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Questão de Português — Adjetivo — Avança SP 2023

PortuguêsAdjetivo
Código
qa493452
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Americana
Ano
2023
Cargo
Coz ( )

O amigo da onça

 

A Onça estava quietinha no seu canto quando lhe apareceu o compadre Lobo, que logo foi lhe dizendo:

 

— Comadre Onça, com o perdão da palavra, você não é o bicho mais valente e destemido que existe neste mundo, nem o Leão, com toda a sua prosa dos reis dos animais.

 

— Como assim? Berrou a Onça enfurecida. Quem é esse bicho mais valente e poderoso que eu?

 

O Lobo amaciando a voz respondeu:

 

— Ó comadre, me perdoe. Já estou arrependido de dizer tal coisa... Mas minha intenção era apenas preveni-la de um bicho terrível que apareceu nesta paragem.

 

— Bem... Você não deixa de ter alguma razão, retrucou a Onça, mais sossegada. Mas quero saber o nome desse bicho. Como se chama?

 

— Esse bicho, comadre, chama-se homem, conforme me disse o papagaio. Em toda a minha vida, nunca vi um bicho mais valente. Ele sim e mais ninguém é o rei dos animais. Basta dizer que, de longe, o vi matar, com dois espirros, nada menos do que um jacaré dos grandes. Ih! Comadre, com o estrondo dos espirros parecia que tudo ia pelos ares. Deus me livre!

 

— Oh! Compadre, não me diga!

 

— É como lhe conto. E o que mais me deixa admirado é o bicho-homem ser tão baixinho que parece ser fraco; além disso, é mal servido de unhas e dentes.

 

— Pois bem, compadre, fiquei curiosa. Quero que me leve, sem demora, ao lugar onde se encontra tal animal.

 

— Ah, comadre, peça-me tudo menos isso. Você nem imagina os estragos que ele fez com seus malditos espirros. Não me atreveria a tal aventura.

 

— Pois queira ou não queira, vai me mostrar o bicho, ou então não sairá daqui com vida.

 

— Está certo, disse o Lobo amedrontado. Iremos. Mas temos de tomar todo o cuidado possível. Eu — com sua licença — posso correr mais que a senhora. Assim, levaremos um cipó, daqueles que não arrebentam nunca. Amarro uma das pontas no pescoço da comadre e a outra em minha cintura. Em caso de perigo, se for preciso fugir, a comadre e eu corremos...

 

— Fugir! Veja lá o que diz! Você já viu, seu “cagão”, alguma vez onça fugir?

 

— Não me expliquei bem. Eu é que fugirei. A comadre será apenas arrastada por mim. Isso não é fugir. Está certo?

 

— Está bem. Faremos como quer.

 

Partiram. A Onça com o cipó atado no pescoço, e o Lobo muito respeitoso e tímido, a puxá-la.

 

Quando chegaram ao destino, o bicho-homem, surpreendido, ao avistá-los, tirou da cinta a garrucha e lascou fogo, isto é, espirrou, uma, duas vezes, foi um estrondo dos diabos.

 

O Lobo, então, mais que depressa, disparou numa corrida desabalada, empenhando um enorme esforço para arrastar a Onça pelo cipó que tinha atado no pescoço dela.

 

De repente, já muito distante, sentiu que a Onça estava mais pesada. Então parou, e contemplou a companheira estendida no chão, com os dentes arreganhados, sem o mais leve movimento.

 

O Lobo, sem perceber que a Onça tinha morrido enforcada no laço do cipó, mas pensando que apenas estivesse cansada, disse-lhe tremendo que nem vara verde:

 

— Eh, comadre! Não ri, não, que o negócio é sério.

 

GOMES, Lindolfo. Disponível em: https://recantodasletras.com.br/contos

Texto

   

Na estrutura “Quem é esse bicho mais valente e poderoso que eu?” (3º parágrafo), os adjetivos presentes nela encontram-se no grau:

  1. ASuperlativo absoluto analítico.
  2. BComparativo de igualdade.
  3. CSuperlativo relativo de inferioridade.
  4. DComparativo de superioridade.
  5. ESuperlativo relativo de superioridade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Comparativo de superioridade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Grau do Adjetivo em "mais valente e poderoso que eu"

Gabarito: letra D. Na estrutura "Quem é esse bicho mais valente e poderoso que eu?", os adjetivos "valente" e "poderoso" estão no comparativo de superioridade, pois a construção "mais... que" estabelece uma comparação entre dois seres (o bicho e a Onça), indicando que um tem a qualidade em grau superior ao outro. A pista decisiva é a presença do "que" após os adjetivos, que introduz o segundo termo da comparação — exatamente o que caracteriza o comparativo, e não o superlativo.

"Quem é esse bicho mais valente e poderoso que eu?"

A Onça pergunta quem seria mais valente e poderoso do que ela — ou seja, compara a qualidade do tal bicho com a qualidade dela própria. Essa é a essência do comparativo de superioridade: mais + adjetivo + que (ou do que).

O que o comando pede

A questão é de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o sentido global do conto, mas de classificar o grau dos adjetivos dentro de uma estrutura específica. O comando "os adjetivos presentes nela encontram-se no grau" exige que você reconheça a forma morfológica e a relação sintática que os adjetivos estabelecem. Aqui, o foco é a morfologia do adjetivo — mais especificamente, a flexão de grau.

A regra que decide

Os adjetivos flexionam-se em grau para expressar intensidade. Há dois grandes grupos:

  • Comparativo: compara a mesma qualidade entre dois seres ou duas qualidades de um mesmo ser. Subdivide-se em:

    • Igualdade: tão... quanto/como (ex.: "tão valente quanto")

    • Superioridade: mais... (do) que (ex.: "mais valente que")

    • Inferioridade: menos... (do) que (ex.: "menos valente que")

  • Superlativo: intensifica a qualidade de um só ser, sem comparação direta com outro. Subdivide-se em:

    • Absoluto: intensidade máxima, sem relação com outro ser — analítico (muito valente) ou sintético (valentíssimo)

    • Relativo: relaciona o ser a um grupode superioridade (o mais valente do grupo) ou de inferioridade (o menos valente do grupo)

No trecho, temos "mais valente e poderoso que eu". A presença do "que eu" é a chave: há um segundo termo de comparação (a Onça). Não se trata de intensificar a qualidade de um único ser, mas de comparar dois seres — o bicho misterioso e a Onça. Portanto, é comparativo de superioridade.

Análise das alternativas

Grau do adjetivo
  • 1Comparativo (2 seres)
    • Igualdade: tão... quanto
    • Superioridade: mais... (do) que
    • Inferioridade: menos... (do) que
  • 2Superlativo (1 ser)
    • Absoluto
      • Analítico: muito valente
      • Sintético: valentíssimo
    • Relativo (grupo)
      • Superioridade: o mais valente
      • Inferioridade: o menos valente
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Superlativo absoluto analítico seria "muito valente" — o advérbio "muito" intensifica a qualidade sem comparar com outro ser. No texto, não há "muito", e há o "que eu", que marca comparação. A alternativa confunde superlativo absoluto com comparativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Comparativo de igualdade seria "tão valente quanto eu". A estrutura exige "tão... quanto/como", não "mais... que". A alternativa troca o conectivo — "mais" indica superioridade, não igualdade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Superlativo relativo de inferioridade seria "o menos valente" — exigiria artigo definido ("o") e a forma "menos". No texto, não há artigo antes de "mais", e o sentido é de superioridade, não de inferioridade. A alternativa inverte o valor (menos × mais) e confunde superlativo com comparativo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Comparativo de superioridade — exatamente o que a estrutura "mais valente e poderoso que eu" expressa. O "mais" + adjetivo + "que" + segundo termo (eu) é a fórmula clássica do comparativo de superioridade. A Onça compara o bicho a si mesma, afirmando que ele seria superior em valentia e poder.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Superlativo relativo de superioridade seria "o mais valente" — exigiria o artigo definido "o" antes de "mais" e a ideia de que o ser se destaca dentro de um grupo (ex.: "o mais valente da floresta"). No texto, não há artigo, e a comparação é entre dois seres específicos (o bicho e a Onça), não com um grupo. A alternativa confunde comparativo com superlativo relativo — é a pegadinha clássica da banca.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece "Superlativo relativo de superioridade" (E) como distrator, pois o aluno pode achar que "mais valente" é superlativo. Mas o superlativo relativo exige artigo definido ("o mais") e relação com um grupo; aqui, o "que eu" revela comparação entre dois seres — típico do comparativo.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o grau do adjetivo, pergunte: há comparação entre dois seres? Se sim, é comparativo (use "mais/menos/tão... que"). Se há intensificação de um só ser, é superlativo (absoluto ou relativo). A presença de "que" + segundo termo é a marca do comparativo.

Conclusão

A estrutura "mais valente e poderoso que eu" é o comparativo de superioridade, pois compara a qualidade de dois seres (o bicho e a Onça) usando a fórmula mais + adjetivo + que. As demais alternativas ou confundem com superlativo (que exigiria artigo e grupo) ou com outros tipos de comparação. Gabarito: letra D.

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