Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — FUNDATEC 2023

PortuguêsTermos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
qa498733
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Santa Rosa
Ano
2023
Cargo
Prof (Pref Sta Rosa)

O fim da escola

 

Por Gilberto Dimenstein

 

Daqui a 25 anos, o que hoje é óbvio para poucos será senso comum: a escola como a conhecemos, transmissora de conteúdos avaliados por testes, será encarada como um sinal de educação de baixa qualidade.

 

Pelo menos para os filhos da elite, capazes de pagar mensalidades maiores, a escola que avalia o aluno em provas, cobrando a memorização, já terá deixado de existir. Entrar nas melhores faculdades só vai exigir capacidade de raciocínio e de associar informações. Por isso, o ensino de artes e filosofia ganhará espaço nobre.

 

O fim da escola que aí está implicará professores treinados para atuarem como facilitadores, transitando em várias esferas do conhecimento. As matérias não estarão presas ao currículo definido no ano anterior, mas ao calor do cotidiano.

 

Os conteúdos estarão ainda mais disponíveis em meios eletrônicos, permitindo, graças à interatividade, que se aprenda em qualquer lugar e a qualquer hora; receber ajuda pelo computador será tão comum quanto estar numa sala de aula real.

 

A escola útil para preparar o jovem ao mercado de trabalho só sobreviverá se puder ajudar o aluno a gerir a enxurrada de dados e a se tornar um pesquisador permanente. Devido à enorme quantidade de dados disponível, a sociedade será mais escolarizada, a começar das empresas, nas quais o fundamental será produzir, administrar e transmitir inovações a seus funcionários. Cinemas, teatros, exposições, museus e centros culturais terão fortes núcleos educativos para a formação do público.

 

O mestre terá uma função que vai lembrar o orientador de uma tese de doutorado; portanto, a escola não mais será dividida em séries estanques, será um espaço sem salas de aula, onde os alunos transitarão com suas dúvidas e curiosidades. Terá um ar de centro cultural.

 

O educador e o comunicador tendem a se aproximar: afinal, o professor terá de tirar proveito dos fatos em tempo real e encaixá-los nas áreas de ciências humanas, biológicas ou exatas.

 

Para manter seus leitores, ouvintes e telespectadores, a imprensa também vai se aproximar da educação. Não vai apenas transmitir ou interpretar informações, mas, com o auxílio de recursos tecnológicos, oferecerá salas de aula virtuais e até presenciais para ajudar no entendimento dos fatos. Terá surgido uma nova linguagem (e uma nova profissão), misturando didática com comunicação.

 

O ensino superior será redefinido para atender à essa demanda. O diploma só terá importância se o seu portador enriquecê-lo não apenas com novos diplomas, mas com experiências profissionais.

 

Daqui a 25 anos, o que já é óbvio para muitos não será mais discutido: os níveis de inovação tecnológica e de mudança veloz dos fazeres e saberes profissionais não mais permitirão que o estudante deixe de ser estudante.

 

(Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/gilberto/

gd290703b.htm – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica o número do termo sublinhado (inserido imediatamente depois dele) que NÃO exerce a função sintática de adjunto adverbial:

 

“Daqui a 25 anos (1), o que já (2) é óbvio para muitos (3) não (4) será mais (5) discutido”.

  1. A1.
  2. B2.
  3. C3.
  4. D4.
  5. E5.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — 3.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Resolução

Gabarito: letra C — a conta chega a O termo que NÃO é adjunto adverbial é o de número 3, 'para muitos' — alternativa C..

A ideia por trás

Adjunto adverbial é o termo que acrescenta uma circunstância ao verbo, ao adjetivo ou a outro advérbio — tempo, lugar, modo, causa, intensidade, negação etc. Ele é acessório: pode ser retirado da frase sem que ela perca o sentido básico. Complemento nominal, por outro lado, é o termo que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) que exige complemento — é integrante, e sua retirada deixa a frase incompleta.

A diferença prática está na pergunta que o termo responde. Se responde a 'quando?', 'onde?', 'como?', 'por quê?', 'quanto?' etc., modificando o verbo, é adjunto adverbial. Se completa o sentido de um adjetivo ou substantivo, respondendo a 'de quê?', 'para quem?', 'em relação a quê?', é complemento nominal. Por exemplo, em 'estou feliz com você', 'com você' é complemento nominal de 'feliz', pois feliz exige um complemento; já em 'falei com você', 'com você' é adjunto adverbial de companhia, pois 'falei' não exige complemento.

Esta questão pede para identificar a exceção: quatro termos são adjuntos adverbiais e um é complemento nominal. A pista está no adjetivo 'óbvio', que exige um complemento para ter sentido completo — algo é óbvio para alguém.

O que a questão dá

  • oração: 'Daqui a 25 anos (1), o que já (2) é óbvio para muitos (3) não (4) será mais (5) discutido'

  • termos sublinhados numerados de 1 a 5

O que queremos: o número do termo que NÃO exerce função de adjunto adverbial

Passo 1 — Analisar o termo 1: 'Daqui a 25 anos'

Começamos pelo primeiro termo sublinhado para verificar se ele é adjunto adverbial. 'Daqui a 25 anos' indica uma circunstância de tempo — responde a 'quando?'. Ele modifica o verbo 'será discutido', acrescentando quando isso acontecerá. Como é uma circunstância acessória, é adjunto adverbial.

adjunto adverbial de tempo

NÃO CAIA NESSA!

Confundir com complemento nominal por ter preposição 'a' — mas aqui a preposição é parte da locução adverbial de tempo, não introduz complemento de um nome.

Passo 2 — Analisar o termo 2: 'já'

O segundo termo é o advérbio 'já'. Advérbios de tempo como 'já', 'ainda', 'agora' são tipicamente adjuntos adverbiais, pois modificam o verbo indicando quando. Aqui, 'já' modifica 'é', indicando que algo ocorre antes do esperado. É adjunto adverbial.

adjunto adverbial de tempo

NÃO CAIA NESSA!

Pensar que 'já' é pronome ou outra classe — é advérbio, e advérbio de tempo é adjunto adverbial.

Passo 3 — Analisar o termo 3: 'para muitos'

Agora o termo decisivo. 'Para muitos' vem depois do adjetivo 'óbvio'. A pergunta que ele responde é 'óbvio para quem?', não 'quando?', 'onde?' ou 'como?'. Isso indica que ele completa o sentido do adjetivo, não modifica o verbo. Por isso é complemento nominal, não adjunto adverbial.

complemento nominal

NÃO CAIA NESSA!

Achar que toda locução prepositiva é adjunto adverbial — mas 'para muitos' não indica circunstância, e sim o alvo do adjetivo 'óbvio'.

Passo 4 — Analisar o termo 4: 'não'

O quarto termo é o advérbio de negação 'não'. Ele modifica o verbo 'será discutido', negando a ação. Negação é uma circunstância, e advérbios de negação são adjuntos adverbiais. Portanto, é adjunto adverbial.

adjunto adverbial de negação

NÃO CAIA NESSA!

Confundir 'não' com partícula de negação que não é termo — mas em análise sintática, 'não' é adjunto adverbial.

Passo 5 — Analisar o termo 5: 'mais'

O último termo é o advérbio 'mais'. Ele modifica o verbo 'será discutido', indicando intensidade ou tempo (não será mais discutido = não será discutido novamente). Advérbios de intensidade ou tempo são adjuntos adverbiais. Portanto, é adjunto adverbial.

adjunto adverbial de intensidade/tempo

NÃO CAIA NESSA!

Pensar que 'mais' é pronome indefinido — aqui é advérbio, pois modifica o verbo, não um substantivo.

Resposta: O termo que NÃO é adjunto adverbial é o de número 3, 'para muitos' — alternativa C.

Link permanente: /questoes/qa498733