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Questão de Português — Orações Coordenadas — Quadrix 2023

PortuguêsOrações Coordenadas
Código
qa498829
Banca
Quadrix
Órgão
CREF 3
Ano
2023
Cargo
Adm ( )

Reconhecemos que nem todos serão pesquisadores. Em nossa profissão, não são muitos os que se interessam pela pesquisa. Na verdade, alguns têm verdadeira aversão a ela. Os pesquisadores, às vezes, são vistos como pessoas estranhas, preocupadas com problemas insignificantes e desligadas do mundo real (embora saibamos que esse não é o seu caso). Em um livro informativo, e também divertido, sobre redação de artigos científicos, Day (1983) conta a história de dois homens passeando em um balão de ar quente que se depararam com algumas nuvens e perderam o rumo. Quando finalmente se aproximaram do chão, não reconheceram a região nem faziam a mínima ideia de onde tinham ido parar. Na verdade, eles estavam sobrevoando um de nossos mais famosos institutos de pesquisa. De repente, avistaram um homem, caminhando pela estrada, e o chamaram: “Ei, senhor, onde estamos?”. O homem olhou para cima, avaliou a situação e, depois de alguns momentos de reflexão, respondeu: “Vocês estão em um balão”. Um dos balonistas virou-se para o outro e disse: “Aposto que aquele homem é um pesquisador”. O outro perguntou: “O que o faz pensar assim?”. O primeiro então explicou: “A resposta dele é perfeitamente exata, mas totalmente inútil” (p. 152).

 

Brincadeiras à parte, não se pode negar a importância das pesquisas para todas as profissões. Afinal, uma das distinções básicas entre disciplinas ou profissões e “ofício” é que este último lida apenas com o modo de fazer as coisas, enquanto as duas primeiras estão relacionadas não apenas com o modo, mas também com o motivo de algo dever ser feito de determinado modo (e, inclusive, por que deve ser feito). No entanto, em disciplinas ou profissões, embora a maioria das pessoas “re-conheça” a importância da pesquisa, grande parte delas não lê artigos científicos. Essa situação não é exclusiva da nossa área. Há informações de que apenas 1% dos químicos leem publicações científicas da própria área, de que menos de 7% dos psicólogos leem revistas acadêmicas de psicologia etc. A grande questão é: por que isso acontece? Acreditamos que a maioria dos profissionais não lê resultados de pesquisas porque considera isso desnecessário. A pesquisa não é prática o suficiente ou não diz respeito ao trabalho deles. Outra razão, dada pelos próprios profissionais do movimento, é que eles não entendem os artigos. A linguagem é muito técnica; a terminologia, pouco familiar e confusa. Essa reclamação é válida, mas poderíamos argumentar que, se os programas de preparação profissional tivessem orientação mais científica, o problema seria diminuído. Entretanto, a compreensão da literatura científica é extremamente difícil para quem não é pesquisador.

 

J. R. Thomas e J. K. Nelson. Métodos de pesquisa em atividade física. 3.a ed. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.

Considerando o texto e seus aspectos gramaticais, julgue o item.   No trecho “Essa reclamação é válida, mas poderíamos argumentar que, se os programas de preparação profissional tivessem orientação mais científica, o problema seria diminuído”, há uma oração coordenada sindética adversativa.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oração coordenada sindética adversativa: o papel do "mas"

Gabarito: C — CERTO. No trecho “Essa reclamação é válida, mas poderíamos argumentar…”, a conjunção mas introduz uma oração coordenada sindética adversativa, pois estabelece uma relação de oposição/contraste entre a validade da reclamação e a possibilidade de argumentar em contrário. A banca cobra exatamente o reconhecimento do valor semântico da conjunção coordenativa adversativa, que é um dos cinco tipos de orações coordenadas sindéticas.

O comando da questão

A questão pede que se julgue (Certo/Errado) se, no trecho destacado, há uma oração coordenada sindética adversativa. Isso é uma tarefa de análise sintática e semântica — não de interpretação de texto. O foco está em identificar a relação de sentido que a conjunção estabelece entre as orações e, a partir disso, classificá-la corretamente.

O texto e o trecho analisado

No segundo parágrafo, o autor discute por que os profissionais não leem artigos científicos. Uma das razões apresentadas é a dificuldade de compreensão da linguagem técnica. O trecho em questão é:

“Essa reclamação é válida, mas poderíamos argumentar que, se os programas de preparação profissional tivessem orientação mais científica, o problema seria diminuído.”

Aqui, o autor concede que a reclamação (sobre a linguagem técnica) é válida, mas, em seguida, apresenta uma contraposição: ainda assim, seria possível argumentar que uma formação mais científica reduziria o problema. Essa estrutura de concessão + oposição é típica das orações adversativas.

A técnica: como identificar uma oração coordenada sindética adversativa

Para classificar uma oração como coordenada sindética adversativa, é preciso verificar dois critérios:

  1. Sindética: a oração é introduzida por uma conjunção coordenativa (no caso, "mas").

  2. Adversativa: a conjunção expressa oposição, contraste, ressalva ou compensação em relação à oração anterior.

As principais conjunções adversativas são: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante. Todas indicam uma quebra de expectativa ou uma ideia contrária ao que foi dito antes.

No trecho, a primeira oração afirma que a reclamação é válida. A segunda, introduzida por "mas", apresenta uma ideia contrária — a de que, apesar disso, algo poderia ser feito. Essa relação de contraste é a marca da adversativa.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se uma conjunção é adversativa, tente substituí-la por "porém" ou "contudo". Se o sentido de oposição for mantido, a classificação está correta. Ex.: "Essa reclamação é válida, porém poderíamos argumentar…" — o sentido permanece.

Análise do item

Oração coordenada sindética adversativa
  • 1Critérios
    • Sindética: conjunção coordenativa
    • Adversativa: oposição/contraste
  • 2Conjunções
    • mas
    • porém
    • contudo
    • todavia
    • entretanto
    • no entanto
    • não obstante
  • 3Teste
    • Substituir por "porém"
    • Mantém o sentido de oposição
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Item — ✅ CERTOGABARITO

A afirmação está correta. O trecho apresenta uma oração coordenada sindética adversativa, introduzida pela conjunção mas, que expressa oposição entre a validade da reclamação e a possibilidade de argumentar em contrário. A estrutura é:

  • 1ª oração: "Essa reclamação é válida" (oração coordenada assindética — sem conjunção).

  • 2ª oração: "mas poderíamos argumentar…" (oração coordenada sindética adversativa — introduzida por "mas").

A conjunção "mas" é a prototípica das adversativas, e o sentido de contraste é evidente: o autor reconhece a validade da reclamação, mas apresenta uma ressalva. Portanto, o item está CERTO.

Conclusão

A questão testa o reconhecimento do valor semântico das conjunções coordenativas. A chave é identificar a relação de oposição que "mas" estabelece entre as orações. Sempre que houver uma conjunção adversativa (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante) ligando orações independentes, teremos uma oração coordenada sindética adversativa.

Gabarito: C — CERTO.

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