, ao bem‑estar, à segurança e à liberdade da população e só podem cumprir essas funções a partir de seu reconhecimento como pessoas jurídicas de direito público. Para o pleno exercício de suas funções, os atos emanados dos conselhos de fiscalização profissional devem ter discricionariedade, coercibilidade e autoexecutoriedade a fim de que se imponham restrições aos direitos individuais dos profissionais em favor dos interesses maiores da coletividade. Portanto, cabe à população e aos profissionais entender e defender o papel fundamental dos conselhos de fiscalização profissional na defesa dos interesses coletivos.


Internet: <cremers.org.br>  (com adaptações).

Texto para o item.

   

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.

 

Quanto à tipologia textual, o fragmento “Portanto, cabe à população e aos profissionais entender e defender o papel fundamental dos conselhos de fiscalização profissional na defesa dos interesses coletivos.” caracteriza‑se como predominantemente injuntivo, uma vez que a sua estrutura tem o objetivo principal de instruir e ordenar o comportamento da população e dos profissionais.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: injuntivo × argumentativo no fragmento final

Gabarito: E (Errado). O fragmento “Portanto, cabe à população e aos profissionais entender e defender o papel fundamental dos conselhos de fiscalização profissional na defesa dos interesses coletivos” não é predominantemente injuntivo, pois não tem o objetivo de instruir ou ordenar; ele conclui a argumentação do texto, sintetizando a tese e convocando o leitor a uma reflexão. A tipologia predominante do trecho é argumentativa, como se comprova pelo conectivo conclusivo “Portanto” e pela estrutura de fechamento do raciocínio desenvolvido ao longo do texto.

O comando pede que se julgue a classificação tipológica do fragmento. Isso é uma questão de conceito (tipologia textual), não de mera compreensão literal. Para resolvê-la, é preciso saber distinguir o que caracteriza um texto injuntivo (instruir, ordenar, comandar) do que caracteriza um texto argumentativo (defender uma tese, persuadir, concluir). O erro da assertiva está em confundir a intenção de convencer com a intenção de instruir.

O texto como um todo é dissertativo-argumentativo: apresenta uma tese (os conselhos de fiscalização profissional são fundamentais para a proteção da sociedade), desenvolve argumentos (natureza autárquica, submissão ao concurso público, controle pelo TCU) e conclui com um apelo. O fragmento final é a conclusão desse raciocínio, não uma instrução. Veja o trecho:

“Portanto, cabe à população e aos profissionais entender e defender o papel fundamental dos conselhos de fiscalização profissional na defesa dos interesses coletivos.”

A palavra “Portanto” é a chave: ela é um conectivo conclusivo, típico da argumentação, que introduz a síntese do que foi defendido. O verbo “cabe” expressa uma conveniência/dever moral, não uma ordem direta. Não há imperativo (“façam”, “defendam”), não há sequência de passos, não há orientação de como realizar uma tarefa — elementos essenciais do texto injuntivo.

O texto injuntivo, por definição, tem o objetivo de instruir o leitor sobre como realizar uma ação, usando verbos no imperativo, sequência lógica de etapas e linguagem clara e objetiva. Exemplos: bulas, manuais, receitas. Nada disso está presente no fragmento. O que há é um apelo à reflexão e à defesa de uma causa, típico do fechamento argumentativo.

A banca montou a pegadinha explorando a aparência de “ordem” que o verbo “cabe” pode sugerir. Mas “cabe a alguém fazer algo” não é uma ordem; é uma constatação de responsabilidade ou dever, inserida em um contexto de defesa de uma tese. O autor não está dizendo “faça isso agora”, mas “é papel de vocês entender e defender”.

Tipologia textual
  • 1Injuntivo
    • Instruir/ordenar
    • Verbo no imperativo
    • Sequência de passos
    • Ex.: bula, manual, receita
  • 2Argumentativo
    • Defender tese/persuadir
    • Concluir raciocínio
    • Conectivos conclusivos ("Portanto")
    • Ex.: dissertação, artigo de opinião
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Item — ❌ Errado

A assertiva afirma que o fragmento é “predominantemente injuntivo, uma vez que a sua estrutura tem o objetivo principal de instruir e ordenar o comportamento”. Isso é falso por três razões:

  1. Não há imperativo: o verbo “cabe” está no presente do indicativo, não no modo imperativo. Não há comando direto.

  2. Não há sequência de instruções: o trecho não apresenta passos, etapas ou orientações de como fazer algo.

  3. Há conectivo conclusivo: “Portanto” sinaliza que o trecho é a conclusão de uma argumentação, não uma instrução.

O fragmento é, na verdade, a conclusão do texto dissertativo-argumentativo, que reafirma a tese e convoca o leitor a uma postura. A tipologia predominante é argumentativa, não injuntiva.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa impressão de que “cabe à população... defender” seria uma ordem. Mas o verbo “cabe” + o conectivo “Portanto” revelam que o trecho é uma conclusão argumentativa, não uma instrução. O erro é de troca de conceito (injuntivo × argumentativo).

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a tipologia, pergunte: “qual é o objetivo do autor com este trecho?” Se for instruir como fazer algo → injuntivo. Se for convencer, defender uma tese, concluir um raciocínio → argumentativo. A presença de conectivos conclusivos (“portanto”, “logo”, “assim”) é um forte indício de argumentação.

Conclusão: o item está errado porque classifica como injuntivo um trecho que é, na verdade, a conclusão de um texto argumentativo. A resposta correta é E (Errado).

Gabarito: letra E

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