O consumidor.gov.br é um serviço público e gratuito que permite a interlocução direta entre os consumidores e as empresas para solução alternativa dos conflitos de consumo. Ele não constitui um procedimento administrativo e não se confunde com o atendimento tradicional prestado pelos órgãos de defesa do consumidor. Sendo assim, a utilização desse serviço pelos consumidores se dá sem prejuízo ao atendimento realizado pelos canais tradicionais de atendimento do Estado providos pelos Procons estaduais e municipais, pelas defensorias públicas, pelo Ministério Público e pelos juizados especiais cíveis.
Por se tratar de um serviço provido e mantido pelo Estado, com ênfase na interatividade entre os consumidores e os fornecedores para a redução dos conflitos de consumo, a participação das empresas é voluntária e só é permitida àquelas que aderem formalmente ao serviço, mediante a assinatura de um termo no qual se comprometem a conhecer, analisar e investir todos os esforços possíveis para a solução dos problemas apresentados. O consumidor, por sua vez, deve se identificar adequadamente, comprometendo‑se a apresentar todos os dados e todas as informações relativas à reclamação relatada. Por meio da aba Relato do Consumidor, é possível ler o conteúdo das reclamações, as respostas das empresas e o comentário final dos consumidores, sendo inclusive possível realizar pesquisas.
Com relação às ideias e aos aspectos gramaticais do texto, julgue o item.
A oração “ler o conteúdo das reclamações, as respostas das empresas e o comentário final dos consumidores” completa o significado do adjetivo “possível”
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GabaritoE — Errado
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Função sintática de oração após adjetivo: complemento nominal ou sujeito?
Gabarito: E (Errado). A oração “ler o conteúdo das reclamações, as respostas das empresas e o comentário final dos consumidores” não completa o significado do adjetivo “possível”; ela exerce função de sujeito da forma verbal “é possível”, e não de complemento nominal. A banca explora a confusão clássica entre o que é complemento nominal (termo que completa o sentido de um nome) e o que é sujeito oracional de uma construção com verbo de ligação + predicativo.
O comando e o que ele pede
A questão é de análise sintática aplicada ao texto: o enunciado afirma que a oração destacada “completa o significado do adjetivo ‘possível’”. Para julgar, é preciso identificar a função sintática dessa oração dentro do período. Não se trata de interpretação de sentido, mas de gramática em contexto — a resposta está na estrutura da frase, não no conteúdo do texto.
O trecho e a estrutura sintática
No segundo parágrafo, lê-se:
“Por meio da aba Relato do Consumidor, é possível ler o conteúdo das reclamações, as respostas das empresas e o comentário final dos consumidores, sendo inclusive possível realizar pesquisas.”
A oração “ler o conteúdo...” é uma oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo. Ela funciona como sujeito do verbo “é” (verbo de ligação), que tem como predicativo o adjetivo “possível”. A estrutura é equivalente a: “É possível [isso]” — e “isso” é exatamente o que se pode fazer: ler o conteúdo, as respostas e o comentário.
Para confirmar, basta inverter a ordem natural: “Ler o conteúdo das reclamações, as respostas das empresas e o comentário final dos consumidores é possível.” Nessa ordem, fica evidente que a oração é o sujeito da oração, e “possível” é o predicativo do sujeito.
Complemento nominal × sujeito oracional
O complemento nominal é o termo que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e vem sempre preposicionado. Exemplo: “Ele é capaz de tudo” — “de tudo” completa o adjetivo “capaz”. Já o sujeito é o termo sobre o qual se declara algo; em construções como “é possível”, “é bom”, “é necessário”, a oração que indica o que é possível/bom/necessário é o sujeito.
Critério
Complemento nominal
Sujeito oracional
Completa o sentido de
um nome (substantivo, adjetivo, advérbio)
o verbo (predicado)
Vem preposicionado?
Sim, sempre
Não (pode ser reduzido de infinitivo, sem preposição)
Exemplo
“capaz de tudo”
“Ler é possível”
No trecho, a oração “ler o conteúdo...” não é introduzida por preposição e não completa o sentido do adjetivo “possível” — ela é o sujeito da oração. O adjetivo “possível” é o predicativo do sujeito, ou seja, atribui uma característica ao sujeito oracional.
Análise da alternativa
Oração após adjetivo: Complemento nominal (Completa sentido de nome, Sempre preposicionado, Ex.: "capaz de tudo"); Sujeito oracional (Termo sobre o qual se declara, Sem preposição, Ex.: "Ler é possível"); Teste da inversão ("Ler... é possível", Sujeito + predicativo)
Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO
A afirmação está errada. A oração “ler o conteúdo das reclamações, as respostas das empresas e o comentário final dos consumidores” exerce função de sujeito da oração “é possível”, e não de complemento do adjetivo “possível”. A prova está na inversão da ordem: “Ler o conteúdo... é possível” — a oração é o sujeito, e “possível” é o predicativo. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que a oração “completa o significado” do adjetivo, mas, sintaticamente, ela é o sujeito da construção.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre complemento nominal (que completa o sentido de um nome, sempre preposicionado) e sujeito oracional (que é o termo sobre o qual se declara algo). A oração “ler...” não é preposicionada e é o sujeito de “é possível”.
PEGA ESSA DICA!
Em construções com “é possível”, “é bom”, “é necessário”, a oração que indica o que é possível/bom/necessário é sempre o sujeito. Teste invertendo a ordem: se a oração puder vir antes do verbo como sujeito, ela é sujeito, não complemento.