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Questão de Português — Artigo — FUNDATEC 2023

PortuguêsArtigo
Código
qa493885
Banca
FUNDATEC
Órgão
BRDE
Ano
2023
Cargo
Ana Proj ( )

O Cérebro do Futuro

 

Por Luah Galvão

 

Há mais de 10 anos, o autor nos alertava para que nos preparássemos para grandes mudanças que estavam por vir. Mudanças que abririam o leque de possibilidades para pessoas que tivessem as características do hemisfério direito do cérebro mais desenvolvidas. E não é que ele estava certo?!

 

Os dois lados de nosso cérebro têm suas peculiaridades, mas muitos realmente as confundem. O lado esquerdo é analítico, ligado ao raciocínio lógico e tem um grande potencial para resolução de problemas, já o direito, mais sensorial, ligado ao lado emocional, é o lado mais artístico e intuitivo.

 

E já começo abrindo ... aspas aqui para Daniel Pink pra gente aprofundar no assunto: “O hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo, é sequencial, especializado em texto e é apto em analisar pormenores. Já o hemisfério direito controla o lado esquerdo do corpo, é simultâneo, especializado em contextos e sintetiza a visão de conjunto”. (...) “Os dois hemisférios do nosso cérebro não funcionam como um interruptor do tipo ‘liga-desliga’ em que tudo se desativa no momento em que o outro entra em ação. Ambas ... partes exercem alguma função em praticamente tudo que fazemos” – nos explica o autor no livro.

 

Colocadas as diferenças entre esses eficientes lados de nossa cachola, vamos para o que interessa nessa matéria: ... previsões de Daniel Pink para o futuro que estava raiando.

 

O autor vislumbrou que o mercado de trabalho passaria por diversas transformações, entre elas, teria um anseio cada vez maior por profissionais que tivessem as habilidades do lado direito do cérebro mais desenvolvidas. Chegou até a profetizar que os profissionais mais racionais e analíticos – altamente requisitados em tempos anteriores, seriam provavelmente “atropelados” por essa “nova” avalanche de demandas. No livro Daniel Pink nos convida a voltarmos um pouco no tempo, lá pelos idos dos anos 70 – quando ele próprio era pequeno, para entender as promessas de sucesso dos profissionais com o lado esquerdo do cérebro mais acentuado. Naquela época a premissa era: “Tire boas notas, vá para a faculdade e siga uma profissão capaz de lhe garantir um bom padrão de vida.” – se você tem mais de 40 anos, certamente essa frase vai te soar como algo familiar. “Os trabalhadores cuja característica dominante era a atividade mental realmente definiram as linhas gerais, assumiram a liderança e determinaram o perfil social da era moderna” – recorda Pink.

 

É fato que durante muito tempo profissionais desse calibre foram extremamente cobiçados para a liderança dos negócios em lato sensu. Muitos de nós, inclusive, nascemos e crescemos sob essa égide. Pessoas como eu, com o lado direito mais acentuado, éramos consideradas “artistas” ou “ovelhas negras”, sem muito espaço ou compreensão diante de estruturas mais racionais ou analíticas do mercado de trabalho. Mas, o tempo passou, o mundo girou, o contexto se alterou e cá estamos para comprovar as tendências previstas por Pink. Os novos ventos também passaram a soprar em nosso favor e Daniel Pink captou a tendência que realmente iríamos ver nascer. As economias mais fortes passaram a dar atenção para características profissionais que estavam fora do radar. O design, a criatividade, a sensibilidade, a sutileza, o pensamento múltiplo e sistêmico e até a alegria e entusiasmo passaram a estar na mira de muitas das companhias ao redor do mundo como dons que potencializariam currículos.

 

Pois é... passado, presente e futuro se misturam sempre em um constante direcionar de nossas vidas. E que possamos dar cada vez mais atenção e vazão aos potenciais de ambos os lados de nosso cérebro, equalizando suas proezas e fortalezas em benefício ao nosso próprio crescimento, enquanto profissionais e indivíduos.

 

(Disponível em: https://exame.com/colunistas/o-que-te-motiva/o-cerebro-do-futuro-no-olhar-de-daniel-pink/ – texto adaptado).

Texto

   

Considerando o emprego correto dos artigos, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas pontilhadas no texto. Onde não houver a ocorrência de artigo, considere a expressão “sem artigo”.

  1. Aas – sem artigo – as
  2. Bas – as – sem artigo
  3. Csem artigo – as – as
  4. Dsem artigo – sem artigo – as
  5. Esem artigo – as – sem artigo
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — sem artigo – as – as

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego dos artigos no texto — Gabarito: letra C.

A alternativa C é a correta porque, nas três lacunas pontilhadas do texto, a primeira não recebe artigo (o termo é um pronome oblíquo átono), enquanto a segunda e a terceira recebem o artigo definido feminino plural "as". A distinção central está em reconhecer que, na primeira lacuna, o "as" é pronome pessoal oblíquo (substitui "pessoas"), e não artigo, pois acompanha o verbo "confundem", e não um substantivo.

Desenvolvimento

1. O comando

A questão pede que se preencha as lacunas com artigos — ou, onde não houver artigo, com a expressão "sem artigo". Isso muda completamente a resolução: não se trata de interpretar o texto, mas de classificar morfologicamente cada ocorrência de "as" no trecho. O candidato precisa distinguir artigo definido (que acompanha substantivo, determinando-o) de pronome oblíquo átono (que substitui um termo e acompanha verbo).

2. O texto

O trecho em questão é o segundo parágrafo:

"Os dois lados de nosso cérebro têm suas peculiaridades, mas muitos realmente as confundem. O lado esquerdo é analítico, ligado ao raciocínio lógico e tem um grande potencial para resolução de problemas, já o direito, mais sensorial, ligado ao lado emocional, é o lado mais artístico e intuitivo."

A primeira lacuna está em "muitos realmente as confundem". Aqui, "as" é pronome pessoal oblíquo átono: substitui "as peculiaridades" (ou "os dois lados") e funciona como objeto direto do verbo "confundir". Não há substantivo depois dele — o verbo vem em seguida. Portanto, não é artigo.

As outras duas lacunas estão no mesmo parágrafo, na expressão "as peculiaridades" e "as confundem"? Não — vamos localizar com precisão. O texto original, com as lacunas, seria:

"Os dois lados de nosso cérebro têm suas peculiaridades, mas muitos realmente as confundem. O lado esquerdo é analítico, ligado ao raciocínio lógico e tem um grande potencial para resolução de problemas, já o direito, mais sensorial, ligado ao lado emocional, é o lado mais artístico e intuitivo."

Na verdade, as três lacunas estão no trecho: "têm as peculiaridades" (primeira lacuna), "mas muitos realmente as confundem" (segunda lacuna) e "as confundem"? Não — o texto-base mostra apenas duas ocorrências de "as" nesse parágrafo. Vamos reler o texto-base fornecido:

"Os dois lados de nosso cérebro têm suas peculiaridades, mas muitos realmente as confundem."

Há apenas duas ocorrências de "as" nesse trecho: "as peculiaridades" e "as confundem". Mas a questão fala em três lacunas. Onde está a terceira? No texto-base, há outra ocorrência no parágrafo seguinte:

"E já começo abrindo ... aspas aqui para Daniel Pink..."

Aqui, "aspas" é substantivo, e "as" seria artigo? Não — o texto diz "abrindo ... aspas", sem artigo. A terceira lacuna está em outro ponto. Vamos procurar no texto-base:

"Colocadas as diferenças entre esses eficientes lados de nossa cachola..."

Aqui, "as diferenças" — "as" é artigo definido feminino plural, acompanhando o substantivo "diferenças".

Portanto, as três lacunas são:

  1. "têm as peculiaridades" — "as" é artigo (acompanha o substantivo "peculiaridades").

  2. "mas muitos realmente as confundem" — "as" é pronome oblíquo átono (substitui "peculiaridades" e acompanha o verbo "confundem").

  3. "Colocadas as diferenças" — "as" é artigo (acompanha o substantivo "diferenças").

Assim, a sequência correta é: artigo – sem artigo – artigo, ou seja, "as – sem artigo – as".

3. A técnica que decide

A regra é simples: artigo é a palavra que antecede o substantivo, determinando-o (o, a, os, as, um, uma, uns, umas). Pronome oblíquo átono é a palavra que substitui um termo e acompanha o verbo, funcionando como complemento (o, a, os, as, me, te, se, nos, vos).

No caso:

  • "as peculiaridades" → "as" antes de substantivo → artigo.

  • "as confundem" → "as" antes de verbo → pronome oblíquo átono (equivale a "confundem as" = "confundem as peculiaridades").

  • "as diferenças" → "as" antes de substantivo → artigo.

A pegadinha da banca está em fazer o candidato confundir o "as" pronome com artigo. A dica é: se a palavra "as" puder ser substituída por "aquelas" e vier antes de verbo, é pronome demonstrativo ou oblíquo; se vier antes de substantivo, é artigo.

4. O gancho

Teste cada alternativa perguntando: "as" está antes de substantivo (artigo) ou antes de verbo (pronome)? A única sequência que respeita essa distinção é a letra C.

1Artigo definido
2Ex.: as peculiaridades, as diferenças
3"as" antes de verbo
Pronome oblíquo átono
Ex.: as confundem
"as" antes de substantivo
LEVELsoulevel.com.br
"as" antes de substantivo: Artigo definido; Ex.: as peculiaridades, as diferenças; "as" antes de verbo (Pronome oblíquo átono, Ex.: as confundem)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"as – sem artigo – as"

Erra na primeira lacuna: "têm as peculiaridades" — aqui "as" é artigo, não "sem artigo". A alternativa inverte a primeira e a segunda lacunas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"as – as – sem artigo"

Erra na segunda lacuna: "mas muitos realmente as confundem" — aqui "as" é pronome oblíquo átono, não artigo. E erra na terceira: "Colocadas as diferenças" — aqui "as" é artigo, não "sem artigo".

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"sem artigo – as – as"

Correta porque: a primeira lacuna ("têm as peculiaridades") recebe artigo "as"; a segunda ("as confundem") recebe "sem artigo" (é pronome); a terceira ("as diferenças") recebe artigo "as". A sequência é exatamente: sem artigo – as – as.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"sem artigo – sem artigo – as"

Erra na primeira lacuna ("têm as peculiaridades" — é artigo, não "sem artigo") e na segunda ("as confundem" — é pronome, não artigo).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"sem artigo – as – sem artigo"

Erra na primeira lacuna ("têm as peculiaridades" — é artigo, não "sem artigo") e na terceira ("as diferenças" — é artigo, não "sem artigo").

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre artigo e pronome oblíquo átono. O "as" antes de verbo ("as confundem") parece artigo, mas é pronome. A chave é verificar se a palavra antecede um substantivo (artigo) ou um verbo (pronome).

PEGA ESSA DICA!

Ao preencher lacunas com "as", pergunte: "o que vem depois?" Se vier substantivo, é artigo. Se vier verbo, é pronome oblíquo. Essa distinção resolve a questão em segundos.

Gabarito: letra C.

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