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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — Instituto Consulplan 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa498595
Banca
Instituto Consulplan
Órgão
MPE MG
Ano
2023
Cargo
Of MP ( )

Conceitos da vida cotidiana

 

A metáfora é, para a maioria das pessoas, um recurso da imaginação poética e um ornamento retórico – é mais uma questão de linguagem extraordinária do que de linguagem ordinária. Mais do que isso, a metáfora é usualmente vista como uma característica restrita à linguagem, uma questão mais de palavras do que de pensamento ou ação. Por essa razão, a maioria das pessoas acha que pode viver perfeitamente bem sem a metáfora. Nós descobrimos, ao contrário, que a metáfora está infiltrada na vida cotidiana, não somente na linguagem, mas também no pensamento e na ação. Nosso sistema conceptual ordinário, em termos do qual não só pensamos, mas também agimos, é fundamentalmente metafórico por natureza.

 

Os conceitos que governam nosso pensamento não são meras questões do intelecto. Eles governam também a nossa atividade cotidiana até nos detalhes mais triviais. Eles estruturam o que percebemos, a maneira como nos comportamos no mundo e o modo como nos relacionamos com outras pessoas. Tal sistema conceptual desempenha, portanto, um papel central na definição de nossa realidade cotidiana.

 

Para dar uma ideia de como um conceito pode ser metafórico e estruturar uma atividade cotidiana, comecemos pelo conceito de DISCUSSÃO e pela metáfora conceitual DISCUSSÃO É GUERRA. Essa metáfora está presente em nossa linguagem cotidiana numa grande variedade de expressões: seus argumentos são indefensáveis; ele atacou todos os pontos da minha argumentação; e, destruí sua argumentação.

 

É importante perceber que não somente falamos sobre discussão em termos de guerra. Podemos realmente ganhar ou perder uma discussão. Vemos as pessoas com quem discutimos como um adversário. Atacamos suas posições e defendemos as nossas. Planejamos e usamos estratégias. Se achamos uma posição indefensável, podemos abandoná-la e colocar- nos numa linha de ataque. Muitas das coisas que fazemos numa discussão são parcialmente estruturadas pelo conceito de guerra.

 

Esse é um exemplo do que queremos dizer quando afirmamos que um conceito metafórico estrutura (pelo menos parcialmente) o que fazemos quando discutimos, assim como a maneira pela qual compreendemos o que fazemos.

 

(LAKOFF, G. & JOHNSON, M. Texto adaptado de Metáforas da vida cotidiana. Campinas: Mercado de Letras; São Paulo: Educ., 2002, p. 45- 47.)

Texto para responder à questão.

   

Reconhecendo-se a função exercida pelo emprego do travessão em “[...] um recurso da imaginação poética e um ornamento retórico – é mais uma questão de linguagem extraordinária do que de linguagem ordinária.” (1º§), assinale a afirmativa correta.

  1. ASua substituição por dois pontos manteria a correção original.
  2. BSua função equivale à função das vírgulas empregadas no mesmo período.
  3. CPoderia ser substituído pelo ponto, já que a estrutura seguinte trata-se de um novo tópico frasal.
  4. DPossui indicativo de carga semântica negativa, já que estabelece a separação entre ideias que vão de encontro umas às outras.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Sua substituição por dois pontos manteria a correção original.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O travessão e a função de introduzir explicação

Gabarito: letra A. O travessão em "[...] um ornamento retórico – é mais uma questão de linguagem extraordinária do que de linguagem ordinária." introduz uma explicação/esclarecimento sobre o que foi dito antes, e os dois-pontos exercem exatamente essa função de anteceder explicação. A substituição mantém a correção e o sentido originais, como se lê no trecho citado.

O comando pede que se reconheça a função do travessão e se assinale a afirmativa correta sobre ele. Isso é uma questão de pontuação e sentido: não basta saber o nome do sinal, é preciso entender o que ele faz no texto — que relação estabelece entre as partes do período. A banca testa se o candidato percebe que o travessão, aqui, não marca fala de personagem nem isola uma expressão intercalada, mas sim anuncia uma explicação.

No trecho, o autor afirma que a metáfora é "um recurso da imaginação poética e um ornamento retórico" e, em seguida, explica o que isso significa: "é mais uma questão de linguagem extraordinária do que de linguagem ordinária". O travessão separa a afirmação inicial da explicação que a detalha. Os dois-pontos têm exatamente esse valor: anteceder uma explicação, enumeração ou citação. Por isso, a troca é possível sem prejuízo.

A técnica para resolver: identifique a relação semântica que o sinal estabelece. Se o travessão introduz explicação, os dois-pontos são equivalentes. Se introduz fala, não. Se isola uma expressão intercalada, também não. Aqui, a relação é de esclarecimento — e é isso que a alternativa A captura.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver travessão, pergunte-se: "o que vem depois dele?" Se for uma explicação do que veio antes, os dois-pontos são substitutos perfeitos. Se for fala de personagem, não.

1Funções
Introduz fala
Isola intercalada
Introduz explicação
2Equivalente
Dois-pontos
3Não equivalente
Vírgula (enumeração)
Ponto (novo período)
Travessão
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Travessão: Funções (Introduz fala, Isola intercalada, Introduz explicação); Equivalente (Dois-pontos); Não equivalente (Vírgula (enumeração), Ponto (novo período))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. O travessão, no trecho, introduz uma explicação sobre o que foi dito: a metáfora é "um recurso da imaginação poética e um ornamento retórico" — e o que isso quer dizer é que ela é "mais uma questão de linguagem extraordinária do que de linguagem ordinária". Os dois-pontos têm exatamente essa função de anteceder explicação, como em "Ela só queria isto: ser aprovada no concurso". Portanto, a substituição mantém a correção e o sentido originais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. As vírgulas empregadas no mesmo período têm função de separar termos de uma mesma função sintática (enumeração: "um recurso da imaginação poética e um ornamento retórico"), enquanto o travessão tem função de introduzir explicação. São funções distintas — a vírgula não poderia substituir o travessão sem alterar o sentido, pois não anuncia esclarecimento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. O trecho após o travessão não é um novo tópico frasal, mas uma explicação do que foi dito antes. Substituir o travessão por ponto criaria um período independente, quebrando a relação de esclarecimento e alterando o sentido. O ponto final encerra uma frase declarativa; aqui, a estrutura exige continuidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta. O travessão não possui carga semântica negativa nem estabelece separação entre ideias que se opõem. Pelo contrário, ele introduz uma explicação que complementa a ideia anterior, sem qualquer valor de oposição. A alternativa confunde a função do sinal com um valor semântico que ele não tem no contexto.

Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a letra A, pois o travessão introduz explicação, função que os dois-pontos também exercem. As demais ou atribuem função errada ao sinal (B, D) ou propõem substituição que altera o sentido (C).

Gabarito: letra A

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