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Questão de Português — Crase — Quadrix 2023

PortuguêsCrase
Código
qa498799
Banca
Quadrix
Órgão
CRA PE
Ano
2023
Cargo
Aux Sec ( )

Pensar no mar já traz uma sensação agradável. Seja do frescor da água batendo no corpo, das brincadeiras na praia, de velejar, de nadar, de experimentar um bom pescado. Todo este bem-estar que o ambiente marinho nos proporciona está diretamente associado ao entendimento de serviços ecossistêmicos, isto é, aos benefícios que a natureza proporciona a cada um de nós. Os serviços ecossistêmicos vêm sendo utilizados como uma forma de reconhecer a importância do ambiente natural e saudável para o nosso bem-estar. Em outras palavras, é importante a conservação dos ambientes para que possamos ter um desenvolvimento sustentável.

 

Mas o que são exatamente os serviços ecossistêmicos costeiros e marinhos? Eles são classificados em: regulação e manutenção, provisão e cultural. Um dos principais é o de regulação. Vejamos: o oceano é o principal responsável pela absorção do gás carbônico da atmosfera, sendo este gás o grande responsável pelas mudanças climáticas. Ou seja, o oceano retira do ar grande parte do gás carbônico emitido pela queima de combustíveis fósseis das atividades humanas. Além disso, todo esgoto que chega às praias é carregado e decomposto nas águas marinhas, transformando o que é poluição em nutrientes para as algas. Outro aspecto importante dos serviços ecossistêmicos de regulação é a evaporação da água do oceano, que produz umidade na atmosfera que irá formar chuva, que cairá na superfície terrestre.

 

O oceano e as zonas costeiras também possuem representações e momentos em que se reconhece os fortes laços que nos unem ao mar. Atividades de lazer e turismo junto nesses ambientes despertam o interesse de um grande número de pessoas, levando ao relaxamento e à diversão. Aqui, estamos falando dos serviços ecossistêmicos culturais, conhecidos como aqueles benefícios não materiais que a natureza nos fornece.

 

Mas é fato que os serviços ecossistêmicos marinhos e costeiros sofrem frequentemente interferências destrutivas, como a poluição excessiva por esgotos das cidades litorâneas e despejos industriais, sem o devido tratamento; a contaminação por plásticos; a ocupação indevida de zonas costeiras importantes, como mangues e restingas; a sobrepesca; entre tantas outras ameaças à manutenção. Somados a esses problemas, as preocupações atuais estão relacionadas, por exemplo, ao efeito do aumento do nível do mar em zonas costeiras e a acidificação dos mares devido ao aumento da concentração do gás carbônico na atmosfera, o que afeta os corais, importantes locais de abrigo da fauna marinha. Em síntese, é cada vez mais relevante ampliar o conhecimento dos serviços ecossistêmicos costeiros e marinhos, ressaltando a sua relevância para o bem-estar não só da população, mas de todo o planeta.

 

Internet: <cienciahoje.org.br>.

No que se refere ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item.   A crase utilizada em “entre tantas outras ameaças à manutenção” poderia ser retirada, pois seu uso é facultativo.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em "ameaças à manutenção": uso obrigatório, não facultativo

Gabarito: E (Errado). A crase em "entre tantas outras ameaças à manutenção" é obrigatória, pois resulta da fusão da preposição "a" (exigida pelo substantivo "ameaças": quem faz ameaça, faz ameaça a algo) com o artigo feminino "a" que determina o substantivo "manutenção". Retirá-la tornaria o trecho gramaticalmente incorreto, pois "manutenção" é palavra feminina determinada por artigo, e a preposição é exigida pela regência nominal. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que se trata de um caso facultativo, mas os casos de crase facultativa são restritos: antes de nomes próprios femininos, antes de pronomes possessivos adjetivos e na locução "até a". Nenhum deles ocorre aqui.

O comando da questão

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação a respeito do uso da crase. O verbo "poderia ser retirada" e o advérbio "facultativo" são as palavras-chave: a banca quer saber se o candidato conhece os casos de crase facultativa e sabe diferenciá-los dos casos obrigatórios. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada ao trecho — a resposta depende da análise sintática e da regência nominal, não do conteúdo do texto.

A regra que decide a questão

A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" de pronomes demonstrativos). Para saber se a crase é obrigatória, é preciso verificar duas condições simultâneas:

  1. Há uma preposição "a" exigida por um termo anterior (verbo, nome ou adjetivo);

  2. Há um artigo feminino "a" determinando o termo seguinte.

No trecho "ameaças à manutenção", temos:

  • O substantivo "ameaças" exige a preposição "a" (quem faz ameaça, faz ameaça a algo) — regência nominal;

  • O substantivo "manutenção" é feminino e está determinado pelo artigo "a".

Portanto: preposição "a" + artigo "a" = crase obrigatória. Retirar o acento grave resultaria em "ameaças a manutenção", construção que viola a regência nominal e a determinação do artigo.

Os casos de crase facultativa

A gramática normativa reconhece apenas três situações em que a crase é facultativa:

Caso

Exemplo

Antes de nomes próprios femininos

"Refiro-me a/à Maria"

Antes de pronomes possessivos adjetivos femininos

"Entreguei o livro a/à minha irmã"

Na locução prepositiva "até a"

"Fui até a/à praia"

Nenhum desses casos ocorre em "ameaças à manutenção". O termo "manutenção" é um substantivo comum, não é nome próprio, não é precedido de pronome possessivo e não há a preposição "até" antes. Logo, a crase é obrigatória.

A pegadinha da banca

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre crase obrigatória e facultativa. O candidato que decora os casos facultativos, mas não sabe identificar a regência nominal, pode achar que "manutenção" é um caso genérico que dispensa o artigo. Mas o substantivo "ameaças" exige a preposição "a", e "manutenção" é determinado pelo artigo — a fusão é inevitável.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se a crase é obrigatória, substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer "ao", a crase é obrigatória. Ex.: "ameaças ao meio ambiente" → "ameaças à manutenção". Se aparecer apenas "ao" sem crase, não há fusão.

Análise da alternativa

Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A afirmação de que a crase "poderia ser retirada, pois seu uso é facultativo" é falsa. Como demonstrado, a crase em "ameaças à manutenção" é obrigatória, pois há a fusão da preposição "a" (exigida por "ameaças") com o artigo feminino "a" (que determina "manutenção"). Retirá-la produziria um erro de regência nominal e de determinação do substantivo. A alternativa erra ao classificar como facultativo um caso obrigatório — erro típico de quem confunde os casos de crase facultativa com os casos gerais de crase.

Conclusão: a crase em "ameaças à manutenção" é obrigatória, pois decorre da regência nominal de "ameaças" (que exige a preposição "a") somada ao artigo feminino que determina "manutenção". Os casos de crase facultativa são restritos a nomes próprios femininos, pronomes possessivos adjetivos e à locução "até a" — nenhum deles se aplica aqui. Portanto, a afirmação está errada.

Gabarito: letra E (Errado).

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