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Questão de Português — Acentuação — FUNDATEC 2023

PortuguêsAcentuação
Código
qa494750
Banca
FUNDATEC
Órgão
PROCERGS
Ano
2023
Cargo
AST ( )

Mitigar não resolve, mascara e adia

Por Heverton Lacerda

 

A atual crise do clima precisa ser enfrentada com ações propositivas, planejadas e estruturadas em etapas concretas de realização. Tudo precisa estar concatenado em todas as esferas de governo, em parceria com as atividades de iniciativa privada, tendo as redes de ensino e instituições diversas cooperando. Neste (con)texto, abordo, introdutoriamente, uma reflexão sobre o que podemos realizar no âmbito do Brasil, sem desconsiderar o necessário esforço global para o enfrentamento em tela, na linha do discurso ambientalista ao qual me filio.

 

Para reverter a atual evolução das mudanças climáticas, não podemos estacionar em ações pontuais de mitigação de impactos locais. É preciso ir além. Um exemplo, que nos é atual e caro, está na seca que assola o Rio Grande do Sul. Cavar poços e açudes é paliativo e questionável, mas talvez necessário diante da urgência de produção de alimentos saudáveis. Quem previa que isso seria necessário por aqui? O sexto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas aponta que a seca pode aumentar a exposição de populações cada vez maiores a estresses hídrico e térmico, além de ampliar a desertificação, à medida que a temperatura média do clima da Terra for aumentando.

 

As narrativas preservacionista e ambientalista têm chamado atenção para essa problemática há várias décadas no Brasil e no mundo. Além disso, temos buscado parceiros para que, juntos, possamos liderar o processo de sobrevivência e salvamento da “nossa casa comum”. Ao longo desse período de luta, muitos se juntaram à causa, despertando e compreendendo a urgência imposta. No entanto, cabe confessar, com sinceridade e tristeza, que, apesar de toda a resistência, estamos perdendo a luta em defesa do ambiente natural. Todos nós estamos perdendo, inclusive os que impõem a derrota. Mitigar é um primeiro passo, mas é insuficiente diante dos amplamente anunciados impactos socioambientais. Quais agentes sociais se dispõem a assumir conosco a liderança neste processo?

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao– 19/4/23 - texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise as assertivas abaixo a respeito de determinadas palavras do texto, relativamente ao uso de acento gráfico.

 

I. A palavra ‘mascara’, ao receber acento agudo na primeira sílaba, assume classe gramatical diferente da que tem no texto.

 

II. Se dos vocábulos ‘É’ e ‘está’ fosse retirado o acento gráfico, passariam a ser classificados, respectivamente, como conjunção e pronome.

 

III. A palavra ‘nós’, sem o acento gráfico, não faz parte do vocabulário da Língua Portuguesa.

 

Quais estão corretas?

  1. AApenas I.
  2. BApenas III.
  3. CApenas I e II.
  4. DApenas II e III.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Acento diferencial e mudança de classe gramatical

Gabarito: letra C (Apenas I e II). A assertiva I está correta porque “mascara” (verbo) e “máscara” (substantivo) são palavras homógrafas que mudam de classe com o acento; a II está correta porque “é” (verbo) sem acento vira “e” (conjunção) e “está” (verbo) sem acento vira “esta” (pronome demonstrativo). A III está errada porque “nos” sem acento é pronome pessoal oblíquo, palavra existente no vocabulário da língua. A resposta se prova pela análise das palavras no próprio texto, como se vê em “Mitigar não resolve, mascara e adia” e “É preciso ir além”.

O comando da questão

A questão pede que você analise assertivas sobre acento gráfico — ou seja, é uma questão de gramática metalinguística, não de interpretação de texto. O foco está em reconhecer o efeito do acento diferencial (ou da ausência dele) sobre a classe gramatical e o sentido das palavras. Para resolver, você precisa dominar:

  • o conceito de palavras homógrafas (mesma grafia, sentidos diferentes);

  • a diferença entre monossílabos tônicos (acentuados) e átonos (sem acento);

  • o acento diferencial — aquele que distingue palavras que, sem ele, seriam escritas igualmente.

O texto e o que ele revela

O texto de Heverton Lacerda traz as palavras exatamente nos contextos que a questão explora:

“Mitigar não resolve, mascara e adia”

Aqui, “mascara” é verbo (3ª pessoa do singular do presente do indicativo de mascarar). Se receber acento agudo na primeira sílaba, vira “máscara”, substantivo (objeto que cobre o rosto). A assertiva I afirma exatamente isso: a palavra muda de classe gramatical. Correto.

É preciso ir além.”

“É” é verbo (3ª pessoa do singular do presente do indicativo de ser). Sem o acento, vira “e”, conjunção aditiva. A assertiva II afirma isso. Correto.

está” — como em “está na seca que assola o Rio Grande do Sul”

“Está” é verbo (3ª pessoa do singular do presente do indicativo de estar). Sem o acento, vira “esta”, pronome demonstrativo. A assertiva II também afirma isso. Correto.

Já a assertiva III afirma que “nós” sem acento não existe no vocabulário. Isso é falso: “nos” (sem acento) é pronome pessoal oblíquo (ex.: “ele nos viu”) e também pode ser contração de “em” + “os”. Portanto, a III está errada.

A técnica que decide

A pegadinha central é a confusão entre palavras homógrafas e a existência de formas sem acento. Veja o quadro:

Palavra com acento

Classe

Palavra sem acento

Classe

máscara

substantivo

mascara

verbo

é

verbo

e

conjunção

está

verbo

esta

pronome demonstrativo

nós

pronome pessoal

nos

pronome oblíquo

Perceba que “nós” e “nos” são ambas palavras válidas — a diferença é apenas de classe e função. A banca tenta fazer você acreditar que a forma sem acento não existe, mas ela existe e é muito comum.

Análise das assertivas

Acento diferencial
  • 1Mascara (verbo) → máscara (substantivo)
  • 2É (verbo) → e (conjunção)
  • 3Está (verbo) → esta (pronome)
  • 4Nós (pronome) → nos (oblíquo, existe)
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Assertiva I — ✅ Correta

“A palavra ‘mascara’, ao receber acento agudo na primeira sílaba, assume classe gramatical diferente da que tem no texto.”

No texto, “mascara” é verbo (como em “Mitigar não resolve, mascara e adia”). Com acento, vira “máscara”, substantivo. A mudança de classe é exatamente o que o acento diferencial faz. Correta.

Assertiva II — ✅ Correta

“Se dos vocábulos ‘É’ e ‘está’ fosse retirado o acento gráfico, passariam a ser classificados, respectivamente, como conjunção e pronome.”

“É” (verbo) sem acento → “e” (conjunção aditiva). “Está” (verbo) sem acento → “esta” (pronome demonstrativo). A assertiva está perfeitamente correta. Correta.

Assertiva III — ❌ Incorreta

“A palavra ‘nós’, sem o acento gráfico, não faz parte do vocabulário da Língua Portuguesa.”

“Nos” (sem acento) é pronome pessoal oblíquo — palavra existente e muito usada. Ex.: “Ele nos convidou para a festa.” Portanto, a afirmação é falsa. Incorreta.

Conclusão

As assertivas I e II estão corretas; a III está incorreta. Portanto, a alternativa correta é a letra C (Apenas I e II).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de acento diferencial, sempre pergunte: “Qual é a classe da palavra com acento? E sem acento?”. Se a forma sem acento existir no dicionário, a assertiva que nega sua existência está errada.

Gabarito: letra C

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