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Questão de Português — Substantivo — FUNDATEC 2023

PortuguêsSubstantivo
Código
qa494960
Banca
FUNDATEC
Órgão
CAU RS
Ano
2023
Cargo
Ana Sup ( )

A evolução da representação da Arquitetura

Por Santiago Baraya

 

De acordo com Howard Gardner, a inteligência humana pode ser dividida em oito categorias, sendo uma delas, a inteligência espacial. Gardner define este tipo de inteligência como a capacidade do ser humano de imaginar e dar forma a modelos tridimensionais da realidade. A Arquitetura, assim como a escultura, é uma das disciplinas que mais se beneficiam dessa faculdade. Considerando isso, neste artigo, procuramos explorar como a representação da Arquitetura evoluiu ao longo do tempo e como ela está se tornando cada dia mais fiel à imagem idealizada por quem a projetou.

 

A representação de um projeto de Arquitetura, como objetivo principal, deve ser capaz de comunicar a essência da ideia concebida por seu projetista, permitindo que outras pessoas também possam visualizar ou acessar esta outra realidade. E embora essas projeções e imagens estejam se tornando cada dia mais “reais” — e até banais em nossa vida cotidiana —, é importante ressaltar que a representação da Arquitetura foi sendo desenvolvida lentamente através dos séculos para alcançar o seu atual estado da arte.

 

Filippo Brunelleschi, arquiteto italiano do século XV, foi quem utilizou, pela primeira vez, a matemática para dar voz à inteligência espacial mencionada anteriormente, forjando uma técnica de representação da Arquitetura e do espaço que viria a ser conhecida como “perspectiva linear.” Essa descoberta causou tamanha revolução no campo da representação que ainda hoje, mais de seiscentos anos depois, o desenho em perspectiva segue sendo estudado e ensinado nas escolas de Arquitetura, arte e design do mundo todo.

 

Embora noções de perspectiva ainda hoje sejam a base da representação na Arquitetura, tais regras também podem ser bastante restritivas, minando a nossa capacidade de imaginação, a qual vai muito além de qualquer cânone.

 

Séculos mais tarde, o domínio do desenho em perspectiva foi a porta de entrada de Frank Lloyd Wright na Arquitetura. O mais famoso arquiteto norte-americano era conhecido por sua destreza sobre a prancheta, um personagem capaz de ilustrar com altíssimo grau de refinamento e precisão as suas mais incríveis ideias, imagens que ainda hoje impressionam pela proximidade com a realidade da obra construída.

 

Em virtude do rápido avanço tecnológico e da incorporação de novas ferramentas a partir da segunda metade do século XX, a representação na Arquitetura evoluiu não apenas em termos técnicos, passando por uma profunda transformação em matéria de conteúdo.

 

Muitos anos se passaram até que a representação na Arquitetura passasse a incorporar novas ferramentas, as quais já estavam sendo utilizadas amplamente em outras áreas, como a fotografia, o cinema e o design. Atualmente, fora algumas exceções, a visualização na Arquitetura está se tornando cada dia mais dependente de imagens geradas por computadores, uma espécie de resignação, como se já não houvesse mais alternativas ao hiper-realismo.

 

As principais tendências apontam para uma completa fusão entre as técnicas de visualização na Arquitetura e a realidade virtual e aumentada. E embora essas ferramentas, ainda hoje, demandem a utilização de uma série de dispositivos multissensoriais, podemos dizer que nunca antes a visualização esteve tão próxima da realidade.No entanto, técnicas mais simples como o desenho à mão e a colagem, quando combinadas com tudo aquilo que os modelos 3D podem nos oferecer, ainda podem ser muito úteis e seguem sendo utilizadas por arquitetos e arquitetas ao redor do mundo. Pode ser que as técnicas artesanais nunca deixem de existir, mas é inegável que elas ainda têm muito a contribuir para o futuro da representação e da visualização da Arquitetura.

 

(Disponível em: www.archdaily.com.br/br/942582/a-evolucao-da-representacao-na-Arquitetura-e-qual-e-o-seu-futuro – texto adaptado).

Texto

   

Assinale a alternativa que apresenta um substantivo que pode ser flexionado nos gêneros masculino e feminino.

  1. AInteligência.
  2. BRepresentação.
  3. CEspécie.
  4. DDesenho.
  5. EArquiteto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Arquiteto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Flexão de gênero dos substantivos: biformes × uniformes

Gabarito: letra E. A alternativa correta é "Arquiteto", pois é um substantivo biforme — apresenta uma forma para o masculino (arquiteto) e outra para o feminino (arquiteta). As demais alternativas são substantivos uniformes (têm uma única forma para os dois gêneros), como se comprova pela própria morfologia das palavras. O texto-base, ao mencionar "arquitetos e arquitetas ao redor do mundo", confirma a flexão de gênero da palavra.

A questão cobra um conceito de morfologia (flexão de gênero dos substantivos), não de interpretação textual. O comando é direto: "assinale a alternativa que apresenta um substantivo que pode ser flexionado nos gêneros masculino e feminino". Isso significa que precisamos identificar qual palavra tem duas formas — uma para cada gênero —, e não apenas uma forma que serve para ambos.

O que a banca quer: substantivo biforme × uniforme

Os substantivos se dividem em dois grandes grupos quanto à flexão de gênero:

  • Biformes: têm duas formas, uma para o masculino e outra para o feminino. Ex.: arquiteto/arquiteta, gato/gata, professor/professora.

  • Uniformes: têm uma única forma para os dois gêneros. Subdividem-se em:

    • Comum de dois gêneros: a forma é a mesma, mas o gênero é indicado pelo artigo/adjetivo (o/a estudante, o/a dentista).

    • Sobrecomum: uma única forma e um único gênero gramatical para ambos os sexos (a criança, o cônjuge, a vítima).

    • Epiceno: refere-se a animais/plantas, com sexo indicado por "macho/fêmea" (o jacaré macho/fêmea).

A palavra "arquiteto" é claramente biforme: arquiteto (masculino) e arquiteta (feminino). O próprio texto-base reforça isso ao escrever "arquitetos e arquitetas ao redor do mundo" — a flexão de gênero é explícita.

Análise das alternativas

Substantivos quanto ao gênero
  • 1Biformes (duas formas)
    • Arquiteto/arquiteta
    • Gato/gata
    • Professor/professora
  • 2Uniformes (uma forma)
    • Comum de dois gêneros
      • o/a estudante
      • o/a dentista
    • Sobrecomum
      • a criança
      • o cônjuge
    • Epiceno
      • o jacaré macho/fêmea
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Inteligência" é um substantivo uniforme sobrecomum — tem uma única forma e um único gênero (feminino). Não existe "inteligêncio" ou "inteligente" como flexão de gênero do substantivo ("inteligente" é adjetivo, outra classe). A palavra não admite flexão de gênero.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Representação" também é uniforme sobrecomum — apenas feminino. Não há forma masculina correspondente. A palavra é derivada do verbo "representar" com o sufixo "-ção", que forma substantivos femininos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Espécie" é uniforme sobrecomum — apenas feminino. Não existe "espécieo" ou variação de gênero. É um substantivo que nomeia uma categoria, sem distinção de sexo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Desenho" é uniforme sobrecomum — apenas masculino. Não há forma feminina correspondente ("desenha" é verbo, não substantivo). A palavra é masculina e não flexiona em gênero.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Arquiteto" é um substantivo biforme: arquiteto (masculino) / arquiteta (feminino). A flexão se dá pela troca da vogal temática "-o" por "-a". O texto-base confirma essa flexão no trecho:

"seguem sendo utilizadas por arquitetos e arquitetas ao redor do mundo"

A passagem mostra as duas formas da palavra, comprovando que ela admite flexão de gênero.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre substantivos biformes (duas formas) e uniformes (uma forma). Palavras como "inteligência", "representação", "espécie" e "desenho" parecem neutras, mas são uniformes — não têm forma masculina/feminina. A única que realmente flexiona é "arquiteto".

PEGA ESSA DICA!

Para identificar um substantivo biforme, pergunte: "existe a forma feminina/masculina correspondente?" Se sim, é biforme. Se a palavra é a mesma para os dois gêneros (o/a estudante), é uniforme comum de dois. Se tem um único gênero fixo (a criança, o desenho), é uniforme sobrecomum.

Conclusão: a questão testa o conhecimento da flexão de gênero dos substantivos. A única alternativa que apresenta um substantivo com duas formas (masculina e feminina) é a letra E, "Arquiteto" — confirmada pelo próprio texto ao citar "arquitetos e arquitetas".

Gabarito: letra E

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