Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — Quadrix 2023
Português›Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa493850
Banca
Quadrix
Órgão
PROCON DF
Ano
2023
Cargo
FDC ( )
Todos nós vemos o mundo através de pontos de vista diferentes, que são formados, em grande parte, pelas múltiplas verdades que ouvimos e lemos. Ao mesmo tempo, outras pessoas estão sempre nos conduzindo a determinadas facetas e interpretações da verdade, intencionalmente ou não.
As verdades concorrentes moldam a realidade. As verdades concorrentes informam nosso mindset, que determina nossas escolhas e ações. Algumas verdades nos acompanham por toda a vida, determinando as escolhas mais importantes que fazemos e definindo a própria natureza do nosso caráter. Desse modo, não é exagero afirmar que muito do que pensamos e fazemos é determinado pelas verdades concorrentes que ouvimos e lemos.
Hector Macdonald. Verdade: 13
motivos para duvidar de tudo que te dizem. Rio de Janeiro: Objetiva, 2019, p. 16-17 (com adaptações).
Texto para o item.
No que se refere aos aspectos linguísticos e às ideias do texto, julgue o item.
O emprego da 1.a pessoa do plural é um recurso usado para o produtor do texto se aproximar de seus leitores.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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O valor discursivo da 1ª pessoa do plural
Gabarito: C (Certo). O emprego da 1ª pessoa do plural no texto é, de fato, um recurso de aproximação entre o produtor e seus leitores: ao dizer "Todos nós vemos o mundo" e "muito do que pensamos e fazemos", o autor se inclui no mesmo grupo dos leitores, criando uma identificação que aproxima os interlocutores. A passagem que ancora essa leitura está logo no primeiro parágrafo.
"Todos nós vemos o mundo através de pontos de vista diferentes"
O pronome "nós" (e as desinências verbais de 1ª pessoa do plural, como "vemos", "pensamos", "fazemos") não é um plural meramente gramatical: ele tem função inclusiva, pois coloca o autor e o leitor no mesmo polo enunciativo. É exatamente isso que a assertiva afirma.
O comando da questão
O enunciado pede um julgamento sobre aspectos linguísticos e ideias do texto. Isso significa que a resposta não depende apenas da gramática (a flexão de pessoa), mas do efeito de sentido que essa escolha linguística produz no discurso. A banca quer saber se você reconhece a função pragmática da 1ª pessoa do plural: aproximar o enunciador do enunciatário.
O texto e a tese
O texto de Hector Macdonald defende que nossas verdades são moldadas por influências externas — "as verdades concorrentes" — e que isso determina nossas escolhas e nosso caráter. Para convencer o leitor dessa tese, o autor usa a 1ª pessoa do plural como estratégia argumentativa: em vez de falar de um "eu" isolado ou de um impessoal "as pessoas", ele fala de "nós", incluindo a si mesmo e ao leitor na mesma condição.
Observe os trechos:
"Todos nós vemos o mundo através de pontos de vista diferentes"
"muito do que pensamos e fazemos é determinado pelas verdades concorrentes"
O uso de "nós" e das formas verbais correspondentes cria uma identificação entre quem escreve e quem lê. O leitor se sente parte do que está sendo dito, o que torna o argumento mais persuasivo. Essa é uma função clássica da 1ª pessoa do plural em textos argumentativos: a inclusão do interlocutor.
A técnica que decide
Em questões de interpretação, pergunte sempre: qual é o efeito de sentido desse recurso no texto? A 1ª pessoa do plural pode ter vários valores:
Inclusivo (eu + você/vocês): aproxima, cria identidade — é o caso do texto.
Exclusivo (eu + outros, sem o interlocutor): afasta, marca grupo específico.
De modéstia (plural de modéstia): usado em textos científicos para evitar o "eu" — não é o caso aqui.
No texto, o valor é claramente inclusivo: o autor se coloca junto com o leitor na mesma experiência de "ver o mundo" e de "ser determinado pelas verdades". A assertiva está correta.
Por que as demais leituras falham
Se alguém marcasse Errado, estaria cometendo um erro de interpretação: trataria a 1ª pessoa do plural como mera flexão gramatical, sem perceber sua função discursiva. A banca não pergunta "qual é a desinência número-pessoal?", mas "que efeito esse emprego produz?". Quem responde "Errado" provavelmente pensou: "o autor fala de si mesmo, não do leitor" — mas o texto mostra o contrário: o "nós" inclui o leitor.
1ª pessoa do plural
1Valor inclusivo
Aproxima autor e leitor
Cria identificação
Torna o argumento persuasivo
2Outros valores
Exclusivo (eu + outros, sem o interlocutor)
Plural de modéstia (evita o "eu")
LEVEL · soulevel.com.br
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a diferença entre forma e função. A forma é a 1ª pessoa do plural; a função é a aproximação com o leitor. Quem confunde os dois níveis marca errado.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "aspectos linguísticos e ideias", leia o recurso gramatical como um operador de sentido: pergunte sempre "o que isso faz no texto?" — não apenas "o que isso é?"
Conclusão
A assertiva está certa porque o texto usa a 1ª pessoa do plural de forma estratégica: ao dizer "nós vemos", "pensamos", "fazemos", o autor se aproxima do leitor, incluindo-o no mesmo universo de referência. Essa é uma função discursiva clássica, e a banca a cobrou de forma direta.