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Questão de Português — Geral — FUNDATEC 2026

PortuguêsGeral
Código
qa395647
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Morro Reuter
Ano
2026
Cargo
AEEIEF (M. Reuter)

A importância do brincar

 

Por Thaís Paiva

 

Você já deve ter ouvido falar que brincar não é apenas um passatempo, mas uma atividade essencial para o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças. É por meio dessa interação que elas se expressam e se comunicam, elaboram emoções e experiências e exploram e compreendem o mundo ao seu redor.

 

Esse entendimento também alicerça a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O documento coloca as interações e brincadeiras como o eixo estruturante das práticas pedagógicas na Educação Infantil e o brincar como um dos seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento dessa etapa.

 

“Falar de brincar é falar de uma linguagem e de um direito próprios da infância”, resume Kelly Cristina dos Santos, coordenadora pedagógica de Educação Infantil e formadora de professores. Segundo ela, por essas razões, as escolas devem garantir tempos, espaços e condições para que toda criança possa brincar livremente, com respeito às suas culturas, aos seus ritmos e modos de ser.

 

A pedagoga e psicóloga Diana Mouta elucida ainda o que está por trás da defesa do aspecto pedagógico do brincar. “É essa atividade que favorece o encontro com o outro, consigo mesmo, com o mundo e com o imaginário, principalmente no caso do brincar livre”. Diana também é integrante do ConectaLab, que desenvolve estudos a fim de investigar os processos cognitivos, comportamentais e socioemocionais no contexto educacional e seus impactos no desenvolvimento humano.

 

Se o reconhecimento do brincar como parte fundamental do desenvolvimento infantil é hoje um consenso garantido pelos documentos oficiais que norteiam as diretrizes educacionais, isso é resultado de uma perspectiva teórica que se fortaleceu especialmente a partir do final do século 19 e ao longo do século 20.

 

Nomes hoje bastante conhecidos, como o psicólogo suíço Jean Piaget (1896–1980) e o russo Lev Vygotsky (1896–1934), consolidaram teorias sobre o desenvolvimento infantil pautadas na importância do brincar. Piaget mostrou, por exemplo, que o brincar é fundamental no processo de desenvolvimento cognitivo e abordou o papel do jogo simbólico na construção do pensamento infantil.

 

Vygotsky, por sua vez, trouxe uma visão sociocultural, argumentando que a brincadeira é uma forma de a criança interiorizar a linguagem e normas e papéis sociais. “Para ele, a brincadeira é fonte do desenvolvimento humano e cria a ‘zona de desenvolvimento proximal’ [espaço entre o que a criança já sabe e o que ainda não sabe, mas pode aprender], movida pela própria atividade do brincar”, explica Diana.

 

De lá para cá, inúmeros pensadores – entre pedagogos, psicólogos e educadores que estudaram a infância e os processos de aprendizagem – deixaram contribuições que moldaram a compreensão moderna de que brincar é mais do que entretenimento, é uma linguagem, um direito e uma potente ferramenta de desenvolvimento humano.

 

(Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/22160/pensadores-educacao-e-o-brincar – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego de recursos coesivos referenciais, analise as assertivas a seguir a respeito de trechos retirados do texto:

 

I. No trecho “Diana também é integrante do ConectaLab, que desenvolve estudos a fim de investigar os processos cognitivos”, o pronome relativo “que” tem como antecedente “Diana”.

 

II. O pronome “que” em “isso é resultado de uma perspectiva teórica que se fortaleceu especialmente a partir do final do século 19 e ao longo do século 20”, tem como antecedente o termo “perspectiva teórica”.

 

III. No trecho “espaço entre o que a criança já sabe e o que ainda não sabe, mas pode aprender”, o sujeito da forma verbal “pode aprender” é “a criança”.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I e II.
  2. BApenas I e III.
  3. CApenas II e III.
  4. DI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial e pronomes relativos — Gabarito: letra C.

Gabarito: letra C. Apenas as assertivas II e III estão corretas. A assertiva I erra ao afirmar que o pronome relativo “que” em “Diana também é integrante do ConectaLab, que desenvolve estudos” tem como antecedente “Diana” — na verdade, o antecedente é “ConectaLab”, como se lê no trecho: “Diana também é integrante do ConectaLab, que desenvolve estudos a fim de investigar os processos cognitivos”. A assertiva II está correta, pois o “que” em “uma perspectiva teórica que se fortaleceu” retoma “perspectiva teórica”. A assertiva III está correta, pois o sujeito de “pode aprender” é “a criança”, elíptico, retomado do trecho “o que a criança já sabe e o que ainda não sabe, mas pode aprender”.

O comando

A questão pede que você analise recursos coesivos referenciais — ou seja, como pronomes (especialmente o relativo “que”) retomam termos anteriores no texto. O verbo “analise” indica que você deve verificar a função referencial de cada pronome e a estrutura sintática da oração. Não se trata de interpretar o sentido global do texto, mas de aplicar conhecimentos de gramática em trechos específicos.

O texto

O texto defende a importância do brincar para o desenvolvimento infantil, citando a BNCC e teóricos como Piaget e Vygotsky. Para esta questão, o que importa são os trechos citados nas assertivas, que envolvem retomada por pronome relativo e sujeito de oração subordinada adjetiva.

A técnica

Coesão referencial é o mecanismo que evita repetições, retomando termos já mencionados (anáfora) ou anunciando termos que virão (catáfora). O pronome relativo “que” é um conectivo que introduz uma oração subordinada adjetiva e retoma um antecedente — o termo nominal que vem imediatamente antes (ou próximo) dele. Para identificar o antecedente, pergunte: “quem?” ou “o quê?” antes do verbo da oração adjetiva.

No item I, o trecho é: “Diana também é integrante do ConectaLab, que desenvolve estudos...”. O “que” retoma “ConectaLab”, pois é o ConectaLab que desenvolve estudos. A presença de “Diana” antes é uma armadilha: ela é o sujeito da oração principal, mas não o antecedente do pronome relativo. A vírgula antes de “que” indica oração adjetiva explicativa, mas isso não muda o antecedente.

No item II, o trecho é: “isso é resultado de uma perspectiva teórica que se fortaleceu...”. O “que” retoma “perspectiva teórica”, pois é a perspectiva que se fortaleceu. Aqui, o antecedente está claro e imediato.

No item III, o trecho é: “espaço entre o que a criança já sabe e o que ainda não sabe, mas pode aprender”. A oração “mas pode aprender” tem sujeito elíptico (oculto), que é “a criança”, retomado do trecho anterior “o que a criança já sabe”. O verbo “pode” está na 3ª pessoa do singular, concordando com “a criança”. A conjunção “mas” liga duas orações com o mesmo sujeito.

Análise das assertivas

Item I — ❌ Incorreta

O pronome relativo “que” em “Diana também é integrante do ConectaLab, que desenvolve estudos” tem como antecedente “ConectaLab”, não “Diana”. A oração “que desenvolve estudos” caracteriza o ConectaLab, não Diana. A assertiva troca o referente — erro clássico de coesão referencial.

Item II — ✅ Correta

O pronome “que” em “uma perspectiva teórica que se fortaleceu” retoma “perspectiva teórica”. A oração “que se fortaleceu” restringe ou explica qual perspectiva teórica é essa. O antecedente está imediato e inequívoco.

Item III — ✅ Correta

O sujeito de “pode aprender” é “a criança”, que aparece elíptico (oculto) na oração coordenada “mas pode aprender”. A forma verbal “pode” está na 3ª pessoa do singular, concordando com “a criança”, retomada do trecho “o que a criança já sabe”. A assertiva está correta.

Conclusão

Apenas os itens II e III estão corretos, portanto a resposta é a letra C. A pegadinha central está no item I: a banca coloca um nome próprio (Diana) antes do pronome relativo, mas o antecedente real é outro termo (ConectaLab). Para acertar, sempre pergunte ao verbo da oração adjetiva: “quem desenvolve estudos?” — a resposta é o antecedente.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o antecedente de um pronome relativo, ignore os termos que vêm antes e foque no termo nominal imediatamente anterior (ou no mais próximo que faça sentido com o verbo). Desconfie de nomes próprios que aparecem como “isca”.

Gabarito: letra C

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