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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — FUNDATEC 2023

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
qa498060
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref BVB
Ano
2023
Cargo
ACI ( )

Síndrome da quinta série

 

Por Mario Corso

 

Digo síndrome da quinta série apenas por ser a designação mais usada pelos cientistas. Há quem fale em doença, maldição, mistério, espectro. Não há consenso quanto à nomenclatura, já o fenômeno é bem descrito. Trata-se de uma escolha – consciente ou não – em estabilizar o próprio horizonte cognitivo na quinta série. Isto não significa que o sujeito não possa seguir até a universidade e além. O que está em jogo é “Idade Mental e Intelectual” de quinta série, também conhecida por IMI5ª.

 

Atenção, não confundir com HIMI5ª, a versão atenuada. Diz-se daqueles em que as sequelas atingem o Humor, apenas isso está travado na quinta série. São pessoas que se alteram com temas ao redor de partes íntimas do corpo, ou então fazendo bullying com quem é mais frágil. Em resumo, humor de quem recém descobriu o sexo, com a coragem de quem chuta cachorro morto.

 

Mas voltando à IMI5ª, qual sua essência? Os eruditos divergem, a hipótese mais aceita seria a de que o ideal democrático foi deturpado para fins não políticos. Neste caso: “a minha ignorância vale tanto quanto o seu conhecimento”. Ou seja, a opinião de qualquer um tem o mesmo peso que a de um especialista.

 

Pesquisadores franceses ressaltam a predominância do pensamento intuitivo sobre o científico. Exemplo, o terraplanismo é óbvio, senão as coisas do lado de baixo cairiam! E eles também sublinham o entendimento pela concretude da palavra. Exemplo, os nazistas seriam de esquerda, não pelo que acreditavam e por como agiam, mas por terem a palavra socialista no nome do partido.

 

Cientistas ingleses focam na generalização abusiva. Aqueles que refutam a ciência porque com o primo – ou tio, ou vizinho – foi diferente. Exemplo, meu vizinho teve covid e não deu nada, ele usou chá de guaco. Logo, covid é leve e se tivessem usado chá de guaco, não teria acontecido nada disso.

 

Para pesquisadores americanos, a questão está no conjunto das operações acima e ainda na incapacidade de usar mais do que duas variáveis. Para os IMI5ªs, as variáveis de um sistema não são as em que a realidade opera, mas as que ele tem na cabeça. Por exemplo, a Terra não está aquecendo porque o inverno foi frio. Além de ser contra-intuitivo, os outros termos da equação não existiriam.

 

A síndrome IMI5ª é insidiosa, onde menos se espera ela pode estar atuando. Desconfie de quem fala muito dela, ou tenta entender à  sua lógica, porque isso é muito quinta série.

 

(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/mario-corso/noticia/2023/07/sindrome-da-quinta-seriecljop0cfo00c80150bsazka1f. html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa na qual haja uma forma verbal no modo subjuntivo expressando uma possibilidade.
  1. A“sujeito não possa seguir até a universidade”.
  2. B“os nazistas seriam de esquerda”.
  3. C“meu vizinho teve covid e não deu nada”.
  4. D“não teria acontecido nada disso”.
  5. E“Desconfie de quem fala muito dela”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “sujeito não possa seguir até a universidade”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Modo subjuntivo: a forma que expressa possibilidade

Gabarito: letra A. A única forma verbal no modo subjuntivo com valor de possibilidade é “possa”, em “sujeito não possa seguir até a universidade”. O subjuntivo é o modo da dúvida, da hipótese, da incerteza — exatamente o que o enunciado pede. As demais alternativas trazem formas do indicativo (certeza/fato) ou do imperativo (ordem/pedido), como se prova abaixo.

O comando pede que você reconheça uma forma verbal no modo subjuntivo que expresse possibilidade. Isso é uma questão de morfologia verbal aplicada ao texto: você não precisa interpretar o sentido global do texto, apenas identificar a flexão de modo de cada verbo destacado. A palavra-chave é “possibilidade” — o subjuntivo, por definição, é o modo que expressa dúvida, hipótese, desejo, possibilidade, em oposição ao indicativo (certeza, fato) e ao imperativo (ordem, pedido).

No texto, a forma “possa” aparece na passagem:

“Isto não significa que o sujeito não possa seguir até a universidade e além.”

Aqui, o verbo poder está conjugado no presente do subjuntivo (que eu possa, que tu possas, que ele possa). O contexto é de possibilidade: o autor afirma que o sujeito pode (ou não) seguir até a universidade — não é um fato consumado, é uma eventualidade. Isso encaixa perfeitamente na definição do subjuntivo.

A técnica para resolver: identifique o modo de cada forma verbal e veja se ela expressa certeza (indicativo), ordem/pedido (imperativo) ou dúvida/possibilidade (subjuntivo). Desconfie de formas como “seriam” e “teria” — elas parecem subjuntivo, mas são futuro do pretérito do indicativo, que também expressa hipótese, mas pertence a outro modo. A banca adora essa pegadinha.

1Indicativo (certeza/fato)
Pretérito perfeito: teve, deu
Futuro do pretérito: seria, teria
2Subjuntivo (dúvida/possibilidade)
Presente: possa
3Imperativo (ordem/pedido)
Afirmativo: desconfie
Modos verbais
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Modos verbais: Indicativo (certeza/fato) (Pretérito perfeito: teve, deu, Futuro do pretérito: seria, teria); Subjuntivo (dúvida/possibilidade) (Presente: possa); Imperativo (ordem/pedido) (Afirmativo: desconfie)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Isto não significa que o sujeito não possa seguir até a universidade e além.”

“possa” é a 3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo do verbo poder. O contexto é de possibilidade: o autor diz que o sujeito pode (ou não) seguir até a universidade — não é um fato, é uma eventualidade. O subjuntivo é exatamente o modo da dúvida, da hipótese, da possibilidade. Por isso, é a resposta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“os nazistas seriam de esquerda”

“seriam” é o futuro do pretérito do indicativo (também chamado de condicional). Embora expresse uma hipótese (o autor está supondo o que os nazistas seriam), o modo é indicativo, não subjuntivo. A banca tenta confundir: o futuro do pretérito tem valor de condição/hipótese, mas pertence ao modo da certeza (indicativo). Portanto, não atende ao pedido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“meu vizinho teve covid e não deu nada”

“teve” e “deu” são formas do pretérito perfeito do indicativo — expressam fatos concluídos, certeza. Não há possibilidade, dúvida ou hipótese. É o modo indicativo puro. Portanto, incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“não teria acontecido nada disso”

“teria acontecido” é uma locução verbal formada pelo futuro do pretérito do indicativo do verbo ter + particípio. Expressa uma hipótese (o que não teria acontecido), mas o modo é indicativo, não subjuntivo. Mesma pegadinha da alternativa B: o valor semântico é de possibilidade, mas a forma é do indicativo. Incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Desconfie de quem fala muito dela”

“Desconfie” é a 3ª pessoa do singular do imperativo afirmativo — expressa ordem, conselho, pedido. Não é subjuntivo, nem expressa possibilidade. O imperativo é o modo da apelação, não da dúvida. Incorreta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre futuro do pretérito do indicativo (seriam, teria) e o subjuntivo. Ambos podem expressar hipótese, mas pertencem a modos diferentes. Fique atento: o subjuntivo é marcado por desinências como -e (possa, faça, queira) e costuma vir após “que” ou “se”.

PEGA ESSA DICA!

Para reconhecer o subjuntivo, pergunte: a forma verbal expressa certeza (indicativo), ordem (imperativo) ou dúvida/possibilidade (subjuntivo)? Se for dúvida, confira se a desinência é típica do subjuntivo (ex.: -a para verbos de 2ª conjugação, -e para 1ª).

Gabarito: letra A. A única forma no subjuntivo com valor de possibilidade é “possa”. As demais ou são indicativo (certeza/hipótese) ou imperativo (ordem).

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