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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — Quadrix 2023

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
qa498817
Banca
Quadrix
Órgão
CRO SC
Ano
2023
Cargo
Ag Fisc ( )

Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro. Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente.


Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço.


Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.


Um minuto depois, liguei de novo e disse com a voz calma:


— Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!


Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.


Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.


No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:


— Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.


Eu respondi:


— Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.


Luis Fernando Veríssimo.

Aprenda a chamar a polícia. Internet: <www.refletirpararefletir.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.

Com base no texto apresentado, julgue o item.

 

Observados os mecanismos de coesão e coerência do texto, conclui-se que o emprego de preposição em “para a polícia” deve-se à regência da forma verbal “Liguei”.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência do verbo “ligar” e a preposição “para”

Gabarito: ✅ CERTO. O emprego da preposição “para” em “Liguei para a polícia” é exigido pela regência do verbo “ligar”, que, no sentido de “telefonar”, é transitivo indireto e rege a preposição “para”. O texto confirma: “Liguei baixinho para a polícia”. A preposição não é acidental nem exigida por outro termo; é o verbo que a seleciona.

O comando

O item pede que você julgue (certo/errado) uma afirmação sobre coesão e coerência do texto, especificamente sobre a regência verbal. Não se trata de interpretar o sentido do texto, mas de analisar a relação sintática entre o verbo “Liguei” e o complemento “para a polícia”. A banca quer saber se você reconhece que a preposição é exigida pelo verbo, e não um mero acaso ou uma escolha estilística.

O texto e a passagem decisiva

No segundo parágrafo, o narrador diz:

“Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço.”

Aqui, o verbo “ligar” está empregado no sentido de “telefonar”. Nesse sentido, o verbo é transitivo indireto: pede um complemento introduzido por preposição. A preposição correta é “para” (ligar para alguém). Portanto, a preposição “para” é regida pelo verbo, ou seja, é o verbo que a exige. Isso confirma a afirmação do item.

A técnica: como identificar a regência verbal

Para resolver questões de regência, siga estes passos:

  1. Identifique o verbo e o seu sentido no contexto. O mesmo verbo pode ter regências diferentes conforme o significado (ex.: “aspirar” = sugar → VTD; “aspirar” = desejar → VTI).

  2. Verifique se o verbo pede complemento e, se pedir, qual preposição ele exige.

  3. Confirme no texto: a preposição aparece porque o verbo a seleciona, não porque o substantivo “polícia” a exige (isso seria regência nominal).

No caso de “ligar”, no sentido de “telefonar”, a regência é transitivo indireto com a preposição “para”. Exemplos: “Liguei para minha mãe”, “Ligue para o médico”. A preposição é obrigatória.

Por que as alternativas erradas falham

Como é uma questão de certo/errado, não há alternativas múltiplas, mas é importante entender o que tornaria o item errado. Se alguém pensasse que a preposição “para” é exigida pelo substantivo “polícia” (regência nominal), estaria errado, pois “polícia” não exige preposição “para” — o que exige é o verbo. Outra confusão seria achar que “ligar” é transitivo direto (sem preposição), o que não ocorre nesse sentido.

Conclusão

A preposição “para” em “Liguei para a polícia” é exigida pela regência do verbo “ligar”, que é transitivo indireto nesse contexto. Portanto, o item está CERTO.

  1. 1Identifique o verbo e o sentido
  2. 2Verifique se pede complemento
  3. 3Confirme a preposição no texto
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PEGA ESSA DICA!

Em questões de regência, sempre pergunte: “quem rege a preposição, o verbo ou o nome?”. Se for o verbo, é regência verbal; se for o nome, é regência nominal. Aqui, é o verbo.

Gabarito: ✅ CERTO.

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