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Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — FUNDATEC 2023

PortuguêsQuestões Mescladas de Sintaxe
Código
qa498695
Banca
FUNDATEC
Órgão
CM Cachoeira do Sul
Ano
2023
Cargo
AC (CM Cachoeira S)

A inveja é inútil

 

Por Fabrício Carpinejar

 

Inveja é emoção jogada fora, atenção desperdiçada. É tempo inútil. Você sacrificará a sua vida inteira cobiçando o sucesso alheio e desmerecendo as suas competências.

 

Pense comigo. O que traz felicidade para você não trará necessariamente para o próximo. Você pode encontrar prazer em tomar café forte, sem açúcar, devagar, aos goles pausados, sentado na mesa, segurando a xícara quente entre as mãos, olhando a paisagem. Já o outro beberica de pé, correndo, sem degustar. Para ele, é apenas um café para acordar, um shot de ânimo; para você, é um café para refletir, um instrumento de bem-estar.

 

O que o comove talvez não comova o outro. O que lhe agrada não é certo que vai agradar ao outro. Felicidade é individual. Não tem como emprestar. As pessoas se arrepiam por motivos diferentes e de jeitos particulares. Talvez você tenha contentamento em arrumar a casa e deixá-la em ordem, com objetos alinhados, à vista. O outro encontra satisfação em acumular as roupas sobre a cama e não se importar com a simetria. Não há como dizer quem é mais feliz.

 

O que o torna feliz pode tornar o outro triste, e vice-versa. Tem gente que coloca a cabeça para fora da janela do carro na estrada e berra de euforia. Tem gente que acha que isso é perigoso e infantil. Logo, não há como sentir inveja. Ela é impossível e impraticável, porque a realidade de satisfação é personalizada. Nossos prazeres são customizados pelas experiências. Predomina o valor espiritual acima do material. Quem perdeu uma avó guardará o escapulário dela como um tesouro e não o trocará por nada no mundo. Já aquele que não atravessou o luto de um ente querido não entenderá o apego a um colar de corda com a imagem de um santo.

 

Querer ser como outro é um desejo postiço, pois você jamais conseguirá abdicar de sua peculiar sensibilidade. Apesar de uma vida emprestada com luxos e benesses, suas dores continuarão sendo suas dores, seus medos continuarão sendo seus medos, seus arrebatamentos continuarão sendo seus arrebatamentos. Se assumir uma biografia distinta da sua, por acreditar que ela é mais promissora, ainda a colocará sob os efeitos de sua história afetiva. Ou seja, vai aclimatá-la de acordo com o que é capaz de compreender.

 

A fórmula de sucesso de uma personalidade não se replica. Cada um possui o que suporta e o que necessita. O que adianta uma multidão de fãs se o seu maior propósito é se isolar, saborear a paz e não ser incomodado? Felicidade é roupa feita sob medida, por alfaiataria. Não tem como passar adiante.

 

Eu acredito, resumindo a existência, que felicidade é simplesmente ter vontade. Tudo o que você realiza com vontade resultará em alegria. Trabalho com vontade, amor com vontade, amizade com vontade, família com vontade: eis a imunidade completa diante de qualquer inveja.

 

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2023/01/a-inveja-e-inutil

cld4wqw5o00ah0181syvaxipj. html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise as assertivas abaixo relacionadas ao seguinte trecho adaptado do texto: “O outro beberica o café às pressas”, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

 

(   ) O sujeito presente no fragmento é classificado como simples.

 

(   ) O verbo “beberica” é classificado como Verbo Transitivo Direto e Indireto (VTDI).

 

(   ) A expressão “o café” representa o complemento verbal denominado Objeto Direto (OD).

 

(   ) O fragmento não possui adjunto adnominal do sujeito.

 

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

  1. AV – V – F – F.
  2. BF – V – F – V.
  3. CV – F – V – V.
  4. DF – V – F – F.
  5. EV – F – V – F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — V – F – V – F.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise sintática do fragmento: sujeito, transitividade e complementos

Gabarito: letra E (V – F – V – F). A questão pede a análise sintática do trecho adaptado “O outro beberica o café às pressas”. A primeira assertiva é verdadeira (sujeito simples: “O outro”), a segunda é falsa (o verbo “beberica” é transitivo direto, não VTDI), a terceira é verdadeira (“o café” é objeto direto) e a quarta é falsa (há adjunto adnominal: o artigo “o” em “o café”). A sequência correta é V – F – V – F, exatamente a letra E.

O comando

O enunciado pede que você analise sintaticamente um fragmento específico do texto: “O outro beberica o café às pressas”. Não se trata de interpretação de sentido, mas de gramática aplicada ao trecho: identificar o tipo de sujeito, a transitividade do verbo, o complemento verbal e a presença de adjunto adnominal. Cada assertiva deve ser julgada como verdadeira (V) ou falsa (F) com base na estrutura sintática da oração.

O texto e o fragmento

No texto original, o trecho aparece assim: “Já o outro beberica de pé, correndo, sem degustar.” A questão o adapta para “O outro beberica o café às pressas”, acrescentando o objeto direto “o café” e o adjunto adverbial “às pressas”. Essa adaptação é essencial: ela cria uma oração com sujeito, verbo transitivo direto, objeto direto e adjunto adverbial — exatamente os elementos que as assertivas exploram.

A técnica que decide

Para resolver, você precisa dominar três conceitos básicos de sintaxe:

  1. Sujeito simples: é aquele que possui um único núcleo. Em “O outro”, o núcleo é o pronome substantivo “outro” (acompanhado do artigo “o”). Como há apenas um núcleo, o sujeito é simples.

  2. Transitividade verbal: o verbo “bebericar” exige apenas um complemento, sem preposição — “bebericar algo”. Isso o classifica como Verbo Transitivo Direto (VTD), não como VTDI (que exigiria dois complementos: um direto e um indireto, como “dar algo a alguém”).

  3. Objeto direto: é o complemento verbal sem preposição obrigatória. “o café” completa o sentido de “beberica” diretamente, sendo o objeto direto.

  4. Adjunto adnominal: é o termo que caracteriza ou determina um substantivo, como artigos, pronomes adjetivos e adjetivos. Em “o café”, o artigo “o” é adjunto adnominal de “café”. Portanto, o fragmento possui adjunto adnominal.

O gancho

A pegadinha central está na segunda assertiva: muitos candidatos confundem “bebericar” com um verbo que pede dois complementos, mas ele é claramente transitivo direto. Teste cada assertiva perguntando: “o que o verbo exige para completar seu sentido?” Se exige um complemento sem preposição, é VTD; se exige dois (um com e um sem preposição), é VTDI. Essa pergunta resolve a questão.

1Sujeito
"O outro"
Simples (um núcleo)
2Verbo "beberica"
Transitivo direto (VTD)
Não é VTDI
3Complemento verbal
"o café"
Objeto direto
4Adjunto adnominal
Artigo "o" em "o café"
Presente no fragmento
Análise sintática do fragmento
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Análise sintática do fragmento: Sujeito ("O outro", Simples (um núcleo)); Verbo "beberica" (Transitivo direto (VTD), Não é VTDI); Complemento verbal ("o café", Objeto direto); Adjunto adnominal (Artigo "o" em "o café", Presente no fragmento)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A sequência V – V – F – F erra na segunda assertiva (afirma que o verbo é VTDI) e na terceira (nega que “o café” seja objeto direto). O verbo “beberica” é transitivo direto, pois exige apenas um complemento sem preposição: “bebericar algo”. E “o café” é exatamente esse complemento, o objeto direto. A alternativa contradiz a análise correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A sequência F – V – F – V erra na primeira assertiva (diz que o sujeito não é simples), na segunda (afirma VTDI) e na quarta (diz que não há adjunto adnominal). O sujeito “O outro” tem um único núcleo (“outro”), logo é simples. O verbo é VTD, não VTDI. E o artigo “o” em “o café” é adjunto adnominal. A alternativa falha em três pontos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sequência V – F – V – V erra apenas na quarta assertiva (afirma que não há adjunto adnominal). O fragmento possui adjunto adnominal: o artigo “o” em “o café” determina o substantivo “café”. A alternativa acerta as três primeiras, mas falha na última.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A sequência F – V – F – F erra na primeira assertiva (diz que o sujeito não é simples), na segunda (afirma VTDI) e na terceira (nega o objeto direto). O sujeito é simples, o verbo é VTD e “o café” é objeto direto. A alternativa contradiz a análise em três pontos.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência V – F – V – F é a única inteiramente correta:

  • V — O sujeito “O outro” é simples, pois tem um único núcleo (“outro”).

  • F — O verbo “beberica” é transitivo direto (VTD), não VTDI, pois exige apenas um complemento sem preposição.

  • V — “o café” é o objeto direto, complemento verbal sem preposição.

  • F — O fragmento possui adjunto adnominal: o artigo “o” em “o café”.

PEGA ESSA DICA!

Para classificar a transitividade, pergunte: “o verbo exige complemento? com ou sem preposição? quantos?”. “Bebericar algo” exige um complemento sem preposição → VTD. Se exigisse dois (ex.: “dar algo a alguém”), seria VTDI.

Gabarito: letra E

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