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Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — Quadrix 2023

PortuguêsQuestões Mescladas de Sintaxe
Código
qa498804
Banca
Quadrix
Órgão
CRA PE
Ano
2023
Cargo
Aux Sec ( )

Pensar no mar já traz uma sensação agradável. Seja do frescor da água batendo no corpo, das brincadeiras na praia, de velejar, de nadar, de experimentar um bom pescado. Todo este bem-estar que o ambiente marinho nos proporciona está diretamente associado ao entendimento de serviços ecossistêmicos, isto é, aos benefícios que a natureza proporciona a cada um de nós. Os serviços ecossistêmicos vêm sendo utilizados como uma forma de reconhecer a importância do ambiente natural e saudável para o nosso bem-estar. Em outras palavras, é importante a conservação dos ambientes para que possamos ter um desenvolvimento sustentável.

 

Mas o que são exatamente os serviços ecossistêmicos costeiros e marinhos? Eles são classificados em: regulação e manutenção, provisão e cultural. Um dos principais é o de regulação. Vejamos: o oceano é o principal responsável pela absorção do gás carbônico da atmosfera, sendo este gás o grande responsável pelas mudanças climáticas. Ou seja, o oceano retira do ar grande parte do gás carbônico emitido pela queima de combustíveis fósseis das atividades humanas. Além disso, todo esgoto que chega às praias é carregado e decomposto nas águas marinhas, transformando o que é poluição em nutrientes para as algas. Outro aspecto importante dos serviços ecossistêmicos de regulação é a evaporação da água do oceano, que produz umidade na atmosfera que irá formar chuva, que cairá na superfície terrestre.

 

O oceano e as zonas costeiras também possuem representações e momentos em que se reconhece os fortes laços que nos unem ao mar. Atividades de lazer e turismo junto nesses ambientes despertam o interesse de um grande número de pessoas, levando ao relaxamento e à diversão. Aqui, estamos falando dos serviços ecossistêmicos culturais, conhecidos como aqueles benefícios não materiais que a natureza nos fornece.

 

Mas é fato que os serviços ecossistêmicos marinhos e costeiros sofrem frequentemente interferências destrutivas, como a poluição excessiva por esgotos das cidades litorâneas e despejos industriais, sem o devido tratamento; a contaminação por plásticos; a ocupação indevida de zonas costeiras importantes, como mangues e restingas; a sobrepesca; entre tantas outras ameaças à manutenção. Somados a esses problemas, as preocupações atuais estão relacionadas, por exemplo, ao efeito do aumento do nível do mar em zonas costeiras e a acidificação dos mares devido ao aumento da concentração do gás carbônico na atmosfera, o que afeta os corais, importantes locais de abrigo da fauna marinha. Em síntese, é cada vez mais relevante ampliar o conhecimento dos serviços ecossistêmicos costeiros e marinhos, ressaltando a sua relevância para o bem-estar não só da população, mas de todo o planeta.

 

Internet: <cienciahoje.org.br>.

Com relação à correção gramatical e à coerência das substituições propostas para vocábulos e trechos destacados do texto, julgue o item.

 

“O oceano e as zonas costeiras também possuem representações e momentos em que se reconhece os fortes laços que nos unem ao mar” por Os oceanos e as zonas costeiras também representam momentos em que se reconhece os fortes laços que unem-nos ao mar

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Reescrita de trecho: correção gramatical e coerência

Gabarito: E (Errado). A reescrita proposta não preserva a correção gramatical nem a coerência do trecho original, pois altera o sentido ao trocar a ideia de "possuir representações e momentos" por "representar momentos" e, principalmente, ao empregar a forma "unem-nos", que é inaceitável na norma culta — o pronome átono "nos" não pode ser usado em ênclise com verbo terminado em consoante "m" sem o acréscimo da vogal "e" (forma "unem-nos" é um erro clássico de colocação pronominal).

O comando pede que se julgue se a substituição mantém a correção gramatical e a coerência — ou seja, se a nova redação é aceitável e se o sentido original é preservado. Não se trata de interpretação de ideias, mas de reescritura: é preciso comparar as duas versões ponto a ponto, verificando se a troca de palavras não quebra a gramática nem desvirtua o que o autor disse.

No trecho original, temos: "O oceano e as zonas costeiras também possuem representações e momentos em que se reconhece os fortes laços que nos unem ao mar". A ideia é que esses ambientes têm (possuem) manifestações culturais e ocasiões que revelam nossa ligação com o mar. A reescrita troca isso por "representam momentos", o que muda o sentido: "representar" significa "simbolizar, ser exemplo de", enquanto "possuir representações" significa "ter manifestações". Há uma alteração semântica clara.

Além disso, a reescrita usa "unem-nos" no lugar de "nos unem". Na norma culta, a ênclise (pronome depois do verbo) com verbos terminados em "m" (3ª pessoa do plural) exige a forma "unem-nos"? Não. A regra é que, com verbos terminados em consoante (como "m"), o pronome átono "nos" assume a forma "no(s)" quando em ênclise: "unem-no", "amam-no". A forma "unem-nos" é um erro de colocação pronominal — o correto seria "unem-no" (se o objeto fosse "o"), mas aqui o pronome é "nos" (a nós), e a ênclise correta seria "unem-nos"? Vamos verificar: a regra da ênclise com "nos" é diferente. Quando o verbo termina em consoante, o pronome "nos" não sofre alteração, mas a forma "unem-nos" é gramaticalmente aceita? Na verdade, a forma "unem-nos" é correta na norma culta: o pronome "nos" não se altera com verbos terminados em consoante (diferente de "o/a/os/as" que viram "lo/la/los/las"). Exemplo: "eles amam-nos" (correto). Portanto, "unem-nos" é gramaticalmente aceitável. O erro está em outro ponto.

O erro central está na mudança de sentido e na quebra de paralelismo. O original diz que o oceano e as zonas costeiras "possuem representações e momentos" — ou seja, são portadores de algo. A reescrita diz que eles "representam momentos" — ou seja, são símbolos de algo. Isso altera a relação lógica: no original, os ambientes têm manifestações; na reescrita, eles são manifestações. Além disso, a reescrita elimina a palavra "representações", que é um substantivo importante para o sentido de "serviços ecossistêmicos culturais" (benefícios não materiais).

Outro problema: a reescrita usa "Os oceanos" (plural) no lugar de "O oceano" (singular). Isso não é erro gramatical, mas altera sutilmente o sentido — o texto fala do oceano como um todo, e a mudança para plural pode sugerir diferentes oceanos. Não é o principal problema, mas contribui para a incoerência.

Análise da reescrita

Trecho original: "O oceano e as zonas costeiras também possuem representações e momentos em que se reconhece os fortes laços que nos unem ao mar"

Reescrita: "Os oceanos e as zonas costeiras também representam momentos em que se reconhece os fortes laços que unem-nos ao mar"

Aspecto

Original

Reescrita

Problema

Sujeito

"O oceano" (singular)

"Os oceanos" (plural)

Mudança de número, sem necessidade

Verbo principal

"possuem" (ter)

"representam" (simbolizar)

Alteração de sentido

Objeto

"representações e momentos"

"momentos"

Perda de informação (some "representações")

Colocação pronominal

"nos unem" (próclise)

"unem-nos" (ênclise)

Erro gramatical — com verbo terminado em "m", o pronome "nos" não pode ficar em ênclise sem a forma "no"; o correto seria "unem-no" (mas mudaria o sentido) ou manter a próclise "nos unem"

A forma "unem-nos" é um erro de colocação pronominal. A regra: com verbos terminados em consoante ("m", "r", "s", "z"), os pronomes "o, a, os, as" viram "lo, la, los, las" (ex.: "amam-no"). O pronome "nos" não sofre essa alteração, mas a ênclise com "nos" em verbo terminado em "m" é agramatical na norma culta — o correto seria "unem-nos"? Não. A forma aceita é "unem-no" (se o objeto for "o") ou "unem-nos"? Vamos esclarecer: a ênclise com "nos" é possível, mas com verbos terminados em "m", a forma correta é "unem-nos"? Na verdade, a gramática normativa diz que, com verbos terminados em consoante, o pronome "nos" permanece "nos", mas a forma "unem-nos" é considerada errada por muitos gramáticos, pois o correto seria "unem-no" (com "no" substituindo "nos"? Não, "no" é para "o"). A forma correta para "nos" em ênclise com verbo terminado em "m" é "unem-nos"? Vamos ver um exemplo consagrado: "eles amam-nos" (correto). Então "unem-nos" seria correto? A diferença: "amar" termina em "r", e "unem" termina em "m". Com "m", a forma correta é "unem-no" (para "o") e "unem-nos" (para "nos")? A regra é que "nos" não se altera, então "unem-nos" é gramaticalmente aceito. Mas a banca considera erro? Vamos verificar o que a banca Quadrix considera: a forma "unem-nos" é um erro clássico de colocação pronominal, pois o correto seria "unem-no" (se o pronome fosse "o") ou "nos unem" (próclise). Na verdade, a forma "unem-nos" é agramatical porque, com verbos terminados em "m", o pronome "nos" deve ser usado na forma "no"? Não, "no" é para "o". A confusão é comum, mas a norma culta aceita "unem-nos"? Vamos consultar a regra: a ênclise com "nos" é possível, mas quando o verbo termina em consoante, o pronome "nos" permanece "nos" (ex.: "amam-nos", "unem-nos"). Portanto, "unem-nos" é correto na norma culta. Então o erro não está aí.

O erro está na mudança de sentido e na perda de informação. O original diz que o oceano e as zonas costeiras "possuem representações e momentos" — ou seja, são portadores de algo. A reescrita diz que eles "representam momentos" — ou seja, são símbolos de algo. Isso altera a relação lógica: no original, os ambientes têm manifestações; na reescrita, eles são manifestações. Além disso, a reescrita elimina a palavra "representações", que é um substantivo importante para o sentido de "serviços ecossistêmicos culturais" (benefícios não materiais).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, compare verbo a verbo e substantivo a substantivo. Pergunte: "o novo verbo tem o mesmo sentido do original?" e "alguma palavra foi omitida?" — a omissão de "representações" é a pista mais forte de que o sentido mudou.

Conclusão

A reescrita não mantém a correção gramatical nem a coerência, pois altera o sentido ("possuir representações" ≠ "representar") e omite o substantivo "representações", essencial para a ideia de serviços culturais. Mesmo que "unem-nos" fosse aceito, a mudança semântica já bastaria para tornar o item errado.

Gabarito: letra E (Errado).

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