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Questão de Português — Fatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc) — FUNDATEC 2023

PortuguêsFatos da Língua Portuguesa (Porque, Por Que, Porquê e Por Quê; Onde, Aonde e Donde; Há e A, etc)
Código
qa493869
Banca
FUNDATEC
Órgão
CM São Gabriel
Ano
2023
Cargo
CJ ( )

Papo cabeça

 

Por Martha Medeiros

 

Éramos quatro escritoras em volta de uma mesa, num bistrô. A conversa não podia estar mais divertida. Até que um sujeito passou por nós, nos reconheceu, cumprimentou e disse: “Posso imaginar o papo cabeça que está rolando aí”. E saiu de perto com uma cara de “Deus me livre”.

 

O simpático cidadão ficaria corado se escutasse um pedacinho do nosso papo cabeça. Logo nos perguntamos: será mesmo que as pessoas pensam que a gente se reúne para falar sobre a obra completa de Thomas Mann e que tentamos desvendar o significado de cada verso dos Lusíadas enquanto rachamos uma pizza marguerita?

 

Alguns têm certeza. Um conhecido, uma vez, me cumprimentou pelo lançamento de um livro que lancei meses depois de me separar. Junto com os parabéns, ele emendou: “Aproveita o sucesso, porque casar você não vai mais”. Como assim, volte aqui, me explique isso direito.

 

Não abro mão de conversas inteligentes, mas para dissertações eruditas existe hora e lugar. Eu mesma, podendo, corro para o outro lado quando alguém começa uma conferência didática-enciclopédica em mesa de bar. Numa sala de universidade, é estimulante. Em meio a uma palestra num auditório, empolga. Escutar um sábio falar durante um jantar, na casa de alguém, salva a noite.

 

Mas num boteco barulhento, em meio a bolinhos de bacalhau, copos de chope e cercado por amigos da adolescência, quem vai querer escutar sobre a profundidade lírica da trilogia cinematográfica do brilhante Krzysztof Kieslowski? É muita consoante para uma noite de sexta-feira.

 

E se for um primeiro jantar a dois, romântico, aí o papo cabeça funciona mais ou menos como um ex que entrou no recinto para quebrar o clima. Dá aquela vontade súbita de pedir a conta.

 

Em nosso último encontro, minhas amigas e eu conversamos sobre as vantagens triunfais da maturidade, um pouquinho sobre política (só um pouquinho, antes da comida ser servida), sobre a diferença da nossa geração para a de nossos filhos, sobre a viagem que uma de nós fez aos Lençóis Maranhenses, sobre a Anitta, a Monica Salmaso e um ator francês que ninguém lembrou o nome, sobre um bafão que aconteceu na cidade, sobre uma exposição que ainda está em cartaz em São Paulo, sobre paixões infernais, sobre amores inventados e mais um longo etecetera, porque os assuntos são sempre múltiplos e vêm acompanhados de muitas gargalhadas – claro que sob a supervisão dos neurônios, mas sem permitir que eles nos transformem em catedráticas.

 

Papo com farra, sarro, troça, graça e só um pouquinho de desgraça. Somos criaturas trágicas, mas isso a gente deixa para debater na consulta com o analista. Fora do horário do expediente, nosso papo cabeça desce a linha do pescoço, ronda o coração e onde mais a alma alcança – enquanto isso, o cérebro descansa.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

   

Analise o trecho abaixo:

 

O vocábulo “porque”, é classificado como ______ e expressa sentido de ______. Logo, esse termo pode ser substituído, sem alteração de sentido na frase, por _________.

 

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.

  1. Auma conjunção – explicação – visto que
  2. Bum advérbio – soma – mas também
  3. Cuma preposição – conclusão – logo
  4. Duma conjunção – adição – portanto
  5. Eum advérbio – justificativa – pois
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — uma conjunção – explicação – visto que

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso do "porque" no texto — Gabarito: letra A.

O vocábulo "porque" é uma conjunção e, no trecho do texto de Martha Medeiros, expressa sentido de explicação, podendo ser substituído por "visto que" sem alteração de sentido. A passagem que comprova isso é:

"...porque os assuntos são sempre múltiplos e vêm acompanhados de muitas gargalhadas – claro que sob a supervisão dos neurônios..."

Aqui, o "porque" introduz a justificativa para a afirmação anterior (os assuntos são múltiplos e vêm com gargalhadas), ou seja, uma explicação. A alternativa A é a única que classifica corretamente a palavra e indica um substituto que preserva o sentido de explicação.

O que a questão pede

O comando é direto: preencher três lacunas com a classe gramatical do "porque", o sentido que ele expressa no contexto e um substituto que mantenha o sentido. Isso exige, primeiro, identificar a palavra no texto e analisar sua função; depois, conhecer as classificações possíveis do "porque" (conjunção, advérbio, preposição) e os sentidos que ele pode veicular (explicação, causa, conclusão, adição).

A técnica: analisar o contexto antes de classificar

A palavra "porque" pode ser:

  • Conjunção explicativa: introduz uma justificativa, uma explicação para o que foi dito. Ex.: "Estude, porque a prova é difícil."

  • Conjunção causal: introduz a causa do fato expresso na oração principal. Ex.: "Não fui à festa porque estava doente."

  • Substantivo (porquê): sinônimo de motivo, razão. Ex.: "Não sei o porquê da sua atitude."

  • Advérbio? Não, "porque" nunca é advérbio. Advérbios modificam verbo, adjetivo ou outro advérbio, indicando circunstância (tempo, modo, lugar, etc.). "Porque" liga orações, função típica de conjunção.

No trecho do texto, o "porque" aparece em:

"...porque os assuntos são sempre múltiplos e vêm acompanhados de muitas gargalhadas – claro que sob a supervisão dos neurônios..."

A oração iniciada por "porque" explica por que o papo é divertido e cheio de gargalhadas: porque os assuntos são múltiplos. Trata-se de uma explicação, não de uma causa que determina um efeito (embora a fronteira entre causa e explicação seja tênue, aqui predomina a ideia de justificativa).

Substituição sem alteração de sentido

O conectivo "visto que" é uma locução conjuntiva explicativa/causal, equivalente a "porque", "já que", "uma vez que". Portanto, substituir "porque" por "visto que" mantém o sentido de explicação. As demais opções trazem conectivos com outros valores:

  • "mas também" → adição

  • "logo" → conclusão

  • "portanto" → conclusão

  • "pois" → pode ser explicativo, mas a alternativa B e E erram na classe gramatical (advérbio) e no sentido (soma, justificativa)

Análise das alternativas

1Classe gramatical
Conjunção (nunca advérbio/preposição)
2Sentidos possíveis
Explicação (justificativa)
Causa
3Substituição
Explicação → "visto que"
Causa → "já que"
4Os quatro porquês
Porque (conjunção)
Por que (interrogativo)
Porquê (substantivo)
Por quê (final de frase)
"Porque"
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"Porque": Classe gramatical (Conjunção (nunca advérbio/preposição)); Sentidos possíveis (Explicação (justificativa), Causa); Substituição (Explicação → "visto que", Causa → "já que"); Os quatro porquês (Porque (conjunção), Por que (interrogativo), Porquê (substantivo), Por quê (final de frase))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. "Porque" é conjunção (explicativa), expressa explicação e pode ser substituído por "visto que". A passagem do texto comprova:

"...porque os assuntos são sempre múltiplos e vêm acompanhados de muitas gargalhadas..."

O "porque" introduz a justificativa para a afirmação anterior, ou seja, uma explicação. "Visto que" é locução conjuntiva explicativa/causal, perfeita para a substituição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Incorreta. Classifica "porque" como advérbio — erro grave, pois "porque" é conjunção. Além disso, atribui sentido de soma e sugere substituição por "mas também", que é conjunção aditiva. No texto, o "porque" não soma ideias; ele explica. A banca tenta confundir com o uso de "porque" em contextos de adição, mas aqui não há.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Incorreta. Classifica "porque" como preposição — erro, pois preposição liga palavras, não orações. Atribui sentido de conclusão e sugere "logo", que é conjunção conclusiva. No texto, o "porque" não conclui; explica. A banca explora a confusão entre "porque" e "logo", mas o sentido é diverso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Incorreta. Classifica "porque" como conjunção (correto), mas atribui sentido de adição e sugere "portanto" (conclusivo). No texto, o "porque" não adiciona; explica. A banca tenta confundir com o uso aditivo de "e", mas o conectivo em questão é explicativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Incorreta. Classifica "porque" como advérbio — erro, como na B. Atribui sentido de justificativa (que até poderia ser aceito, pois explicação e justificativa são próximos), mas sugere "pois" como substituto. "Pois" pode ser explicativo, mas a alternativa erra na classe gramatical. Além disso, "justificativa" não é o termo mais preciso; o texto expressa explicação.

Conclusão

A alternativa A é a única que acerta a classe gramatical (conjunção), o sentido (explicação) e a substituição (visto que). As demais erram na classe, no sentido ou no conectivo. Para questões assim, lembre-se: "porque" é sempre conjunção (explicativa ou causal), nunca advérbio ou preposição. E o sentido depende do contexto: se explica, use "visto que"; se causa, use "já que".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os quatro porquês. "Porque" (junto, sem acento) é conjunção; "por que" (separado) é interrogativo; "porquê" (com acento) é substantivo; "por quê" (separado, com acento) é final de frase. Aqui, o contexto é de explicação, então "visto que" é o substituto ideal.

PEGA ESSA DICA!

Antes de classificar, leia a frase e pergunte: "o 'porque' está explicando ou causando?" Se explica, é conjunção explicativa; se causa, é causal. E para substituir, escolha um conectivo do mesmo valor semântico.

Gabarito: letra A

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