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Questão de Português — Geral — FUNDATEC 2026

PortuguêsGeral
Código
qa395640
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Morro Reuter
Ano
2026
Cargo
AEEIEF (M. Reuter)

A importância do brincar

 

Por Thaís Paiva

 

Você já deve ter ouvido falar que brincar não é apenas um passatempo, mas uma atividade essencial para o desenvolvimento e __ aprendizagem das crianças. É por meio dessa interação que elas se expressam e se comunicam, elaboram emoções e experiências e exploram e compreendem o mundo ao seu redor.

 

Esse entendimento também alicer....a a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O documento coloca as interações e brincadeiras como o eixo estruturante das práticas pedagógicas na Educação Infantil e o brincar como um dos seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento dessa etapa.

 

“Falar de brincar é falar de uma linguagem e de um direito próprios da infância”, resume Kelly Cristina dos Santos, coordenadora pedagógica de Educação Infantil e formadora de professores. Segundo ela, por essas razões, as escolas devem garantir tempos, espaços e condições para que toda criança possa brincar livremente, com respeito __ suas culturas, aos seus ritmos e modos de ser.

 

A pedagoga e psicóloga Diana Mouta elucida ainda o que está por trá.... da defesa do aspecto pedagógico do brincar. “É essa atividade que favorece o encontro com o outro, consigo mesmo, com o mundo e com o imaginário, principalmente no caso do brincar livre”. Diana também é integrante do ConectaLab, que desenvolve estudos a fim de investigar os processos cognitivos, comportamentais e socioemocionais no contexto educacional e seus impactos no desenvolvimento humano.

 

Se o reconhecimento do brincar como parte fundamental do desenvolvimento infantil é hoje um con....enso garantido pelos documentos oficiais que norteiam as diretrizes educacionais, isso é resultado de uma perspectiva teórica que se fortaleceu especialmente a partir do final do século 19 e ao longo do século 20.

 

Nomes hoje bastante conhecidos, como o psicólogo suíço Jean Piaget (1896–1980) e o russo Lev Vygotsky (1896–1934), consolidaram teorias sobre o desenvolvimento infantil pautadas na importância do brincar. Piaget mostrou, por exemplo, que o brincar é fundamental no processo de desenvolvimento cognitivo e abordou o papel do jogo simbólico na construção do pensamento infantil.

 

Vygotsky, por sua vez, trouxe uma visão sociocultural, argumentando que a brincadeira é uma forma de a criança interiorizar a linguagem e normas e papéis sociais. “Para ele, a brincadeira é fonte do desenvolvimento humano e cria a ‘zona de desenvolvimento proximal’ [espaço entre o que a criança já sabe e o que ainda não sabe, mas pode aprender], movida pela própria atividade do brincar”, explica Diana.

 

De lá para cá, inúmeros pensadores – entre pedagogos, psicólogos e educadores que estudaram a infância e os processos de aprendizagem – deixaram contribuições que moldaram __ compreensão moderna de que brincar é mais do que entretenimento, é uma linguagem, um direito e uma potente ferramenta de desenvolvimento humano.

 

(Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/22160/pensadores-educacao-e-o-brincar – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta o sentido correto da locução conjuntiva “não é apenas ... mas ...” no trecho a seguir, retirado do texto.   “Você já deve ter ouvido falar que brincar não é apenas um passatempo, mas uma atividade essencial para o desenvolvimento”.
  1. AAdição de ideias com relação de complementaridade.
  2. BIntrodução de uma ideia de sentido contrário à anterior.
  3. CApresentação da conclusão do que foi expresso anteriormente.
  4. DIntrodução da causa do que foi expresso anteriormente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Adição de ideias com relação de complementaridade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor semântico de “não é apenas ... mas ...” — Gabarito: letra A.

Gabarito: letra A. A locução “não é apenas ... mas ...” estabelece adição de ideias com relação de complementaridade: o segundo termo complementa o primeiro, acrescentando uma qualidade que se soma à anterior, e não a contradiz. No trecho, “brincar não é apenas um passatempo, mas uma atividade essencial” — as duas ideias se somam: brincar é passatempo e é atividade essencial. A banca explora a confusão com o “mas” adversativo isolado, mas aqui o “mas” integra uma locução correlativa aditiva.

O comando

A questão pede o sentido da locução conjuntiva — ou seja, a relação semântica que o conectivo estabelece entre as orações. Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer o valor do conectivo no contexto. A palavra-chave é “locução conjuntiva”: um conjunto de palavras que funciona como uma conjunção. Aqui, “não apenas ... mas” é uma locução correlativa — as duas partes atuam juntas.

A técnica que decide

A locução “não apenas ... mas (também)” é uma conjunção coordenativa aditiva, equivalente a “não só ... mas também”. Ela adiciona uma informação à anterior, com um matiz de complementaridade: o segundo elemento completa o primeiro, como se dissesse “além de X, também Y”. Veja o trecho:

“brincar não é apenas um passatempo, mas uma atividade essencial para o desenvolvimento”

A leitura correta é: brincar é passatempo e também é atividade essencial. As duas ideias coexistem — não há oposição entre elas. O “mas” aqui não é o adversativo clássico (que introduz quebra de expectativa), mas parte de uma estrutura correlativa aditiva. Compare:

Estrutura

Valor

Exemplo

“mas” isolado

Adversativo (oposição)

“Estudou, mas não passou.”

“não apenas ... mas”

Aditivo (soma)

“Não apenas estudou, mas também passou.”

Alternativa A — ✅ Correta

A locução “não é apenas ... mas ...” expressa adição de ideias com relação de complementaridade. O segundo membro acrescenta uma informação que se soma à primeira, sem negá-la. No trecho, “brincar não é apenas um passatempo, mas uma atividade essencial” — a segunda ideia complementa a primeira: brincar é passatempo e é atividade essencial. A relação é de soma, não de oposição. É exatamente o que a alternativa descreve.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há ideia de sentido contrário (oposição). Isso seria verdade se o “mas” fosse adversativo isolado, como em “é passatempo, mas não é essencial”. Porém, na locução correlativa “não apenas ... mas”, o segundo termo não contradiz o primeiro — ele o complementa. A banca explora a confusão entre o “mas” adversativo e o “mas” aditivo da locução. Erro: troca de conceito (adversativo × aditivo).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a locução introduz conclusão. Conclusão seria expressa por conectivos como “portanto”, “logo”, “assim”. No trecho, não há relação de conclusão: a segunda oração não é uma consequência da primeira, mas uma adição a ela. Erro: troca de conceito (conclusão × adição).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a locução introduz causa. Causa seria expressa por “porque”, “visto que”, “já que”. No trecho, “ser atividade essencial” não é causa de “ser passatempo” — são duas características que se somam. Erro: troca de conceito (causa × adição).

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na associação automática de “mas” com oposição. Mas, em “não apenas ... mas”, o “mas” é aditivo, equivalente a “mas também”.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver “não apenas/só ... mas (também)”, teste substituir por “e também”: se a frase continuar com o mesmo sentido, é adição, não oposição.

Gabarito: letra A.

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