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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — FUNDATEC 2023

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa495879
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Sapucaia do Sul
Ano
2023
Cargo
ATrib ( )

Nem bons e nem maus

 

Por Gilmar Marcílio

 

Confesse: você se considera totalmente do bemA). Todos pensam assim a respeito de si próprios. Talvez até quem está na cadeia pagando por um crime  hediondo. É difícil estabelecer um juízo crítico quando nos falta distanciamento. Resistamos a essa tendência, sem dúvida imaturaB). A verdade é que somos uma mescla, um pêndulo inclinando-se ora para um lado, ora para o outro. Ao dizer isso, evito fazer um julgamento de valor afirmando sermos seres potencialmente ruins. As circunstâncias moldam e revelam com clareza os comportamentos. A raiva, constantemente, faz vir à tona sentimentos que julgávamos não fazer parte da nossa natureza. Muitos nem se confrontam com situações de excessiva violência para reagir com destempero. Ninguém sabe como vai se portar, senão diante de circunstâncias concretas. Sem contar o fato de mudarmos tanto com o passar dos anos, a ponto de percebermos que a agressividade foi abafada pela necessidade de agir segundo os códigos de civilidade. Mas ela está aí.

 

Vamos lembrar um exemplo banal. Você está no trânsito e um motorista invade a frente do seu carro. Toca a buzina e ele responde com um gesto obsceno à sua tentativa de lhe mostrar o quão equivocado estava. É vital ter um bom equilíbrio emocional para ignorar isso e ir em frente, plácido e sereno. Mas há uma maneira eficaz de se proteger desse veneno. Basta entender que nada disso foi feito contra a sua pessoa. Provavelmente o tresloucado cometerá mais uma infração logo adiante. Tento pôr em prática essa lição. Acesso meu modo zen de ser e, no máximo, partilho minha indignação ao chegar em casa. Acredite, é péssimo despender energiaC) em algo que daí a cinco minutos será aconselhável esquecer. Aliás, é extremamente indicado não se contaminar por essas miudezas. A vida é maior, muitas vezes descobrimos tardiamente.

 

Guardamos a sensação de estar indo em sentido contrário aos princípios que nos regem. Distinguimos o caminho correto a ser seguido, mas na hora “h” parece que estamos sendo empurrados na direção oposta. Admitamos: anjos e demônios povoam o espaço interior de cada um. Essa história de terceirizar a responsabilidade, achando que só os demais são maus, deveria ser desconsiderada ainda na adolescência. Mas para os padrões atuais, ela se estende excessivamente e daí... O segredo para uma boa conduta é deixar de lado a condescendência e assumir: precisamos trabalhar incessantemente para nos tornarmos melhores.

 

Nada provoca tão forte alegria em mim do que vencer alguma má tendência. Um hábito deplorável, pequenos e persistentes vícios, certa resistência em abandonar algumas prisões mentais, roubando a autonomia para agir. O processo de libertação pode ser longo, mas é bastante prazeroso quando chega ao final. Coloque uma lupa sobre o realE) e, com honestidade, admita: aqui acertei, ali errei. Este é o certificado de termos chegadoD) à idade adulta.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa na qual NÃO se possa identificar o emprego de uma forma verbal no modo imperativo.

  1. A“Confesse: você se considera totalmente do bem”.
  2. B“Resistamos a essa tendência, sem dúvida imatura”.
  3. C“Acredite, é péssimo despender energia”.
  4. D“Este é o certificado de termos chegado”.
  5. E“Coloque uma lupa sobre o real”.
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GabaritoD — “Este é o certificado de termos chegado”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Modo imperativo — Gabarito: letra D.

A alternativa D é a correta porque a forma verbal “termos chegado” é uma locução verbal composta pelo verbo auxiliar “ter” no infinitivo e pelo verbo principal “chegado” no particípio — ou seja, não há nenhuma forma flexionada no modo imperativo. O imperativo é o modo da ordem, pedido, conselho ou sugestão, e em todas as outras alternativas há um verbo no imperativo: “Confesse” (A), “Resistamos” (B), “Acredite” (C) e “Coloque” (E). Como se lê no trecho da alternativa D: “Este é o certificado de termos chegado”, a locução “termos chegado” expressa um fato concluído (pretérito perfeito composto do indicativo), não uma ordem.

O comando pede que se assinale a alternativa em que NÃO se possa identificar o emprego de uma forma verbal no modo imperativo. Isso significa que devemos procurar a única opção em que nenhum verbo esteja flexionado no imperativo. O imperativo é um modo verbal que expressa ordem, pedido, conselho, súplica ou convite, e é formado a partir do presente do subjuntivo (para a 3ª pessoa) e do presente do indicativo (para a 2ª pessoa).

No texto-base, o autor usa o imperativo para dialogar diretamente com o leitor, como em “Confesse: você se considera totalmente do bem” e “Coloque uma lupa sobre o real”. Essas formas verbais são típicas do imperativo afirmativo, pois indicam uma orientação, um conselho. Já na alternativa D, a locução “termos chegado” é formada pelo verbo “ter” no infinitivo pessoal (flexionado na 1ª pessoa do plural) + particípio “chegado”, constituindo o pretérito perfeito composto do indicativo — um tempo que expressa um fato passado concluído, sem qualquer valor de ordem ou pedido.

A técnica para resolver essa questão é simples: identifique o valor semântico de cada forma verbal. Se a forma expressa ordem, pedido, conselho ou sugestão, está no imperativo. Se expressa certeza, fato, dúvida ou condição, está no indicativo ou subjuntivo. No caso da alternativa D, “termos chegado” indica uma constatação (chegamos à idade adulta), não uma ordem. As demais alternativas apresentam verbos no imperativo: “Confesse” (2ª pessoa do singular), “Resistamos” (1ª pessoa do plural), “Acredite” (3ª pessoa do singular) e “Coloque” (3ª pessoa do singular).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre locução verbal (ter + particípio) e forma verbal simples. “Termos chegado” parece um verbo no imperativo por causa da terminação, mas é um tempo composto do indicativo.

Modo imperativo
  • 1Valor semântico
    • Ordem
    • Pedido
    • Conselho
    • Sugestão
  • 2Formação
    • 2ª pessoa (tu) → presente do indicativo
    • 3ª pessoa (você) → presente do subjuntivo
  • 3Exemplos
    • Confesse
    • Resistamos
    • Acredite
    • Coloque
  • 4Não é imperativo
    • Locução verbal (ter + particípio)
      • Pretérito perfeito composto do indicativo
      • Ex.: termos chegado
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Alternativa A — ❌ Incorreta

“Confesse: você se considera totalmente do bem”.

O verbo “Confesse” está no imperativo afirmativo, 2ª pessoa do singular (tu). A forma “confesse” é a conjugação do verbo “confessar” no presente do subjuntivo, que serve de base para o imperativo. O valor é de ordem/pedido: o autor manda o leitor confessar. Portanto, há emprego de imperativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Resistamos a essa tendência, sem dúvida imatura”.

O verbo “Resistamos” está no imperativo afirmativo, 1ª pessoa do plural (nós). A forma “resistamos” é idêntica ao presente do subjuntivo, mas no contexto expressa um convite/sugestão — “vamos resistir”. Portanto, há emprego de imperativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Acredite, é péssimo despender energia”.

O verbo “Acredite” está no imperativo afirmativo, 3ª pessoa do singular (você). A forma “acredite” é a conjugação do verbo “acreditar” no presente do subjuntivo, usada no imperativo para dar um conselho. Portanto, há emprego de imperativo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Este é o certificado de termos chegado”.

A locução “termos chegado” é formada pelo verbo auxiliar “ter” no infinitivo pessoal (termos) + o verbo principal “chegado” no particípio. Essa estrutura constitui o pretérito perfeito composto do indicativo, que expressa um fato passado concluído. Não há nenhum valor de ordem, pedido ou conselho. Portanto, não há emprego de imperativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“Coloque uma lupa sobre o real”.

O verbo “Coloque” está no imperativo afirmativo, 3ª pessoa do singular (você). A forma “coloque” é a conjugação do verbo “colocar” no presente do subjuntivo, usada no imperativo para dar uma orientação. Portanto, há emprego de imperativo.

Conclusão: a única alternativa sem forma verbal no imperativo é a D, pois “termos chegado” é uma locução verbal no pretérito perfeito composto do indicativo. As demais apresentam verbos no imperativo (Confesse, Resistamos, Acredite, Coloque).

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o imperativo, pergunte: “a forma verbal expressa ordem, pedido, conselho ou sugestão?”. Se sim, é imperativo. Se expressa fato, certeza ou constatação, é indicativo.

Gabarito: letra D

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