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Questão de Português — Ortografia - Casos Gerais e Emprego das Letras — FURB 2023

PortuguêsOrtografia - Casos Gerais e Emprego das Letras
Código
qa495230
Banca
FURB
Órgão
Pref Blumenau
Ano
2023
Cargo
CPed ( )

O destino dos painéis solares ao fim da vida útil

 

Um galpão de 2 mil metros quadrados em Valinhos, no interior paulista, vem armazenando centenas de painéis solares todos os meses. Apenas em maio, o material recebido, basicamente módulos inutilizados para a produção de energia fotovoltaica, chegou a 80 toneladas (t). Não se trata de uma nova usina de fonte renovável, mas de uma empresa aberta há pouco mais de três anos que decidiu apostar em um mercado ainda incipiente, porém em expansão, que deve explodir nos próximos anos: o da reciclagem de painéis solares descartados.

 

"No ano passado, crescemos mais de 700% em volume de material recebido e estamos projetando bem mais para este ano", afirma o empresário Leonardo Duarte, de 27 anos, fundador da SunR, uma das poucas empresas no país a se dedicar integralmente à reciclagem dos módulos fotovoltaicos que perderam sua eficiência. "Desde que abrimos, recebemos mais de 25 mil painéis, o equivalente a 730 toneladas de material", conta.

 

A questão sobre o que fazer com as placas solares inutilizadas vem se impondo ao redor do mundo, principalmente em países da Europa, como a Alemanha, que começou a adotar a energia solar ainda nos anos 1990. A estimativa de vida útil dos painéis é de 25 a 30 anos, e uma grande quantidade de módulos em solo europeu e em outros lugares já virou sucata.

 

Um relatório feito pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) em 2016 sobre o gerenciamento dos painéis solares fotovoltaicos ao fim de sua vida útil alerta que a quantidade de lixo anual no começo dos anos 2030 atingirá algo entre 1,7 milhão e 8 milhões de t. Em 2050, esse tipo de resíduo poderá chegar a 78 milhões de t no planeta.

 

Por outro lado, a agência estimava em 2016 que o valor dos materiais capazes de ser recuperados nesses equipamentos poderia chegar a US$ 450 milhões em 2030, quantia suficiente para a produção de 60 milhões de painéis solares. Vinte anos depois, o valor da reciclagem superaria US$ 15 bilhões, o bastante para produzir 2 bilhões de placas, segundo projeções da Irena.

 

Vidro e alumínio compõem quase 90% dos módulos, mas eles contêm também uma pequena parcela de metais valiosos, como prata e cobre, além de substâncias mais poluentes, como chumbo e polímeros. No Brasil, onde a tecnologia fotovoltaica foi mais amplamente adotada a partir dos anos 2010, a questão deverá ganhar volume em alguns anos, mas também já começa a causar preocupações.

 

"O maior equívoco é achar que os resíduos só vão surgir a partir de 30 anos. Muito pelo contrário", diz Duarte, que trabalha diretamente com usinas, montadoras e importadoras de módulos solares no Brasil inteiro. "Estimamos que mais de 7% dos painéis são descartados antes de 15 anos de vida útil."

 

As camadas de polímero adesivo que protegem o produto da exposição às intempéries dificultam a desmontagem e a reciclagem. A parte mais simples de recuperar no processo é a estrutura de alumínio e os fios de cobre externos. Em seguida, vem o vidro, que compõe grande parte do painel (70% a 95%) e já tem uma indústria de reciclagem bem estabelecida. Outros materiais encontrados nas células solares apresentam um desafio maior. Prata, estanho, cobre e o próprio silício são elementos valiosos, embora haja uma quantidade ínfima nos módulos em comparação com o vidro. Especialistas calculam, no entanto, que eles respondem por mais de 40% do valor do painel.

 

Imagem associada para resolução da questão

 

(a primeira coluna é indicação "sem perda precoce" e a segunda, "com perda precoce", que consiste em descarte antes do previsto de vida útil − 30 anos).

 

Retirado e adaptado de: JONES, Frances. O destino dos painéis solares ao fim da vida útil. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: a -vvdaa-uui/ stapesquisa.fapesp.br/o-destino-dos-paineis-solares-ao-fim-da-vida-util/ Acesso em: 07 set., 2023.

Associe a segunda coluna de acordo com a primeira, que relaciona palavras do texto "O destino dos painéis solares ao fim da vida útil" aos seus processos de formação:

 

Primeira coluna: processo de formação

 

(1)Derivação prefixal e sufixal

 

(2)Derivação parassintética

 

(3)Derivação sufixal

 

(4)Composição por aglutinação

 

Segunda coluna: palavras do texto

 

(__)solares

 

(__)inutilizados

 

(__)renovável

 

(__)embora

 

Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:

  1. A2 − 3 − 4 − 1
  2. B1 − 4 − 3 − 2
  3. C3 − 2 − 1 − 4
  4. D3 − 1 − 2 − 4
  5. E4 − 1 − 2 − 3
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — 3 − 1 − 2 − 4

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Formação de Palavras: Derivação e Composição

Gabarito: letra D. A associação correta é 3 − 1 − 2 − 4: "solares" é derivação sufixal (solar + sufixo -es), "inutilizados" é derivação prefixal e sufixal (in- + útil + -izado), "renovável" é derivação parassintética (re- + nov + -ável, com acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo) e "embora" é composição por aglutinação (em + boa + hora, com perda fonética). A resposta se prova pela análise morfológica de cada palavra, conforme a teoria de formação de palavras.

O Comando

A questão pede uma associação entre processos de formação de palavras e vocábulos retirados do texto. Isso é uma tarefa de conceito — não se trata de interpretar o sentido do texto, mas de aplicar a teoria morfológica (estrutura e formação de palavras) a exemplos concretos. O comando "associe" exige que você identifique, em cada palavra, quais afixos (prefixos/sufixos) ou radicais estão presentes e como eles se combinam.

O Texto

O texto fala sobre a reciclagem de painéis solares. As palavras cobradas — "solares", "inutilizados", "renovável" e "embora" — aparecem em trechos como:

"...módulos inutilizados para a produção de energia fotovoltaica..." "...uma nova usina de fonte renovável..." "...a reciclagem dos módulos fotovoltaicos que perderam sua eficiência..."

O conteúdo do texto é apenas o contexto — a questão é puramente morfológica. O que importa é a estrutura interna de cada palavra, não o que ela significa no texto.

A Técnica: Como Analisar Cada Palavra

Para resolver, você precisa dominar a diferença entre os processos:

Processo

Definição

Exemplo

Derivação sufixal

Acréscimo de apenas um sufixo ao radical

solar → sol + -ar

Derivação prefixal e sufixal

Acréscimo de prefixo E sufixo, mas de forma independente (retirar um não torna a palavra inexistente)

inutilizado → in- + útil + -izado

Derivação parassintética

Acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo (retirar um torna a palavra inexistente)

renovável → re- + nov + -ável

Composição por aglutinação

União de dois radicais com perda/alteração fonética

embora → em + boa + hora

A pegadinha central está em distinguir derivação prefixal e sufixal de parassintética. A regra de ouro: na parassíntese, se você retirar o prefixo OU o sufixo, a palavra deixa de existir. Em "renovável", se retirar o prefixo "re-", fica "novável" (que não existe); se retirar o sufixo "-ável", fica "renov" (que também não existe). Logo, os afixos foram acrescentados simultaneamente — é parassíntese. Já em "inutilizado", se retirar o prefixo "in-", fica "utilizado" (que existe); se retirar o sufixo "-izado", fica "inútil" (que também existe). Os afixos são independentes — é derivação prefixal e sufixal.

Formação de palavras
  • 1Derivação
    • Sufixal
      • solares (sol + -ar)
    • Prefixal e sufixal
      • inutilizados (in- + útil + -izado)
    • Parassintética
      • renovável (re- + nov + -ável)
  • 2Composição
    • Aglutinação
      • embora (em + boa + hora)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A associação 2 − 3 − 4 − 1 está errada porque classifica "solares" como parassintética. "Solares" é formada apenas pelo acréscimo do sufixo "-ar" ao radical "sol" — não há prefixo. É derivação sufixal (3), não parassintética (2).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A associação 1 − 4 − 3 − 2 erra ao classificar "inutilizados" como derivação prefixal e sufixal (1) — isso está correto — mas erra em "solares" como composição por aglutinação (4). "Solares" não é composição: é uma palavra derivada por sufixo. Também erra em "embora" como parassintética (2), quando na verdade é composição por aglutinação (4).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A associação 3 − 2 − 1 − 4 acerta em "solares" (3) e "embora" (4), mas erra em "inutilizados" como parassintética (2). Como vimos, "inutilizados" é derivação prefixal e sufixal (1), pois os afixos são independentes. Também erra em "renovável" como derivação prefixal e sufixal (1), quando é parassintética (2).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A associação 3 − 1 − 2 − 4 está correta:

  • solares (3): derivação sufixal — radical "sol" + sufixo "-ar" (formador de adjetivo).

  • inutilizados (1): derivação prefixal e sufixal — prefixo "in-" + radical "útil" + sufixo "-izado". Retirar um dos afixos não torna a palavra inexistente ("utilizado" e "inútil" existem).

  • renovável (2): derivação parassintética — prefixo "re-" + radical "nov" + sufixo "-ável", acrescentados simultaneamente. Retirar qualquer um dos afixos torna a palavra inexistente ("novável" e "renov" não existem).

  • embora (4): composição por aglutinação — "em" + "boa" + "hora", com perda fonética (em + boa + hora → embora).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A associação 4 − 1 − 2 − 3 erra ao classificar "solares" como composição por aglutinação (4). "Solares" é uma palavra derivada (sufixal), não composta. Também erra em "renovável" como derivação sufixal (3), quando é parassintética (2).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre derivação prefixal e sufixal e parassintética. A diferença está na simultaneidade: se retirar um afixo e a palavra continuar existindo, é prefixal e sufixal; se deixar de existir, é parassíntese. Teste sempre com "inutilizado" (in- + utilizado = existe) vs. "renovável" (re- + novável = não existe).

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a formação de uma palavra, separe os morfemas (prefixo, radical, sufixo) e teste a independência de cada afixo. Se ambos sobrevivem sozinhos, é derivação prefixal e sufixal; se não, é parassíntese. Para composição, verifique se há dois radicais e se houve perda fonética (aglutinação) ou não (justaposição).

Gabarito: letra D — a única associação em que todas as palavras foram corretamente classificadas quanto ao seu processo de formação.

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