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Questão de Português — Geral — FUNDATEC 2026

PortuguêsGeral
Código
qa395648
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Morro Reuter
Ano
2026
Cargo
AEEIEF (M. Reuter)

A importância do brincar

 

Por Thaís Paiva

 

Você já deve ter ouvido falar que brincar não é apenas um passatempo, mas uma atividade essencial para o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças. É por meio dessa interação que elas se expressam e se comunicam, elaboram emoções e experiências e exploram e compreendem o mundo ao seu redor.

 

Esse entendimento também alicerça a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O documento coloca as interações e brincadeiras como o eixo estruturante das práticas pedagógicas na Educação Infantil e o brincar como um dos seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento dessa etapa.

 

“Falar de brincar é falar de uma linguagem e de um direito próprios da infância”, resume Kelly Cristina dos Santos, coordenadora pedagógica de Educação Infantil e formadora de professores. Segundo ela, por essas razões, as escolas devem garantir tempos, espaços e condições para que toda criança possa brincar livremente, com respeito às suas culturas, aos seus ritmos e modos de ser.

 

A pedagoga e psicóloga Diana Mouta elucida ainda o que está por trás da defesa do aspecto pedagógico do brincar. “É essa atividade que favorece o encontro com o outro, consigo mesmo, com o mundo e com o imaginário, principalmente no caso do brincar livre”. Diana também é integrante do ConectaLab, que desenvolve estudos a fim de investigar os processos cognitivos, comportamentais e socioemocionais no contexto educacional e seus impactos no desenvolvimento humano.

 

Se o reconhecimento do brincar como parte fundamental do desenvolvimento infantil é hoje um consenso garantido pelos documentos oficiais que norteiam as diretrizes educacionais, isso é resultado de uma perspectiva teórica que se fortaleceu especialmente a partir do final do século 19 e ao longo do século 20.

 

Nomes hoje bastante conhecidos, como o psicólogo suíço Jean Piaget (1896–1980) e o russo Lev Vygotsky (1896–1934), consolidaram teorias sobre o desenvolvimento infantil pautadas na importância do brincar. Piaget mostrou, por exemplo, que o brincar é fundamental no processo de desenvolvimento cognitivo e abordou o papel do jogo simbólico na construção do pensamento infantil.

 

Vygotsky, por sua vez, trouxe uma visão sociocultural, argumentando que a brincadeira é uma forma de a criança interiorizar a linguagem e normas e papéis sociais. “Para ele, a brincadeira é fonte do desenvolvimento humano e cria a ‘zona de desenvolvimento proximal’ [espaço entre o que a criança já sabe e o que ainda não sabe, mas pode aprender], movida pela própria atividade do brincar”, explica Diana.

 

De lá para cá, inúmeros pensadores – entre pedagogos, psicólogos e educadores que estudaram a infância e os processos de aprendizagem – deixaram contribuições que moldaram a compreensão moderna de que brincar é mais do que entretenimento, é uma linguagem, um direito e uma potente ferramenta de desenvolvimento humano.

 

(Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/22160/pensadores-educacao-e-o-brincar – texto adaptado especialmente para esta prova).

No trecho a seguir, retirado do texto, a locução conjuntiva “para que” introduz a ideia de ____, podendo ser substituída por ______, _______ necessárias alterações para que se mantenha a correção do período.   “as escolas devem garantir tempos, espaços e condições para que toda criança possa brincar livremente”.   Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
  1. Afinalidade – a fim de que – não sendo
  2. Bfinalidade – uma vez que – sendo
  3. Ccausa – uma vez que – não sendo
  4. Dcausa – a fim de que – sendo
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — finalidade – a fim de que – não sendo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Locução conjuntiva “para que”: finalidade e substituição — Gabarito: letra A.

A locução “para que” introduz ideia de finalidade (a oração indica o objetivo da ação de garantir), podendo ser substituída por “a fim de que”, não sendo necessárias alterações para manter a correção do período. A resposta está ancorada no trecho: “as escolas devem garantir tempos, espaços e condições para que toda criança possa brincar livremente” — a escola garante algo com o propósito de a criança brincar; logo, relação de finalidade, e não de causa.

O comando

A questão pede que você preencha três lacunas: (1) a ideia que a locução introduz; (2) a locução substituta equivalente; (3) se a troca exige alterações no período. Isso é uma questão de semântica das conjunções e de reescritura sem perda de sentido — não é interpretação de texto, é gramática aplicada ao trecho. O verbo “introduz” indica que você deve identificar a relação de sentido que o conectivo estabelece entre as orações.

O texto e a relação de sentido

No trecho, há duas orações: “as escolas devem garantir tempos, espaços e condições” (principal) e “toda criança possa brincar livremente” (subordinada). A pergunta-chave é: por que as escolas devem garantir isso? A resposta é: para que a criança brinque — ou seja, a segunda oração expressa o objetivo, a finalidade da primeira. Não é uma causa (não é “porque a criança brinca que as escolas garantem”), é um propósito.

“as escolas devem garantir tempos, espaços e condições para que toda criança possa brincar livremente”

A locução “para que” é uma locução conjuntiva final — equivale a “a fim de que”, “com o intuito de que”, “com o objetivo de que”. A substituição por “a fim de que” mantém o sentido e a correção gramatical, pois ambas são locuções conjuntivas que introduzem orações subordinadas adverbiais finais, com o verbo no modo subjuntivo (no caso, “possa”).

A técnica que decide

Para acertar, você precisa dominar duas distinções:

  1. Finalidade × causa: a finalidade responde à pergunta “para quê?” (objetivo); a causa responde a “por quê?” (motivo). No trecho, a escola garante condições para que a criança brinque — é um objetivo, não um motivo. Se fosse causa, seria algo como “as escolas devem garantir condições porque a criança brinca”.

  1. Locuções equivalentes: “a fim de que” é a locução final por excelência; “uma vez que” é causal (equivale a “já que”, “porque”). Portanto, a substituição correta é por “a fim de que”, e não por “uma vez que”.

  1. Correção gramatical: como “para que” e “a fim de que” têm a mesma regência e o mesmo modo verbal (subjuntivo), a troca não exige alterações no período. Já “uma vez que” exigiria mudanças, pois introduziria uma relação causal e poderia alterar o sentido.

Análise das alternativas

  1. 1Identificar a relação: finalidade ou causa?
  2. 2Perguntar: 'para quê?' = finalidade
  3. 3Substituir por 'a fim de que'
  4. 4Verificar: troca exige alterações?
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A preenche corretamente as lacunas: finalidade – a fim de que – não sendo. A locução “para que” expressa finalidade, e a substituição por “a fim de que” mantém o sentido e a correção, não sendo necessárias alterações. Isso está provado no trecho: a escola garante condições com o objetivo de a criança brincar.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B erra ao indicar “uma vez que” como substituta. “Uma vez que” é locução causal (equivale a “já que”), não final. Se substituíssemos, o sentido mudaria: “as escolas devem garantir condições já que toda criança possa brincar” — além de semanticamente estranho, exigiria ajustes no verbo. Portanto, erro de troca de conceito: confunde finalidade com causa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C erra ao classificar a locução como causa. No trecho, a relação é de finalidade, não de causa. Além disso, indica “uma vez que” como substituta, o que reforça o erro. A banca explora a confusão entre finalidade e causa, mas o texto deixa claro o propósito: para que a criança brinque.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D erra ao classificar como causa e indicar “a fim de que” como substituta. Embora “a fim de que” seja a locução correta, a classificação de causa está errada — a relação é de finalidade. Além disso, a alternativa diz que “sendo” necessárias alterações, o que é falso: a troca por “a fim de que” não exige alterações. Portanto, erro duplo: classificação incorreta e afirmação sobre alterações incorreta.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de identificar a relação semântica de uma locução conjuntiva e de avaliar substituições equivalentes. A regra de ouro: finalidade responde a “para quê?”; causa responde a “por quê?”. No trecho, a escola garante condições para que a criança brinque — finalidade. A única locução que preserva sentido e correção é “a fim de que”, sem alterações. Portanto, Gabarito: letra A.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar “para que”, pergunte-se: “qual é o objetivo?”. Se a resposta for uma ação futura desejada, é finalidade. Desconfie de “uma vez que” — ela é causal e raramente equivale a “para que”.

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