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Questão de Português — Crase — FUNDATEC 2023

PortuguêsCrase
Código
qa498737
Banca
FUNDATEC
Órgão
Pref Santa Rosa
Ano
2023
Cargo
Prof (Pref Sta Rosa)

Quais as várias formas de entender os acertos e as crises da escola assim como da educação formal?

 

A crise da escola se deve a ela não ser universal (nem todos estão nela)? De que não há condições de trabalho para alunos e professores? Ou a crise é evidenciada pelo fato de que não se está aprendendo adequadamente ou sobre sua falta de sentido? Qual é a dimensão de educação que se está desenvolvendo na escola? A quem servem as relações que se estabelecem na escola? O que a escola vem fazendo pela tecnologia, para que ela se torne humana e com sentido social?

 

Embora possa parecer que as frases acima são de efeito meramente lógico, elas parecem importantes como forma de mudar o rumo da conversa: a pergunta a ser feita não é “o que as modernas tecnologias podem fazer pela escola, mas o que a escola pode fazer para educar as tecnologias? Ou o que a escola pode fazer pelas redes sociais?”

 

A perspectiva da vigilância e as fake news criadas nas redes sociais vão trazer uma dimensão assustadora à inocência e ao descuido com que todos nós nos debruçamos sobre o uso das TICs em nossas casas e escolas. Esse é um dos efeitos da escola como rede. Rede como ‘prisão’, como enredamento para um mundo questionável. Tudo vai acontecendo sem percebermos os imensos e refinados dados que estamos entregando para o uso de um controle que cria um novo e difuso Estado transnacional de controle assentido. É uma pandemia envenenadora com que o vírus da abertura de todos os dados íntimos são entregues irresponsavelmente a um grande irmão que se estende em rede e que não respeita ‘paredes’.

 

De outro lado, a função da escola como ‘parede’ esconde um mundo de desafios, de criatividade, de percepção de novas realidades as quais o jovem e a criança têm que conhecer. Mas, como parede, precisa se abrir a outras realidades tais como os desafios do mundo digital, da inteligência artificial, das questões do alongamento da vida e dos inventos genômicos, e das novas formas de energias. Só que a parede se quebra, ou se torna transparente, quando a partir do seu abrigo vemos as causas dos problemas do mundo concreto, e não apenas do mundo virtual. A protetora parede da escola se complementa com as redes sociais e de aprendizagem coletiva no sentido de enfrentar a realidade da economia, da distribuição das riquezas, das questões da destruição ambiental, das delicadezas das relações humanas, da fome, das guerras, assim como do futuro de toda a humanidade.

Fragmento 3 –

   

Para Cegalla, a palavra crase designa, em gramática normativa, a contração da preposição ‘a’ com o artigo feminino (singular ou plural), com o pronome demonstrativo ‘a’ (singular ou plural), com o ‘a’ inicial dos pronomes demonstrativos aquele, aquela, aquilo (singular ou plural).

 

Relativamente ao uso da crase, avalie as afirmações que seguem, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas, levando em conta a seguinte parte retirada do Fragmento 3 do texto:

 

“A perspectiva da vigilância e as fake news criadas nas redes sociais vão trazer uma dimensão assustadora à (1) inocência e ao (2) descuido...”.

 

(  ) Ao se substituir o vocábulo ‘inocência’ por ‘modo inocente’ a crase assinalada pelo número 1 seria suprimida, visto que não haveria a ocorrência da preposição ‘a’.

 

(  ) A inserção da expressão ‘prática do’ imediatamente antes de ‘descuido’ obrigaria a troca de ‘ao’ por ‘à’, visando à correção gramatical.

 

(  ) Caso houvesse a inserção do pronome demonstrativo ‘aquele’ antes da plavra ‘descuido’, dever-se-ia suprimir o artigo definido ‘o’ e proceder a contração da preposição ‘a’ com o referido pronome.

 

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

  1. AV – V – V.
  2. BV – F – V.
  3. CF – V – V.
  4. DF – F – V.
  5. EV – F – F.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — F – V – V.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: a fusão da preposição "a" com o artigo ou pronome

Gabarito: letra C (F – V – V). A primeira afirmação é falsa porque, ao substituir "inocência" por "modo inocente", a crase é suprimida, mas não pela ausência da preposição "a" — ela permanece, exigida pela regência de "assustadora" (quem/ o que é assustador é assustador para algo). O que desaparece é o artigo feminino "a", pois "modo" é palavra masculina. As afirmações II e III são verdadeiras: a inserção de "prática do" antes de "descuido" torna o termo masculino, exigindo "ao" (e não "à"), e a inserção de "aquele" antes de "descuido" suprime o artigo "o", formando a contração "àquele".

O comando da questão

O enunciado pede que você avalie três afirmações sobre o uso da crase em um trecho específico do texto, marcando V ou F. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta decorar regras; é preciso aplicá-las ao contexto frasal apresentado. O trecho em análise é:

"A perspectiva da vigilância e as fake news criadas nas redes sociais vão trazer uma dimensão assustadora à (1) inocência e ao (2) descuido..."

Aqui, temos dois casos de contração da preposição "a" (exigida pelo adjetivo "assustadora") com o artigo definido: "à" = preposição "a" + artigo "a" (feminino, antes de "inocência"); "ao" = preposição "a" + artigo "o" (masculino, antes de "descuido").

A técnica que decide: o teste da troca por palavra masculina

A regra de ouro para verificar a crase é trocar a palavra feminina por uma masculina: se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "a" ou "o", não há. Aplicando ao trecho:

  • "assustadora à inocência" → trocando por masculino: "assustadora ao modo inocente" → há crase (preposição + artigo).

  • "assustadora ao descuido" → já está no masculino, com a contração "ao" (preposição + artigo).

Essa técnica revela o erro da primeira afirmação: ao substituir "inocência" por "modo inocente", a crase é suprimida, mas não porque a preposição desaparece — ela continua lá, exigida por "assustadora". O que muda é o artigo: "modo" é masculino, então não há artigo feminino "a" para fundir com a preposição. A afirmação diz que "não haveria a ocorrência da preposição 'a'", o que é falso.

Análise das afirmações

Afirmação I — ❌ Falsa

"Ao se substituir o vocábulo 'inocência' por 'modo inocente' a crase assinalada pelo número 1 seria suprimida, visto que não haveria a ocorrência da preposição 'a'."

A primeira parte é verdadeira: a crase seria suprimida, pois "modo" é masculino e não admite artigo feminino. Mas a justificativa é falsa: a preposição "a" permanece, exigida pela regência de "assustadora" (quem é assustador é assustador para algo). O que desaparece é o artigo feminino "a", não a preposição. A frase correta seria: "...uma dimensão assustadora a modo inocente" (sem crase, mas com preposição). A banca troca o motivo: não é a ausência da preposição, é a ausência do artigo.

Afirmação II — ✅ Verdadeira

"A inserção da expressão 'prática do' imediatamente antes de 'descuido' obrigaria a troca de 'ao' por 'à', visando à correção gramatical."

Aqui, a banca pede para inserir "prática do" antes de "descuido". O termo "prática" é feminino, então a preposição "a" (exigida por "assustadora") se fundiria com o artigo feminino "a" de "prática", formando "à prática do descuido". O "ao" original (preposição + artigo masculino "o") seria substituído por "à" (preposição + artigo feminino "a"). A afirmação está correta: a troca é obrigatória para manter a correção gramatical.

Afirmação III — ✅ Verdadeira

"Caso houvesse a inserção do pronome demonstrativo 'aquele' antes da palavra 'descuido', dever-se-ia suprimir o artigo definido 'o' e proceder a contração da preposição 'a' com o referido pronome."

Ao inserir "aquele" antes de "descuido", o artigo "o" deve ser suprimido, pois não se usam dois determinantes juntos. A preposição "a" (exigida por "assustadora") se contrai com o pronome demonstrativo "aquele", formando "àquele". A frase ficaria: "...uma dimensão assustadora àquele descuido". A afirmação está correta: a contração é obrigatória e o artigo "o" é suprimido.

Conclusão

A ordem correta é F – V – V, correspondente à letra C. A pegadinha da banca está na primeira afirmação: ela mistura a supressão da crase (verdadeira) com a justificativa errada (ausência da preposição). Lembre-se: crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos. Se um dos elementos falta, não há crase — mas a preposição pode continuar presente.

Crase (fusão do "a" preposição + "a" artigo/pronome)
  • 1Exige os dois elementos
    • Preposição "a" (regência)
    • Artigo feminino "a" ou pronome "aquele(s)"
  • 2Teste da troca por masculino
    • Aparece "ao" → há crase
    • Aparece só "a" ou "o" → não há
  • 3Substituição por "modo inocente"
    • Suprime a crase (masculino)
    • Mantém a preposição (regência)
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PEGA ESSA DICA!

Ao analisar afirmações sobre crase, separe os dois elementos: a preposição (exigida pela regência) e o artigo/pronome (que acompanha o termo). A crase só ocorre quando ambos estão presentes. Teste sempre com a troca por palavra masculina.

Gabarito: letra C

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