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Questão de Português — Substantivo — FUNDATEC 2023

PortuguêsSubstantivo
Código
qa494240
Banca
FUNDATEC
Órgão
IFC
Ano
2023
Cargo
PEBTT ( )

A construção da cultura pelas dimensões ideológica e comportamental

 

Por Marcos José da Silveira Mazzotta e Maria Eloísa Famá D’Antino

 

Numerosas são as concepções de cultura, consoantes com variadas vertentes teóricas. De início, é importante destacar que Sorokin, um dos clássicos autores da sociologia, ao abordar a estrutura do universo cultural, ressalta que a “cultura ideológica” consiste na totalidade dos valores e normas adotados por indivíduos e grupos interagentes, o que consolida o aspecto cultural da interação significativa. As ações e reações significativas, por meio das quais os conteúdos da “cultura ideológica” são objetivados e socializados, constituem sua “cultura comportamental” e, num terceiro nível, a “cultura material”, significando todos os demais objetos, veículos e energias materiais por meio dos quais a “cultura ideológica” se manifesta, socializa-se e se consolida. Assim, o sociólogo Sorokin salienta que “a cultura empírica total de uma pessoa ou grupo é constituída por esses três níveis de cultura: ideológico, comportamental e material”. Portanto, o universo cultural abarcando esses três níveis caracteriza a vida social que não se limita a objetos e fatos de um mundo natural, já que se constitui pelas ações, manifestações verbais, símbolos, textos, construções materiais de grande variedade e de sujeitos que se expressam por meio desses artefatos procurando entender aos outros e a si mesmos.

 

Na evolução histórica do conceito de cultura, o pensador John Thompson distingue quatro tipos básicos de concepção, classificando-as como: clássica, descritiva, simbólica e estrutural. A primeira remonta aos séculos XVIII e XIX, quando o termo “cultura”, diferindo em certa medida do processo de “civilização”, era usado em referência a um processo de desenvolvimento intelectual ou espiritual. A segunda envolve um conjunto de valores, crenças, costumes, convenções, hábitos e práticas característicos de uma sociedade específica ou de um determinado período histórico. A terceira entende os fenômenos culturais como simbólicos e o estudo da cultura voltado basicamente para a interpretação dos símbolos e da ação simbólica. Considerando restritivas tais concepções, aquele teórico formula, então, a que chama de “concepção estrutural de cultura”, propondo que “os fenômenos culturais podem ser entendidos como formas simbólicas em contextos estruturados, e a análise cultural pode ser pensada como o estudo da constituição significativa e da contextualização social das formas simbólicas”.

 

Numa breve interpretação, podemos entender que as interações significativas ocorridas em contextos estruturados constroem a cultura pelas dimensões ideológica e comportamental. Nesse sentido, cabe ressaltar a construção e sedimentação de estigmas, estereótipos, padrões de beleza, dentre outras formas simbólicas acompanhadas de atitudes e ações em relação a pessoas que se encontram em determinadas condições individuais e sociais e que em contextos específicos passam a ser discriminadas negativa ou positivamente, tendo favorecida a concretização de situações de inclusão ou exclusão nos variados espaços da vida social. Situações de segregação, marginalização ou exclusão, de quem quer que seja, concretizam atitudes que se configuram como violência simbólica. E, como bem observa Habermas, a violência simbólica se dá sempre que uma pessoa é impedida de defender os seus próprios interesses.

 

Historicamente, as pessoas que apresentam diferenças muito acentuadas em relação à maioria das pessoas constituem-se alvo das mais diversas estratégias de violência simbólica. Um dos segmentos populacionais reiteradamente colocados nessa posição tem sido o composto de pessoas com deficiências físicas, mentais, sensoriais ou múltiplas, além daquelas que apresentam outros transtornos de desenvolvimento. Elementos como funcionalidade e incapacidade, bem como fatores contextuais de ordem pessoal e ambiental, são fundamentais para a melhor compreensão das implicações individuais e sociais das deficiências. Fatores contextuais, portanto, concretizam-se, muitas vezes, em situações limitadoras impostas pelo ambiente físico e social que, defrontadas com as condições individuais, ampliam as desvantagens sociais da pessoa com deficiência.

 

(Disponível em: chromeextension:// efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.scielo.br/j/sausoc/a/mKFs9J9rSbZZ5hr65TFSs5H/? format=pdf&lang=pt – texto adaptado especialmente para esta prova).

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.     Qual das seguintes palavras corresponde a um substantivo uniforme?
  1. AAutores.
  2. BIndivíduos.
  3. CSociólogo.
  4. DPensador.
  5. ETeórico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Indivíduos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substantivo uniforme — Gabarito: letra B.

Gabarito: letra B. A palavra “indivíduos” é um substantivo uniforme (mais especificamente, comum de dois gêneros), pois apresenta uma única forma para indicar tanto o masculino quanto o feminino: “o indivíduo” e “a indivíduo”. As demais alternativas — autores, sociólogo, pensador, teórico — são substantivos biformes, pois possuem formas distintas para cada gênero (autor/autora, sociólogo/socióloga, pensador/pensadora, teórico/teórica). A banca cobra a identificação da flexão de gênero dos substantivos, e a pista está na própria estrutura da palavra: se ela muda de forma para indicar o sexo, é biforme; se não muda, é uniforme.

O comando pede que se assinale a palavra que corresponde a um substantivo uniforme. Isso é uma questão de morfologia — mais precisamente, de flexão de gênero dos substantivos. Não se trata de interpretação de texto, mas de reconhecer uma propriedade gramatical das palavras listadas. A resposta não depende do conteúdo do texto, mas da forma das palavras.

Substantivo uniforme é aquele que não muda de forma para indicar gênero. Ele se divide em três tipos: comum de dois gêneros (a mesma forma, mas o gênero é marcado pelo artigo ou adjetivo: “o/a agente”, “o/a estudante”), sobrecomum (uma única forma para ambos os sexos, sem distinção: “a criança”, “o cônjuge”) e epiceno (usado para animais, com uma só forma: “a cobra”, “o jacaré”). Já o substantivo biforme é aquele que apresenta duas formas: uma para o masculino e outra para o feminino, geralmente pela troca de desinência (menino/menina, professor/professora) ou por heteronímia (homem/mulher, boi/vaca).

Aplicando ao caso: “indivíduos” (plural de “indivíduo”) é um substantivo comum de dois gêneros — dizemos “o indivíduo” ou “a indivíduo” sem alterar a palavra. Isso é confirmado pelo uso corrente e pela gramática normativa. Já as outras opções têm feminino marcado:

Palavra

Masculino

Feminino

Tipo

Autores

autor

autora

biforme

Indivíduos

o indivíduo

a indivíduo

uniforme (comum de dois gêneros)

Sociólogo

sociólogo

socióloga

biforme

Pensador

pensador

pensadora

biforme

Teórico

teórico

teórica

biforme

A banca explora a confusão entre substantivo uniforme e biforme. Muitos candidatos podem achar que “indivíduos” é biforme por terminar em “-o”, mas isso não é regra: a flexão de gênero depende do uso. “Indivíduo” é um caso clássico de comum de dois gêneros, assim como “agente”, “estudante”, “chefe” (quando usado para ambos os sexos).

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Autores” é o plural de “autor”, que tem feminino “autora”. Portanto, é um substantivo biforme — muda de forma para indicar gênero. A alternativa erra ao apresentar uma palavra biforme como uniforme.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Indivíduos” é o plural de “indivíduo”, que é um substantivo comum de dois gêneros: a mesma forma serve para “o indivíduo” e “a indivíduo”. Não há mudança de terminação para indicar o sexo. Por isso, é um substantivo uniforme.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Sociólogo” tem feminino “socióloga” (troca de “-o” por “-a”). É um substantivo biforme, não uniforme.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Pensador” tem feminino “pensadora” (acréscimo de “-a”). É um substantivo biforme, não uniforme.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Teórico” tem feminino “teórica” (troca de “-o” por “-a”). É um substantivo biforme, não uniforme.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece quatro substantivos biformes (com feminino marcado) e um uniforme. A armadilha é o candidato achar que “indivíduos”, por terminar em “-o”, é biforme — mas a regra é o uso: “indivíduo” é comum de dois gêneros.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar um substantivo uniforme, pergunte: “existe uma forma feminina diferente?”. Se não existe (ou se a mesma forma serve para ambos), é uniforme. Teste com o artigo: “o/a indivíduo” funciona; “o/a autor” não — exige “autora”.

Gabarito: letra B.

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