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Questão de Português — Conjunção — FUNDATEC 2023

PortuguêsConjunção
Código
qa498726
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Santa Rosa
Ano
2023
Cargo
Prof (Pref Sta Rosa)

O fim da escola

 

Por Gilberto Dimenstein

 

Daqui a 25 anos, o que hoje é óbvio para poucos será senso comum: a escola como a conhecemos, transmissora de conteúdos avaliados por testes, será encarada como um sinal de educação de baixa qualidade.

 

Pelo menos para os filhos da elite, capazes de pagar mensalidades maiores, a escola que avalia o aluno em provas, cobrando a memorização, já terá deixado de existir. Entrar nas melhores faculdades só vai exigir capacidade de raciocínio e de associar informações. Por isso, o ensino de artes e filosofia ganhará espaço nobre.

 

O fim da escola que aí está implicará professores treinados para atuarem como facilitadores, transitando em várias esferas do conhecimento. As matérias não estarão presas ao currículo definido no ano anterior, mas ao calor do cotidiano.

 

Os conteúdos estarão ainda mais disponíveis em meios eletrônicos, permitindo, graças à interatividade, que se aprenda em qualquer lugar e a qualquer hora; receber ajuda pelo computador será tão comum quanto estar numa sala de aula real.

 

A escola útil para preparar o jovem ao mercado de trabalho só sobreviverá se puder ajudar o aluno a gerir a enxurrada de dados e a se tornar um pesquisador permanente. Devido à enorme quantidade de dados disponível, a sociedade será mais escolarizada, a começar das empresas, nas quais o fundamental será produzir, administrar e transmitir inovações a seus funcionários. Cinemas, teatros, exposições, museus e centros culturais terão fortes núcleos educativos para a formação do público.

 

O mestre terá uma função que vai lembrar o orientador de uma tese de doutorado; portanto, a escola não mais será dividida em séries estanques, será um espaço sem salas de aula, onde os alunos transitarão com suas dúvidas e curiosidades. Terá um ar de centro cultural.

 

O educador e o comunicador tendem a se aproximar: afinal, o professor terá de tirar proveito dos fatos em tempo real e encaixá-los nas áreas de ciências humanas, biológicas ou exatas.

 

Para manter seus leitores, ouvintes e telespectadores, a imprensa também vai se aproximar da educação. Não vai apenas transmitir ou interpretar informações, mas, com o auxílio de recursos tecnológicos, oferecerá salas de aula virtuais e até presenciais para ajudar no entendimento dos fatos. Terá surgido uma nova linguagem (e uma nova profissão), misturando didática com comunicação.

 

O ensino superior será redefinido para atender à essa demanda. O diploma só terá importância se o seu portador enriquecê-lo não apenas com novos diplomas, mas com experiências profissionais.

 

Daqui a 25 anos, o que já é óbvio para muitos não será mais discutido: os níveis de inovação tecnológica e de mudança veloz dos fazeres e saberes profissionais não mais permitirão que o estudante deixe de ser estudante.

 

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/gilberto/

gd290703b.htm – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica o sentido conferido ao trecho pelo emprego da conjunção “mas”.
  1. AOposição de ideias.
  2. BAdição de ideias.
  3. CExplicação de ideias.
  4. DAlternância de ideias.
  5. EConclusão de ideias.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Adição de ideias.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O sentido da conjunção "mas" no texto

Gabarito: letra B. No trecho, o "mas" não estabelece oposição entre as ideias, mas sim adição: ele soma uma informação à anterior, funcionando como um "e". A passagem que comprova isso é:

"Não vai apenas transmitir ou interpretar informações, mas, com o auxílio de recursos tecnológicos, oferecerá salas de aula virtuais e até presenciais para ajudar no entendimento dos fatos."

Aqui, a segunda oração não contraria a primeira; ela acrescenta uma nova ação (oferecer salas de aula virtuais) à ação de transmitir/interpretar. O "mas" está ligado ao "não apenas", formando a correlação aditiva "não apenas... mas (também)", típica de adição.

O comando da questão

A questão pede que você identifique o sentido conferido ao trecho pelo emprego da conjunção "mas". Isso é uma tarefa de semântica contextual: não basta saber que "mas" é, em geral, adversativa; é preciso analisar como ela funciona naquele trecho específico. A banca quer que você perceba que o valor da conjunção pode variar conforme o contexto.

O texto e o movimento argumentativo

O texto "O fim da escola" projeta um futuro em que a escola tradicional desaparece. No trecho em questão, o autor fala sobre a imprensa: ela não vai apenas transmitir informações, mas também vai oferecer salas de aula virtuais. A ideia é de acréscimo: a imprensa fará algo a mais, não algo contrário. Se fosse oposição, teríamos algo como "não vai transmitir, mas vai deixar de transmitir" — o que não ocorre.

A técnica que decide

A conjunção "mas" é, por excelência, adversativa (oposição). Porém, quando vem acompanhada de "não apenas", "não só", "não somente", ela forma uma correlação aditiva, equivalente a "e também". O contexto é o que define o valor semântico. Veja a diferença:

Estrutura

Valor

Exemplo

"mas" sozinho

Oposição

"Estudou, mas não passou."

"não apenas... mas"

Adição

"Não apenas estuda, mas trabalha."

No trecho, a estrutura é exatamente a segunda: "não apenas transmitir... mas oferecerá". A segunda oração soma uma ação à primeira, sem qualquer ideia de contraste.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Oposição de ideias. É o valor mais comum do "mas", mas não o que ocorre aqui. Se houvesse oposição, a segunda oração contrariaria a primeira (ex.: "não vai transmitir, mas vai omitir"). No texto, a segunda oração acrescenta uma ação, não a contrapõe. A banca explora o conhecimento prévio do candidato, que associa "mas" automaticamente à adversidade — mas o contexto manda.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Adição de ideias. A correlação "não apenas... mas" é clássica de adição. O trecho "Não vai apenas transmitir ou interpretar informações, mas... oferecerá salas de aula virtuais" mostra que a imprensa fará duas coisas: transmitir/interpretar e oferecer salas virtuais. O "mas" aqui equivale a "e também", somando informações. A passagem é a prova direta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Explicação de ideias. A conjunção explicativa típica é "porque", "pois" (antes do verbo), "porquanto". No trecho, a segunda oração não justifica a primeira; ela acrescenta uma ação. Não há relação de causa e consequência, apenas de soma.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Alternância de ideias. A alternância é marcada por "ou... ou", "ora... ora", "já... já". No trecho, não há escolha entre duas ações; há acréscimo de uma ação à outra. A imprensa fará ambas, não uma ou outra.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Conclusão de ideias. A conclusão é marcada por "logo", "portanto", "pois" (depois do verbo). No trecho, a segunda oração não é uma conclusão da primeira; ela é uma informação adicional. Não há relação de consequência lógica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta no reflexo do candidato de associar "mas" a oposição. A armadilha é a generalização indevida: aplicar o valor mais comum sem analisar o contexto. A correlação "não apenas... mas" é a chave para desarmar.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "mas" em uma questão, verifique se há "não apenas", "não só", "não somente" antes. Se houver, o valor é de adição, não de oposição. Essa correlação é um padrão recorrente em provas.

Gabarito: letra B. A conjunção "mas" no trecho tem valor aditivo, pois soma a ação de oferecer salas de aula virtuais à de transmitir informações, sem qualquer ideia de contraste.

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