No fim da Idade Média, uma pandemia matou dezenas de milhões de pessoas. A doença da vez era a peste bubônica, uma febre infecciosa causada pela bactéria Yersinia pestis e transmitida de roedores para humanos pela picada de pulgas infectadas. Foi um estrago e tanto: dizimou de 30% a 50% da população da Eurásia.
Nessa história, os protagonistas não são só os infectados e os médicos da peste, com suas máscaras de bico longo. É também a seleção natural. Um novo estudo afirma que algumas variantes genéticas tornaramA) as pessoasB) mais resistentesC)àpesteD) — e, por isso, foram transmitidas às gerações seguintes. Mas isso veio com um preço.
Pessoas que herdam tais variantes genéticas teriam um risco maior de sofrer com doenças autoimunes — aquelas em que o sistema imunológico não funciona como esperado e ataca o próprio organismo do qual faz parte. Esta é a hipótese de um estudo recém-publicado na revista Nature.
Luisa Costa. Como a peste bubônica pode influenciar na saúde dos europeus hoje. In: Revista Superinteressante, 24 out. 2022 (com adaptações).
O acento grave empregado em “à”
Adeve-se à regência da forma verbal “tornaram”.
Bdeve-se à regência de “pessoas” .
Cdeve-se à regência de “resistentes”.
Ddeve-se à regência de “peste”.
Epoderia ser suprimido sem prejuízo dos sentidos e da correção gramatical do texto.
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GabaritoC — deve-se à regência de “resistentes”.
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Crase por regência nominal: o caso de “resistentes à peste”
Gabarito: letra C. O acento grave em “à” é exigido pela regência do adjetivo “resistentes”, que pede a preposição “a” (quem é resistente é resistente a algo). No trecho, “resistentes à peste” = resistentes a + a peste. As demais alternativas apontam para regência verbal ou para o substantivo “peste”, mas nenhuma delas explica corretamente a ocorrência da crase.
O comando da questão
A questão pergunta por que o acento grave foi empregado em “à”. Isso é uma questão de análise sintática e de regência: é preciso identificar qual termo da oração exige a preposição “a” que, somada ao artigo feminino “a” (de “peste”), forma a crase. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto — a resposta está na estrutura sintática da frase, não no sentido global.
O trecho em análise
“algumas variantes genéticas tornaram as pessoas mais resistentes à peste”
Aqui, o verbo “tornaram” é transitivo direto (quem torna, torna algo): “tornaram as pessoas”. O termo “mais resistentes” funciona como predicativo do objeto — ou seja, é uma característica atribuída a “as pessoas”. O adjetivo “resistentes” rege a preposição “a”: resistente a alguma coisa. Por isso, “resistentes à peste” = resistentes a + a peste. A crase é a fusão da preposição exigida pelo adjetivo com o artigo definido feminino que acompanha o substantivo “peste”.
A técnica que decide
Para resolver questões de crase, o caminho é sempre o mesmo: identifique o termo regente (quem exige a preposição) e verifique se o termo regido admite artigo feminino. Se sim, há crase. No trecho, o termo regente é o adjetivo “resistentes”, e o termo regido é “peste”, que admite artigo “a”. Portanto, crase obrigatória.
PEGA ESSA DICA!
Pergunte-se: “quem é resistente, é resistente a quê?”. A resposta “à peste” mostra que a preposição vem do adjetivo, não do verbo.
Análise das alternativas
Crase em "à peste": Termo regente (Adjetivo "resistentes", Exige preposição "a"); Termo regido (Substantivo "peste", Admite artigo "a"); Resultado (Fusão: a + a = à, Crase obrigatória)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: troca de regência (verbal em vez de nominal). O verbo “tornaram” é transitivo direto, ou seja, não exige preposição. Quem torna, torna algo — “tornaram as pessoas”. A preposição “a” não vem do verbo, mas do adjetivo “resistentes”. Portanto, a crase não se deve à regência verbal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: atribui a regência a um substantivo que não a exige. O substantivo “pessoas” é apenas o objeto direto do verbo “tornaram” e não rege preposição. Não há relação de regência entre “pessoas” e “peste”. A crase não é motivada por “pessoas”.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. O adjetivo “resistentes” exige a preposição “a” (resistente a algo). No trecho, “resistentes à peste” = resistentes a + a peste. A crase é a fusão da preposição exigida pelo adjetivo com o artigo definido feminino que acompanha “peste”. É um caso clássico de regência nominal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: inverte o papel sintático. O substantivo “peste” é o termo regido (complemento), não o regente. Quem rege é o adjetivo “resistentes”. A crase ocorre porque “peste” admite artigo feminino, mas a preposição vem de “resistentes”.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz a norma gramatical. A crase é obrigatória nesse contexto, pois há a fusão da preposição “a” (exigida por “resistentes”) com o artigo “a” (que acompanha “peste”). Suprimir o acento grave tornaria a frase incorreta e alteraria o sentido, pois “resistentes a peste” (sem artigo) soaria genérico e agramatical.
Conclusão
A crase em “à peste” é um caso de regência nominal: o adjetivo “resistentes” exige a preposição “a”, que se funde com o artigo feminino “a” de “peste”. A alternativa C é a única que identifica corretamente o termo regente.