Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Advérbio — Quadrix 2023

PortuguêsAdvérbio
Código
qa499097
Banca
Quadrix
Órgão
CRO PB
Ano
2023
Cargo
Ag Adm ( )

Você é feliz? E agora, neste exato momento, você está feliz? Esperamos que sim. Mas seja qual for o seu veredicto, você provavelmente hesitou um pouquinho antes de responder. Porque a felicidade é fugidia: às vezes conseguimos agarrá‑la e queremos ficar assim para sempre, mas aí ela começa a escorrer como areia por entre os dedos – ou simplesmente some, sem motivo aparente, para reaparecer tempos depois. Como escreveu Machado de Assis, a felicidade é uma quimera: algo que você passa a vida tentando alcançar, mas está sempre escapando. Ela é muito mais do que ter saúde, dinheiro, liberdade e uma rede de apoio social – que são os critérios usados pelo world happiness report, da Organização das Nações Unidas (ONU), para medir o grau de felicidade de uma nação. Na décima edição desse ranking, publicado em 2022, o Brasil aparece apenas na 38.a posição; e os países mais felizes do mundo são, pela ordem, Finlândia, Dinamarca e Islândia. A Finlândia, aliás, lidera o ranking há cinco anos. Só que 18,8% da sua população tem algum problema psicológico, especialmente com o desenvolvimento de depressão – o percentual mais alto da União Europeia. Você pode ter tudo objetivamente, e mesmo assim não se sentir feliz. O mais provável é que a felicidade e a infelicidade estejam relacionadas a mecanismos cerebrais mais complexos do que se imagina. Nos últimos anos, a ciência encontrou alguns sinais disso. Descobriu‑se, por exemplo, uma molécula que carimba cada uma das memórias – e determina se ela vai ser positiva ou negativa. E que o cérebro possui uma malha de circuitos, a chamada rede de modo padrão, que pode ser decisiva para a sensação de (in)felicidade. Uma das características mais típicas da tristeza é ficar ruminando as coisas: repetir muitas vezes os mesmos pensamentos negativos, que ocupam um tempo enorme e vão assumindo um peso bem maior do que o real (o termo é uma referência aos animais ruminantes, como, por exemplo, as vacas, que ficam um tempão mastigando os alimentos). A felicidade não é sólida; ela oscila, momento a momento. Uma hora nos sentimos felizes e outra, não, mesmo quando não há estímulos claramente negativos. Todo mundo oscila entre o feliz e o não tão feliz; o alegre e o neutro; o melancólico e o triste; e mil outras emoções. Todas têm sua função, inclusive porque elas podem ser instrumentos da razão e nos ajudam a fazer julgamentos rápidos e com menos esforço cognitivo. Vale a pena andar na montanha‑russa das emoções – mesmo que isso signifique encarar uma sequência interminável, muitas vezes imprevisível, de subidas e descidas. Por mais que estejamos sempre correndo atrás da felicidade, sabemos que ela vai escapar e voltar sem muito controle, guiada por balés neuroquímicos e ventos da vida. E tudo bem, pois as coisas também precisam dos seus opostos. Se não houvesse a escuridão da noite, jamais veríamos o sol nascer. Se tudo fosse feliz, nada seria feliz.


Internet: <www.super.abril.com.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Em relação ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item.

 

O vocábulo “tão” é classificado como advérbio de intensidade.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação do advérbio "tão" no texto

Gabarito: C (Certo). O vocábulo "tão" é, de fato, um advérbio de intensidade, pois modifica o adjetivo "feliz" na passagem "Você pode ter tudo objetivamente, e mesmo assim não se sentir feliz" — mais precisamente, no trecho em que o texto afirma que a felicidade "é muito mais do que ter saúde, dinheiro, liberdade e uma rede de apoio social". A classificação se confirma pela função de intensificar o sentido de um adjetivo, e não de um verbo ou de outro advérbio.

O comando pede um julgamento Certo/Errado sobre um aspecto gramatical do texto: a classe morfológica da palavra "tão". Não se trata de interpretação de conteúdo, mas de análise morfossintática — identificar a que classe a palavra pertence e qual função exerce no contexto. Para resolver, é preciso localizar a ocorrência de "tão" no texto e verificar o que ela modifica.

No texto, a ocorrência relevante está na frase: "Você pode ter tudo objetivamente, e mesmo assim não se sentir feliz". A palavra "tão" não aparece isolada; ela surge na construção "tão feliz" (implícita na pergunta inicial "Você é feliz?"). Na verdade, o trecho que contém "tão" é: "E agora, neste exato momento, você está feliz?" — mas a forma "tão" não está presente nessa frase. A ocorrência explícita está em: "Você pode ter tudo objetivamente, e mesmo assim não se sentir feliz" — não há "tão" aí. Precisamos localizar a palavra no texto fornecido.

Releitura do texto-base: "Você é feliz? E agora, neste exato momento, você está feliz? Esperamos que sim. Mas seja qual for o seu veredicto, você provavelmente hesitou um pouquinho antes de responder. Porque a felicidade é fugidia: às vezes conseguimos agarrá‑la e queremos ficar assim para sempre, mas aí ela começa a escorrer como areia por entre os dedos – ou simplesmente some, sem motivo aparente, para reaparecer tempos depois. Como escreveu Machado de Assis, a felicidade é uma quimera: algo que você passa a vida tentando alcançar, mas está sempre escapando. Ela é muito mais do que ter saúde, dinheiro, liberdade e uma rede de apoio social – que são os critérios usados pelo world happiness report, da Organização das Nações Unidas (ONU), para medir o grau de felicidade de uma nação. Na décima edição desse ranking, publicado em 2022, o Brasil aparece apenas na 38.a posição; e os países mais felizes do mundo são, pela ordem, Finlândia, Dinamarca e Islândia. A Finlândia, aliás, lidera o ranking há cinco anos. Só que 18,8% da sua população tem algum problema psicológico, especialmente com o desenvolvimento de depressão – o percentual mais alto da União Europeia. Você pode ter tudo objetivamente, e mesmo assim não se sentir feliz. O mais provável é que a felicidade e a infelicidade estejam relacionadas a mecanismos cerebrais mais complexos do que se imagina. Nos últimos anos, a ciência encontrou alguns sinais disso. Descobriu‑se, por exemplo, uma molécula que carimba cada uma das memórias – e determina se ela vai ser positiva ou negativa. E que o cérebro possui uma malha de circuitos, a chamada rede de modo padrão, que pode ser decisiva para a sensação de (in)felicidade. Uma das características mais típicas da tristeza é ficar ruminando as coisas: repetir muitas vezes os mesmos pensamentos negativos, que ocupam um tempo enorme e vão assumindo um peso bem maior do que o real (o termo é uma referência aos animais ruminantes, como, por exemplo, as vacas, que ficam um tempão mastigando os alimentos). A felicidade não é sólida; ela oscila, momento a momento. Uma hora nos sentimos felizes e outra, não, mesmo quando não há estímulos claramente negativos. Todo mundo oscila entre o feliz e o não tão feliz; o alegre e o neutro; o melancólico e o triste; e mil outras emoções. Todas têm sua função, inclusive porque elas podem ser instrumentos da razão e nos ajudam a fazer julgamentos rápidos e com menos esforço cognitivo. Vale a pena andar na montanha‑russa das emoções – mesmo que isso signifique encarar uma sequência interminável, muitas vezes imprevisível, de subidas e descidas. Por mais que estejamos sempre correndo atrás da felicidade, sabemos que ela vai escapar e voltar sem muito controle, guiada por balés neuroquímicos e ventos da vida. E tudo bem, pois as coisas também precisam dos seus opostos. Se não houvesse a escuridão da noite, jamais veríamos o sol nascer. Se tudo fosse feliz, nada seria feliz."

A ocorrência de "tão" está na expressão "o não tão feliz" (no trecho: "Todo mundo oscila entre o feliz e o não tão feliz"). Nessa construção, "tão" modifica o adjetivo "feliz", intensificando-o: "não tão feliz" significa "não muito feliz", "não em alto grau feliz". Portanto, "tão" é um advérbio de intensidade, pois intensifica o sentido do adjetivo "feliz".

"Todo mundo oscila entre o feliz e o não tão feliz; o alegre e o neutro; o melancólico e o triste"

Aqui, "tão" incide sobre o adjetivo "feliz", indicando grau — exatamente a função típica dos advérbios de intensidade, como "muito", "bastante", "pouco", "mais", "menos". A classificação está correta.

Alternativa C — ✅ CertoGABARITO

A afirmativa está correta. O vocábulo "tão" é um advérbio de intensidade, pois modifica o adjetivo "feliz" na expressão "não tão feliz", intensificando o grau da qualidade. Isso se confirma pela definição: advérbio é a palavra invariável que modifica verbo, adjetivo ou outro advérbio; quando modifica adjetivo ou advérbio, expressa intensidade. No texto, "tão" não modifica verbo, mas sim o adjetivo "feliz", o que o classifica como advérbio de intensidade.

Alternativa E — ❌ Errado

A afirmativa está errada, pois contradiz a análise morfológica. "Tão" é, sim, um advérbio de intensidade, como demonstrado. A banca não apresenta nenhuma justificativa para considerar "tão" como outra classe; a classificação correta é a de advérbio de intensidade, e o item está certo.

Conclusão: A questão exige apenas a identificação da classe gramatical de "tão" no contexto. Como "tão" intensifica o adjetivo "feliz", é advérbio de intensidade. Portanto, o item está Certo.

Gabarito: C (Certo).

Link permanente: /questoes/qa499097