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Questão de Português — Substantivo — Avança SP 2023

PortuguêsSubstantivo
Código
qa495139
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Rio Claro (SP)
Ano
2023
Cargo
Ag (Pref R Claro)

Penas preservadas em âmbar revelam

segredos de aves pré-históricas.

 

Pássaros modernos e seus parentes pré-históricos têm algo em comum: a importância da troca de penas em seu ciclo de vida. As penas  estruturas complexas que não podem ser reparadas, então, para mantê-las em boa forma, os pássaros passam por uma troca. Os filhotes perdem suas penas e as trocam por versões de adultos; já os mais velhos renovam sua cobertura corporal uma vez ao ano.

Além de serem essenciais para voar, nadar, camuflar, atrair parceiros, aquecer e proteger dos raios solares, as penas também podem ser a chave para explicar por que os ancestrais dos pássaros modernos viveram, enquanto outros dinossauros morreram há 66 milhões de anos.

 

Dois estudos recentes, liderados pela paleontóloga Jingmai O’Connor, do Museum Field de Chicago, nos Estados Unidos, trazem novas perspectivas sobre esse processo e suas implicações na evolução das aves.

 

Hoje, filhotes de pássaros têm um padrão em termos de desenvolvimento quando nascem. Existem as aves altriciais, que nascem nuas e indefesas incapazes de se movimentar, alimentar e termorregular, e as espécies precociais, que nascem com penas e são bastante autossuficientes.

 

Contudo, um dos estudos, publicado na revista Cretaceous Research, apresentou a descoberta de penas fossilizadas em âmbar de um filhote de pássaro com cerca de 99 milhões de anos. Essas penas preservadas revelaram uma combinação única de características precociais e altriciais.

 

Essa descoberta sugere que o grupo de aves pré- históricas conhecido como Enantiornithines, do qual esse filhote provavelmente fazia parte, tinha um processo de muda acelerado e enfrentava desafios significativos durante esse período crítico.

 

A muda consome muita energia, e perder muitas penas de uma só vez pode dificultar que um pássaro se mantenha aquecido. Como resultado, os filhotes precociais tendem a mudar lentamente, de modo que mantêm um suprimento constante de penas, enquanto os filhotes altriciais, que podem contar com seus pais para se alimentar e se aquecer, passam por uma “muda simultânea”, perdendo todas as suas penas ao mesmo tempo.

 

As penas preservadas em âmbar são a primeira evidência fóssil definitiva de uma muda juvenil e revela um filhote de pássaro cuja história de vida não corresponde a nenhuma ave viva hoje. “Este espécime mostra uma combinação totalmente bizarra de características precociais e altriciais”, diz O’Connor, do Centro de Pesquisa Integrativa Negaunee, do Museu  Field, em comunicado. “Todas as penas do corpo estão basicamente no mesmo estágio de desenvolvimento, então isso significa que todas as penas começaram a crescer simultaneamente, ou quase simultaneamente. ”

 

O’Connor acredita que a pena presa no âmbar é da espécie já extinta Enantiornithines, e que, por ser um filhote com características precociais e altriciais, manter-se aquecido enquanto passava por uma muda rápida pode ter sido um fator na sua destruição.

 

Segundo a autora, quando o asteroide atingiu a Terra, as temperaturas globais teriam despencado e os recursos teriam se tornado escassos. Desse modo, essas aves não apenas teriam demandas de energia ainda maiores para se manterem aquecidas, mas também não teriam os recursos para atendê-las.

 

Outro estudo, publicado em 3 de julho na revista Communications Biology, explorou os padrões de muda em pássaros modernos para entender melhor como o processo evoluiu ao longo do tempo.

 

De acordo com a pesquisa, nas aves adultas modernas, a muda ocorre uma vez por ano, substituindo apenas algumas penas por vez ao longo de algumas semanas. Essa estratégia permite que as aves continuem voando durante o processo.

 

No entanto, a muda simultânea, na qual todas as penas de voo caem ao mesmo tempo e voltam a crescer rapidamente, é mais rara e geralmente observada em aves aquáticas que não dependem do voo para se alimentar e evitar predadores.

 

Os pesquisadores Jingmai O’Connor e Yosef Kiat examinaram mais de 600 peles de aves modernas armazenadas na coleção de ornitologia do Museu Field. Eles descobriram que as aves com mudas sequenciais eram representadas por dezenas de espécimes em processo de muda, enquanto quase não encontraram evidências de mudas simultâneas. Esses resultados sugerem que pássaros com mudas simultâneas estão subrepresentados no registro fóssil, pois passam menos tempo no processo de muda e têm menos chances de morrer durante esse período.

 

Os estudos de O’Connor e equipe são importantes para entendermos a evolução das aves e os fatores que influenciaram a sobrevivência de certos grupos ao longo da história. Tanto o espécime do âmbar quanto o estudo da muda em pássaros modernos apontam para um tema comum: pássaros pré-históricos e dinossauros emplumados, especialmente aqueles de grupos que não sobreviveram à extinção em massa, mudaram de forma diferente dos pássaros de hoje.

 

“Não acho que haja uma razão específica para que as aves da coroa, o grupo que inclui as aves modernas, tenham sobrevivido. Acho que é uma combinação de características. Mas acho que está ficando claro que a muda pode ter sido um fator significativo no qual os dinossauros conseguiram sobreviver”, conclui O'Connor.

 

REDAÇÃO. Revista Galileu Digital. Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/ciencia/noticia/

Leia o texto a seguir para responder a questão.

 

No trecho, “(...) o espécime do âmbar quanto o estudo da muda em pássaros modernos apontam para um tema comum”, assinale a alternativa que indica corretamente a classe de palavras que o termo “espécime” pertence.

  1. AAdvérbio
  2. BAdjetivo
  3. CConjunção
  4. DSubstantivo
  5. EVerbo
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Substantivo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classe Gramatical de "Espécime"

Gabarito: letra D. O termo "espécime" é um substantivo, pois nomeia um ser (no caso, o filhote de pássaro fossilizado). A pista decisiva está no próprio trecho: "o espécime do âmbar" — o artigo "o" determina o substantivo, e a palavra exerce a função de núcleo do sujeito composto.

A questão é de morfologia: pede a classe gramatical de uma palavra isolada, sem exigir interpretação do texto. Basta reconhecer que "espécime" é um nome comum, que designa um exemplar, uma amostra.

No trecho citado, "espécime" aparece como núcleo do sujeito: "o espécime do âmbar quanto o estudo da muda em pássaros modernos apontam para um tema comum". O artigo "o" e o adjunto adnominal "do âmbar" confirmam sua natureza substantiva.

Substantivo é a classe que nomeia seres, objetos, lugares, sentimentos, ações etc. É uma classe variável (flexiona em gênero, número e grau) e, sintaticamente, costuma ser o núcleo do sujeito, do objeto direto, do complemento nominal etc.

As demais alternativas apresentam classes que não se aplicam: advérbio (modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio), adjetivo (caracteriza o substantivo), conjunção (liga orações ou termos) e verbo (indica ação, estado ou fenômeno). Nenhuma delas nomeia seres como "espécime" faz.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Advérbio é uma classe invariável que modifica o verbo, o adjetivo ou outro advérbio, indicando circunstância (tempo, modo, lugar, intensidade etc.). No trecho, "espécime" não modifica nada; ao contrário, é modificado pelo artigo "o" e pelo adjunto "do âmbar". Portanto, não pode ser advérbio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Adjetivo é a classe que caracteriza o substantivo, atribuindo-lhe qualidade, estado ou relação. "Espécime" não caracteriza outro nome; ele próprio é o nome. Se fosse adjetivo, esperaríamos algo como "o pássaro espécime", mas no texto "espécime" é o núcleo do sujeito, não um modificador.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Conjunção é uma classe invariável que liga orações ou termos de mesma função, estabelecendo relações de coordenação ou subordinação. "Espécime" não liga nada; é um elemento nominal. No trecho, a conjunção é "quanto" (parte da locução "tanto... quanto"), não "espécime".

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Substantivo é a classe que nomeia seres, objetos, lugares, sentimentos, ações etc. "Espécime" nomeia o filhote de pássaro fossilizado, ou seja, um ser. A presença do artigo "o" e a função de núcleo do sujeito comprovam sua natureza substantiva. No trecho: "o espécime do âmbar quanto o estudo da muda em pássaros modernos apontam para um tema comum".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Verbo é a classe que indica ação, estado, processo ou fenômeno, flexionando-se em tempo, modo, número e pessoa. "Espécime" não expressa ação nem estado; é um nome. No trecho, os verbos são "apontam" e "mudaram", não "espécime".

PEGA ESSA DICA!

Para identificar a classe de uma palavra, pergunte: ela nomeia algo? (substantivo), caracteriza algo? (adjetivo), modifica verbo/adjetivo/advérbio? (advérbio), liga termos? (conjunção), ou indica ação/estado? (verbo). No caso, "espécime" nomeia — é substantivo.

Gabarito: letra D

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