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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — Quadrix 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa498819
Banca
Quadrix
Órgão
CRO SC
Ano
2023
Cargo
Ag Fisc ( )

Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro. Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente.


Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço.


Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não edisseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.


Um minuto depois, liguei de novo e disse com a voz calma:


— Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!


Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.


Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.


No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:


— Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.


Eu respondi:


— Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.


Luis Fernando Veríssimo.

Aprenda a chamar a polícia. Internet: <www.refletirpararefletir.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.

Com base no texto apresentado, julgue o item.

 

Estariam mantidas a correção gramatical e a coerência do texto caso os dois-pontos empregados após o termo “disse” fossem substituídos por ponto final.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de dois-pontos por ponto final após “disse” — efeito na estrutura do discurso direto

Gabarito: ERRADO (letra E). A substituição dos dois-pontos por ponto final após o verbo “disse” não mantém a correção gramatical e a coerência do texto, porque os dois-pontos, nesse contexto, têm a função de introduzir a fala do personagem (discurso direto), e o ponto final quebraria a ligação sintático-semântica entre o verbo de elocução e a citação que ele anuncia. Como se lê no trecho: “— Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações.” — a fala é o complemento direto do verbo “disse”, e os dois-pontos são o sinal que marca essa relação de anunciação.

O comando: o que a banca pede

A questão é de reescritura com manutenção de sentido e correção. O enunciado afirma que, se os dois-pontos após “disse” fossem trocados por ponto final, a correção gramatical e a coerência seriam mantidas. A tarefa é julgar essa afirmação — ou seja, verificar se a troca de pontuação preserva a estrutura e o sentido do trecho. Não se trata de interpretar o texto, mas de analisar o efeito sintático-semântico de um sinal de pontuação em um contexto específico.

O texto: o papel dos dois-pontos no discurso direto

No trecho, o narrador relata: “Um minuto depois, liguei de novo e disse com a voz calma:” — e, em seguida, vem a fala do personagem, introduzida por travessão. Os dois-pontos, aqui, têm a função clássica de anunciar a fala de um personagem (discurso direto), como se vê no esquema: “A menina gritou: - Saia daqui!”. Eles estabelecem uma relação de dependência entre o verbo “disse” e o conteúdo citado: a fala é o objeto direto do verbo de elocução.

Se substituíssemos os dois-pontos por ponto final, teríamos:

“Um minuto depois, liguei de novo e disse com a voz calma. — Oi, eu liguei há pouco…”

O ponto final encerraria o período e desconectaria o verbo “disse” de seu complemento. A fala deixaria de ser o objeto direto do verbo e passaria a ser um período independente, sem vínculo sintático com o que foi dito antes. Isso quebra a coerência porque o leitor não saberia, de imediato, que aquela fala é o conteúdo do que o personagem “disse”. A relação de anunciação, que os dois-pontos marcam, seria perdida.

A técnica: dois-pontos × ponto final — pausa conclusa × pausa inconclusa

A distinção central é entre pausa conclusa e pausa inconclusa. O ponto final é uma pausa conclusa: encerra o período e indica que a ideia está completa. Os dois-pontos, por sua vez, são uma pausa inconclusa: anunciam que algo virá em seguida — uma explicação, uma enumeração, uma citação ou uma fala. No caso do texto, os dois-pontos antecipam a fala e criam a expectativa de que o personagem vai falar. O ponto final eliminaria essa expectativa e desfaria a ligação entre o verbo e a fala.

Veja a diferença:

Sinal

Função

Efeito no trecho

Dois-pontos

Anunciar a fala (discurso direto)

Mantém a fala como complemento do verbo “disse”

Ponto final

Encerrar o período

Desconecta a fala do verbo, quebrando a coerência

A troca, portanto, não é neutra: ela altera a estrutura sintática e o fluxo de leitura. O ponto final criaria um período curto e seco (“disse com a voz calma.”) seguido de uma fala solta, sem o elo que os dois-pontos fornecem. Isso compromete a coerência textual, pois a relação entre o ato de dizer e o conteúdo dito fica implícita e ambígua.

NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se o candidato sabe que os dois-pontos, antes de uma fala, não são meramente decorativos — eles têm função sintática de introduzir o discurso direto. Trocar por ponto final não é uma simples variação estilística; é uma mudança estrutural que quebra a coesão.

Análise da alternativa

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a substituição manteria a correção e a coerência. Isso é falso. Como demonstrado, os dois-pontos têm a função de introduzir a fala do personagem, e o ponto final desconectaria o verbo “disse” de seu complemento. A frase resultante — “disse com a voz calma. — Oi, eu liguei há pouco…” — perde a relação de anunciação e fica incoerente, pois o leitor não identifica de imediato que a fala é o conteúdo do que foi dito. A alternativa erra ao ignorar a função sintática dos dois-pontos no discurso direto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que a substituição não manteria a correção e a coerência. Isso está correto. Os dois-pontos, no trecho, anunciam a fala do personagem, e o ponto final quebraria essa ligação. A fala deixaria de ser o complemento do verbo “disse” e passaria a ser um período independente, prejudicando a coerência do texto. A troca de pontuação altera o sentido e a estrutura, portanto a afirmação do enunciado é falsa.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre substituição de pontuação, pergunte-se: qual é a função do sinal no contexto? Se os dois-pontos introduzem uma fala, uma citação ou uma explicação, o ponto final não pode substituí-los sem prejuízo, pois encerraria o período e desfaria a relação de anunciação.

Conclusão: a questão cobra a função dos dois-pontos no discurso direto. Como a troca por ponto final desconecta o verbo “disse” da fala que ele anuncia, a correção e a coerência não são mantidas. Portanto, o item está ERRADO.

Gabarito: letra E

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