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Questão de Português — Uso do Hífen — FUNDATEC 2023

PortuguêsUso do Hífen
Código
qa493974
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Cordilheira A
Ano
2023
Cargo
ACE (Cordilheira A)

Profissionais de saúde têm índices negativos de saúde e bem-estar mental na pandemia, diz pesquisa

 

Por Theo Ruprecht

 

Um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revela que 86% sofrem com Síndrome de Burnout e 81% com estresse. Má qualidade de sono, sintomas depressivos e dores pelo corpo também foram frequentemente reportados. Por outro lado, a maioria desses profissionais vê grande sentido nos serviços que prestam à sociedade. “No momento temos uma fotografia da situação, o que não nos permite afirmar que a pandemia é responsável pelos resultados encontrados. Mas acreditamos que o impacto especialmente pesado da Covid-19 no país contribuiu para índices tão ruins”, destaca Tatiana de Oliveira Sato, professora do Departamento de Fisioterapia e do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da UFSCar. “Acreditamos que a pandemia influenciou negativamente esses resultados. A sobrecarga no trabalho, as decisões difíceis e os dramas vivenciados afetaram consideravelmente os profissionais de saúde, especialmente os que atuaram na linha de frente”, diz Sato. “A ideia original da pesquisa surgiu pouco antes da Covid-19. Mesmo fora do contexto da pandemia, esses profissionais lidam com muitas demandas e responsabilidades e queríamos avaliar o efeito disso no bem-estar físico e mental”, relata a pesquisadora. “Mas, com a chegada do SARS-CoV-2, o projeto acabou mensurando o efeito da emergência sanitária na saúde desses trabalhadores”, completa.

 

Ainda em andamento, o projeto teve a análise de sua primeira coleta de dados publicada no periódico científico Healthcare. A iniciativa como um todo tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e está em fase final de coleta e análise dos dados. Originalmente, os pesquisadores entrevistariam os voluntários in loco – a princípio, todos seriam funcionários do Sistema Único de Saúde (SUS) localizados em São Carlos, interior paulista. No entanto, os trâmites necessários para iniciar a pesquisa de campo foram superados entre o fim de 2020 e o início de 2021 – quando a pandemia assolava o país todo e as vacinas haviam sido aplicadas em uma minoria da população. “Diante disso, criamos um formulário on-line e ampliamos a busca por respondentes para o Brasil inteiro”, conta Sato. “Os critérios de inclusão eram trabalhar no SUS, ter mais de 18 anos e estar envolvido diretamente com a assistência aos pacientes”, complementa. Esse formulário foi divulgado via redes sociais, e-mails e até pela imprensa. Ele reunia cinco questionários diferentes, cada um voltado para quantificar um aspecto da vida dos trabalhadores. Entre eles, o Copenhagen Psychosocial Questionnaire (que mede os aspectos sociais e psicológicos), o Pittsburgh Sleep Quality Index (que estima a qualidade do sono), o Nordic Musculoskeletal Questionnaire (responsável por avaliar problemas musculoesqueléticos) e o Beck Depression Inventory (que detecta sintomas depressivos).

 

No total, o formulário continha dez páginas. “Nós estimamos que, para responder todas as perguntas, uma pessoa gaste de 20 a 30 minutos. E o questionário só era incluído na pesquisa quando preenchido por completo”, reitera Sato. Além disso, equipamentos que medem a quantidade de atividade física foram utilizados pelos respondentes locais para compor as avaliações.

 

Os dados apresentados no artigo já publicado destacam uma alta prevalência de sintomas musculoesqueléticos Imagem associada para resolução da questão 64% reportaram dores no pescoço, 62% nos ombros, 58% na coluna torácica e 61% na lombar. De acordo com Sato, a própria rotina do trabalho – longas horas em pé, manuseios de pacientes, ritmo de trabalho acelerado e por aí vai – ajuda a explicar esses dados. “Mas a sobrecarga mental também é capaz de disparar esses desconfortos pela tensão que provoca no corpo”, acrescenta.

 

No quesito psicossocial, os indicadores são preocupantes, segundo os autores. Entre os participantes, 81% manifestaram estresse e 86%, Síndrome de Burnout. Sintomas depressivos leves foram encontrados em 22% dos profissionais de saúde. Outros 16% exibiam sintomas depressivos moderados e 8%, severos. No mais, 74,4% da amostra apresentou qualidade de sono ruim. Entre os respondentes, 75% avaliaram negativamente as demandas emocionais ligadas ao trabalho, 61% criticaram o ritmo do serviço e 47% reprovaram a imprevisibilidade dele. São esses os fatores psicossociais com pior avaliação no artigo.

 

Por outro lado, destaca-se que mais de 90% dos participantes acreditam realizar um trabalho muito significativo e cerca de 80% se dizem comprometidos com o trabalho, mesmo diante de um clima tão estressante.

 

(Disponível em: cnnbrasil.com.br/saude/profissionais-de-saude-tem-indices-negativos-de-saude-e-bem-estar-mental-na-pandemia-diz-pesquisa/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

   

Assinale a alternativa que apresenta a palavra que emprega corretamente o hífen, assim como “pós-graduação”.

  1. AContra-ataque.
  2. BSobre-nome.
  3. CExtra-judicial.
  4. DCo-piloto.
  5. EAnti-rugas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Contra-ataque.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego do hífen: prefixos e vogais iguais

Gabarito: letra A. A alternativa A é a correta porque “contra-ataque” segue a mesma regra de “pós-graduação”: o prefixo termina com a mesma vogal que inicia o segundo elemento, exigindo o hífen. No texto-base, a palavra “pós-graduação” aparece no 1º parágrafo, e a regra que a justifica é a mesma que justifica “contra-ataque” — prefixo terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.

A questão pede que você identifique, entre as alternativas, a palavra que emprega corretamente o hífen seguindo o mesmo princípio de “pós-graduação”. Não se trata de interpretação de texto, mas de ortografia — especificamente, a regra do hífen com prefixos. O comando é direto: você deve conhecer a regra e aplicá-la a cada alternativa.

A regra central é: usa-se o hífen quando o prefixo termina com a mesma vogal que inicia o segundo elemento. Exemplos: anti-inflamatório, micro-ondas, contra-ataque. Quando as vogais são diferentes, não se usa hífen: autoestrada, extraoficial, coautor. Além disso, há prefixos que sempre exigem hífen, como pós, pré, pró, recém, ex, sem, vice, além, aquém — daí “pós-graduação”.

A pegadinha da banca está em misturar duas regras distintas: a do prefixo pós (que sempre pede hífen) com a regra geral de vogais iguais. A alternativa correta é a única que se encaixa na regra de vogais iguais, enquanto as demais erram por aplicar a regra de forma incorreta.

Alternativa

Palavra

Uso do hífen

Regra aplicada

Correta?

A

Contra-ataque

Com hífen

Prefixo termina com vogal a + segundo elemento inicia com a (vogais iguais)

✅ Sim

B

Sobre-nome

Com hífen

Prefixo termina com e + segundo elemento inicia com consoante n (vogal + consoante)

❌ Não (correto: sobrenome)

C

Extra-judicial

Com hífen

Prefixo termina com a + segundo elemento inicia com consoante j (vogal + consoante)

❌ Não (correto: extrajudicial)

D

Co-piloto

Com hífen

Prefixo co- nunca recebe hífen

❌ Não (correto: copiloto)

E

Anti-rugas

Com hífen

Prefixo termina com vogal + segundo elemento inicia com r (dobra-se o R, sem hífen)

❌ Não (correto: antirrugas)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Contra-ataque” está correta. O prefixo contra- termina com a vogal a, e o segundo elemento ataque também começa com a — vogais iguais. Pela regra, quando o prefixo termina com a mesma vogal que inicia a palavra seguinte, usa-se o hífen. É exatamente o mesmo princípio de “pós-graduação”, embora por caminhos diferentes: em pós-graduação, o hífen é obrigatório porque pós é um prefixo que sempre exige hífen; em contra-ataque, o hífen é obrigatório porque há vogais iguais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Sobre-nome” está errada. A forma correta é sobrenome, sem hífen. O prefixo sobre- termina com vogal e, e o segundo elemento nome começa com consoante n — vogais diferentes, consoante diferente. Não se usa hífen nesse caso. A banca tenta confundir com a regra de “sobre-humano”, que tem hífen porque o segundo elemento começa com H — mas aqui não é o caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Extra-judicial” está errada. A forma correta é extrajudicial, sem hífen. O prefixo extra- termina com vogal a, e o segundo elemento judicial começa com consoante j — vogal + consoante diferente, não se usa hífen. A banca explora a confusão com “extra-humano”, que tem hífen porque o segundo elemento começa com H — regra específica que não se aplica aqui.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Co-piloto” está errada. A forma correta é copiloto, sem hífen. O prefixo co- nunca recebe hífen, mesmo quando o segundo elemento começa com a mesma vogal: coautor, coobrigado, cooperação. A banca tenta confundir com a regra de vogais iguais, mas co- é uma exceção — sempre aglutina.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Anti-rugas” está errada. A forma correta é antirrugas, sem hífen, com o R dobrado. Quando o prefixo termina com vogal e o segundo elemento começa com R ou S, dobra-se a consoante e não se usa hífen: antirrábico, antissocial, contrarregra. A banca explora a confusão com “anti-inflamatório”, que tem hífen por vogais iguais — mas aqui o segundo elemento começa com consoante.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de hífen, identifique primeiro a última letra do prefixo e a primeira letra do segundo elemento. Se forem vogais iguais, há hífen; se forem diferentes, não há. Exceções: prefixos como pós, pré, pró, recém, ex, sem, vice sempre pedem hífen, e co- nunca pede.

Gabarito: letra A. A única alternativa que segue a mesma regra de “pós-graduação” é “contra-ataque”, pois ambas exigem o hífen — uma por prefixo que sempre pede hífen, outra por vogais iguais. As demais erram por aplicar a regra de forma incorreta, seja por aglutinação indevida, seja por hífen desnecessário.

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