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Questão de Português — Advérbio — Avança SP 2023

PortuguêsAdvérbio
Código
qa498566
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Americana
Ano
2023
Cargo
Aj Ger ( )

O que é a convergência linguística?

Laura Plitt

 

Não importa de onde você vem ou qual seu sotaque. Se você viajar para outro Estado, é muito provável que seu sotaque comece a ficar mais parecido com o jeito de falar local.

 

Para algumas pessoas, esse mimetismo acontece imediatamente — e sem querer — ao começar a conversar com uma pessoa de sotaque diferente, sem nem ao menos precisar viajar. Enquanto o jeito de falar da pessoa muda, o interlocutor pode ficar com a leve suspeita de que estão tirando sarro dele.

 

Mas a verdade é que quem imita sotaques inconscientemente provavelmente está sob o efeito de um fenômeno chamado convergência linguística — algo que, em menor ou maior grau, acontece com todos.

 

"Quando nos referimos à mudança de sotaque, à maneira como pronunciamos certas palavras, estamos falando de convergência fonética", explica Zuzana Erdösová, professora de linguística da Universidade Autônoma do Estado do México.

 

Mas, em geral, "não é apenas o sotaque que acabamos imitando quando ouvimos outras pessoas falarem, mas também adotamos seu léxico. Ou seja, as palavras típicas de um determinado grupo ou de uma determinada região."

 

Essa incorporação dos termos usados pelo outro, da forma como uma frase é articulada é o que chamamos de convergência linguística.

 

Enquanto a imitação do sotaque tende a ser um ato inconsciente, a adoção da estrutura gramatical (como usar a forma ativa ou passiva de um verbo, por exemplo) e o vocabulário que nosso interlocutor usa tende a ser uma escolha. Por quê?

 

As razões para a mudança de discurso são várias. Uma das razões está ligada à aceitação social, explica Erdösová.

 

"Dentro de cada sociedade prevalecem certas relações e hierarquias. Pessoas com maior consciência disso adaptam seu discurso para alcançar a aceitação."

 

"Se decido convergir com a forma como o outro fala, é porque busco integração e certo vínculo identitário", diz a pesquisadora.

 

Enquanto se fizer o contrário — o que se chama de divergência linguística — você está conscientemente marcando uma distância social entre si e o seu interlocutor.

 

Lacy Wade, professora de linguística da Universidade da Pensilvânia, concorda que as pessoas, consciente ou inconscientemente, mudam sua fala para mostrar proximidade com a outra pessoa.

 

"É uma maneira de dizer, 'Ei, eu sou como você!' É uma maneira de mostrar que você gosta da pessoa ou que quer que ela goste de você", afirma. "Mesmo que muitas vezes o fenômeno passe despercebido e não percebamos que estamos agindo assim, isso não significa que não seja um gesto socialmente motivado".

 

Ela explica que às vezes as pessoas percebem que estão mudando a maneira de falar no momento em que o fazem e depois continuam por notar um benefício social positivo.

 

Outra razão para a convergência está ligada ao nosso desejo de diálogo.

 

"Nós nos comunicamos melhor quando estamos em sincronia, quando usamos as mesmas palavras, porque entendemos melhor alguém que soa como nós", explica Wade. A sensação de falar "na mesma língua" nos ajuda a melhorar a interação.

 

Além disso, diz ela, a convergência é uma consequência cognitiva automática da compreensão da linguagem.

 

"Há pesquisas que indicam que, quando ouvimos alguém falar, armazenamos esses sons em nossa memória e esses sons influenciam nossa própria fala."

 

Curiosamente, também acontece que às vezes modificamos nossa maneira de falar não de acordo com o que ouvimos, necessariamente, mas com base em nossas expectativas sobre o que vamos ouvir.

 

"Muitas vezes estamos assumindo o correto, mas em muitas ocasiões nos baseamos em crenças e estereótipos", diz Wade em relação a imitações imprecisas e exageradas ou quando supomos que o outro é estrangeiro e não poderá nos entender, e falamos com ele pausadamente, em voz alta. Isso, diz ela, pode ser problemático mesmo quando o falante tem a melhor das intenções. [...]

 

PLITT, Laura. O que é a convergência linguística? Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-63558560. Acesso em 20 Nov 2022.

Texto

   

Em “Curiosamente, também acontece que às vezes modificamos nossa maneira de falar não de acordo com o que ouvimos, necessariamente, mas com base em nossas expectativas sobre o que vamos ouvir.”, o termo destacado é classificado como:

  1. Aadvérbio de afirmação.
  2. Badvérbio de modo.
  3. Cadvérbio de intensidade.
  4. Dconjunção explicativa.
  5. Econjunção conclusiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — advérbio de modo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação do Advérbio "Curiosamente"

Gabarito: letra B. O termo "Curiosamente" é classificado como advérbio de modo, pois expressa a circunstância de como a ação de "modificamos" é realizada — no caso, de maneira curiosa. A palavra termina em -mente, característica típica dos advérbios de modo, e modifica o verbo "modificamos", indicando a forma como essa ação ocorre.

"Curiosamente, também acontece que às vezes modificamos nossa maneira de falar..."

Aqui, "curiosamente" não indica afirmação, intensidade, nem exerce função de conjunção. Ele se liga diretamente ao verbo "modificamos", respondendo à pergunta "de que modo?" — de modo curioso. Essa é a essência do advérbio de modo: indicar a maneira como a ação verbal se realiza.

O Comando da Questão

A questão pede a classificação morfológica do termo destacado. Isso significa que devemos identificar a classe gramatical e, no caso dos advérbios, a sua subdivisão semântica (modo, tempo, intensidade, afirmação etc.). Não se trata de interpretação de texto, mas de análise morfológica aplicada a um trecho específico.

O Contexto no Texto

No trecho, o autor discute como às vezes modificamos nossa fala não com base no que ouvimos, mas com base em expectativas. O advérbio "curiosamente" abre a frase, funcionando como um modalizador afetivo: expressa a opinião do autor sobre o fato — ele acha curioso que isso aconteça. Essa função de avaliação do falante é típica dos advérbios de modo terminados em -mente, como "felizmente", "infelizmente", "surpreendentemente".

A Regra dos Advérbios de Modo

Advérbios de modo indicam como a ação é realizada. A maioria termina em -mente (rapidamente, calmamente, curiosamente) e modifica verbos, adjetivos ou outros advérbios. No caso, "curiosamente" modifica o verbo "modificamos", acrescentando a circunstância de modo.

Análise das Alternativas

1Classificação
Advérbio de modo
Termina em -mente
Modifica o verbo "modificamos"
2Função no texto
Indica como a ação ocorre
Responde a "de que modo?"
Modalizador afetivo (opinião do autor)
3Não é
Advérbio de afirmação
Advérbio de intensidade
Conjunção explicativa
Conjunção conclusiva
Advérbio "Curiosamente"
LEVELsoulevel.com.br
Advérbio "Curiosamente": Classificação (Advérbio de modo, Termina em -mente, Modifica o verbo "modificamos"); Função no texto (Indica como a ação ocorre, Responde a "de que modo?", Modalizador afetivo (opinião do autor)); Não é (Advérbio de afirmação, Advérbio de intensidade, Conjunção explicativa, Conjunção conclusiva)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Advérbio de afirmação — Errado. Advérbios de afirmação são "sim", "certamente", "realmente", que confirmam ou asseveram algo. "Curiosamente" não afirma nada; expressa uma avaliação sobre o modo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Advérbio de modo — Correto. "Curiosamente" indica a maneira como a ação de modificar a fala acontece: de forma curiosa. É um advérbio de modo terminado em -mente, modificando o verbo "modificamos".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Advérbio de intensidade — Errado. Advérbios de intensidade (muito, pouco, bastante) indicam grau ou força. "Curiosamente" não intensifica nada; apenas qualifica o modo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Conjunção explicativa — Errado. Conjunções explicativas (pois, porque, que) ligam orações estabelecendo relação de explicação. "Curiosamente" não conecta orações; é um termo isolado que modifica o verbo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Conjunção conclusiva — Errado. Conjunções conclusivas (logo, portanto, então) indicam conclusão. "Curiosamente" não tem função conectiva; é um advérbio.

Fechamento

A chave para acertar é reconhecer que advérbios de modo respondem à pergunta "como?" e frequentemente terminam em -mente. "Curiosamente" responde a "como modificamos nossa fala?" — de modo curioso. As demais alternativas tentam atrair para outras classificações, mas nenhuma se sustenta diante da função clara de modo.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar um advérbio, pergunte: "qual circunstância ele expressa?" Se responder a "como?", é de modo; se a "quando?", é de tempo; se a "quanto?", é de intensidade.

Gabarito: letra B

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