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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — Quadrix 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
qa499082
Banca
Quadrix
Órgão
PROCON DF
Ano
2023
Cargo
AADC ( )

Encerro 2020, o ano que anuncia que o tempo das pandemias chegou, com estranhos sintomas. A ideia de fazer mais uma live, mais um meeting pelo Jitsi, Zoom ou Google, ou mesmo pelo WhatsApp, deixa‑me fisicamente enjoada. Escrever, como faço agora, enquanto as notícias e as mensagens pipocam em um canto da tela, deixa‑me tonta e exausta. Amigos me pedem encontros de Natal, happy hours de ano‑novo. Quero. Mas não consigo. Que o excesso de telas cansa e pode causar transtornos e até doenças, sabemos. A experiência atual, porém, vai muito além disso. O home office, as lives e os meetings mudaram o conceito de casa. Ou talvez tenham provocado algo ainda mais radical, ao nos despejar não apenas da casa, mas também da possibilidade de fazer da casa uma casa.


Sim, aqueles que têm a chance de trabalhar no sistema de home office, o que significa trabalhar a partir de sua casa, são privilegiados em um planeta encurralado pelo vírus. Pensar sobre a desigualdade no tempo das pandemias é pensar sobre quem pode desempenhar suas funções profissionais “remotamente” e quem não pode. A maioria dos que não podem trabalhar remotamente é composta dos mesmos que têm mais chances de figurar em todas as piores estatísticas: os mais pobres, os negros, as mulheres.


Afirmar que a pandemia expõe e agrava a desigualdade social, de raça e de gênero é uma obviedade que várias pesquisas comprovaram ao longo de 2020. A iniquidade abissal do Brasil — e, em menor escala, da maioria dos países do planeta — impõe como privilégio aquilo que é um direito básico, o de ser capaz de se proteger de uma ameaça. Assim, é como privilegiada que discuto aqui a experiência de nos descobrir sem casa, uma experiência que não é apenas subjetiva. Apesar das paredes de concreto que nos cercam, sentir‑nos sem casa é uma experiência bem concreta.


Se tornar descasado, no sentido de sem casa, é o que está acontecendo hoje com aqueles que, desde março, fazem home office, expressão em inglês para apontar que a casa, no sentido de lar (home), se tornou também o escritório (office), no sentido de local de trabalho. A expressão home office, porém, é ardilosa. A experiência cotidiana mostra que, se há office, não há home.


Quando o trabalho invade a casa no modo 24 (horas) X 7 (dias) por semana, perdemos a casa. E com ela o descanso, o refúgio, o remanso. E também o espaço de intimidade que só será alcançado pelos de fora se quisermos abrir a porta. Perdemos principalmente a porta. E uma casa sem porta não é uma casa. Mesmo que essa porta seja invisível, caso das pessoas em situação de rua, essa barreira concretizada pela imaginação cumpre o papel simbólico de fazer borda, de dar limite. No modo pandêmico é ao contrário. Mesmo que materialmente exista uma porta de madeira ou mesmo de ferro, grossa e cheia de fechaduras complicadas, seguidamente precedida da porta do prédio e ainda da porta externa do edifício, como hoje vive parte da classe média urbana, ainda assim não há porta nenhuma porque já não há limite para o que invade a casa pelas telas — todas as telas — desde dentro.


Tudo se complica infinitamente mais quando o mundo do trabalho invade a casa. Com a comunicação facilitada e imediata permitida pela tecnologia, os limites que antes eram determinados pela carga horária da jornada passaram a ser ultrapassados ou mesmo ignorados. A precarização das condições de trabalho, o apagamento das fronteiras entre a vida privada e a profissional, o devoramento do tempo e com ele a corrosão da vida já tinham se tornado uma questão crucial da nossa época.


Com o home office, as condições de trabalho se precarizaram ainda mais.


Internet: <https://brasil.elpais.com> (com adaptações)

Texto para o item.

 

Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto, julgue o item.

 

A palavra “Quero”  funciona como frase, pois apresenta um sentido completo e termina com uma pausa pontuada.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A palavra "Quero" como frase: sentido completo e pausa pontuada

Gabarito: C (Certo). A palavra "Quero" funciona como frase porque, no contexto, apresenta sentido completo e é seguida de ponto final, que marca uma pausa pontuada. A afirmação está correta.

O comando

A questão pede um julgamento sobre um aspecto linguístico do texto: se a palavra "Quero" funciona como frase. Isso exige analisar a estrutura sintática e a pontuação no trecho específico. Não se trata de interpretação de ideias, mas de reconhecer uma frase — unidade mínima de comunicação com sentido completo — e o papel do ponto final.

O texto

No primeiro parágrafo, a autora relata seu cansaço com as telas e a dificuldade de aceitar convites:

"Amigos me pedem encontros de Natal, happy hours de ano‑novo. Quero. Mas não consigo."

Aqui, "Quero" é uma frase nominal (ou frase de uma palavra), pois, embora seja apenas um verbo, expressa uma ideia completa: "eu quero [aceitar os convites]". O ponto final após "Quero" indica uma pausa conclusa, separando essa ideia da oração seguinte, "Mas não consigo", que introduz a oposição.

A técnica

Uma frase é qualquer enunciado com sentido completo, podendo ser formada por uma única palavra (ex.: "Socorro!", "Sim.", "Quero."). O ponto final é um sinal de pontuação que marca o fim de uma frase declarativa, indicando uma pausa absoluta. No trecho, "Quero" é uma frase porque:

  1. Tem sentido completo: o verbo "querer" está na 1ª pessoa do singular, e o objeto (aceitar os convites) está implícito no contexto, mas a ideia é compreensível.

  2. Termina com pausa pontuada: o ponto final após "Quero" encerra a frase, criando uma pausa forte.

A banca não pede para analisar se "Quero" é uma oração (o que também seria, pois há verbo), mas se funciona como frase — e isso é verdadeiro.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. No trecho "Quero. Mas não consigo.", a palavra "Quero" é uma frase porque apresenta sentido completo (a autora quer aceitar os convites) e é seguida de ponto final, que marca uma pausa pontuada. O ponto final separa essa ideia da oração adversativa seguinte, reforçando a oposição entre querer e não conseguir.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta porque contradiz o que se observa no texto. "Quero" é uma frase, pois tem sentido completo e termina com ponto final. A banca tenta fazer o candidato achar que uma palavra só não pode ser frase, mas isso é um equívoco: frases podem ser formadas por uma única palavra, desde que haja sentido completo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a ideia de que "frase" precisa ser longa ou ter sujeito e predicado explícitos. Mas "Quero" é uma frase de uma palavra, com verbo e sentido completo no contexto.

PEGA ESSA DICA!

Para reconhecer uma frase, pergunte: "isso tem sentido completo?" e "termina com pausa pontuada?". Se sim, é frase, mesmo com uma só palavra.

Conclusão: a palavra "Quero" funciona como frase, pois apresenta sentido completo e é seguida de ponto final. Portanto, o item está Certo.

Gabarito: letra C.

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