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Questão de Português — Polissemia — Quadrix 2023

PortuguêsPolissemia
Código
qa499106
Banca
Quadrix
Órgão
CRO PB
Ano
2023
Cargo
Fisc ( )

“Uma imagem vale mais que mil palavras”, já dizia o filósofo chinês Confúcio (552 a.C. – 489 a.C.). E o que dizer de milhares, milhões de imagens geradas por monitoramento remoto a partir de satélites? Elas são capazes de gerar informações sobre diversas áreas do nosso cotidiano. Mas quantos olhos seriam necessários para processar tantos dados? É aí que entra a inteligência artificial, com as técnicas de aprendizado de máquina e de aprendizado profundo, revolucionando a forma como os computadores veem e entendem os registros da superfície terrestre.


O emprego de imagens nos estudos da superfície da Terra é chamado de sensoriamento remoto. E, como já diz o nome, essa tecnologia permite obter informações, sem a necessidade de contato físico direto do indivíduo com o objeto de análise. Para tal, são usados sensores a bordo de diferentes plataformas, como balões, aeronaves e drones. Mas foi há cinquenta anos, mais exatamente em 1972, que sensores foram embarcados em satélites e alcançaram abrangência global e com periodicidade constante.


Esse avanço transformou por completo a visão humana do nosso planeta e impactou, de uma só vez, vários campos da ciência. De fato, a aquisição periódica de dados na escala global, por meio de imagens, permite mapear os diversos elementos que compõem a superfície terrestre, os oceanos e a atmosfera e entender os processos de mudanças naturais e causadas pelos humanos.


As séries temporais compostas de sucessivas imagens do mesmo local formam um filme que demonstra as variações sazonais de vegetações, os ciclos de crescimento das plantações, os regimes de cheias e as vazantes dos rios, as variações climáticas, o derretimento da calota polar, o crescimento das cidades, os desflorestamentos, entre outros. O acompanhamento desse grande número de sensores em operação aumenta o volume de dados que cresce exponencialmente ao longo do tempo, que consiste em um dos mais expressivos big data (banco de macrodados) construídos pela humanidade.


Mas, neste cenário, surge uma questão: como processar esse gigantesco volume de imagens, com vistas a extrair informações com alta acurácia e de forma rápida para atender as diversas áreas de conhecimento. Tornou‑se, portanto, um desafio desenvolver métodos automatizados com base em inteligência artificial para o processamento desse big data de imagens e obter a eficiência da visão humana.


A visão humana possui uma notável proficiência na identificação de objetos e no estabelecimento de conexões semânticas, o que permite abstrair representações visuais que consideram diversos fatores de mudanças, como, por exemplo, geometria, variação de fundo e oclusão. Além disso, a interpretação de uma cena não se limita a identificar os objetos presentes, mas também a efetuar uma pormenorizada caracterização semântica das inter‑relações dos objetos.


Um grande desafio para a aplicação de métodos de aprendizagem profunda é a necessidade de elaboração de um grande banco de dados para minimizar os erros e obter interpretações de alta qualidade. Para tal, é necessário fazer previamente, com o trabalho humano, a descrição detalhada dos objetos de interesse nas cenas.


Após o exposto, é possível concluir que, apesar de serem tecnologias complexas e desconhecidas à população em geral, a aprendizagem de máquina e a aprendizagem profunda usadas no sensoriamento remoto já fazem parte do cotidiano de todos nós. E o mais importante: contribuindo para avanços em diferentes setores, como, por exemplo, segurança, agricultura e proteção do meio ambiente.


Internet: <www.cienciahoje.org.br> (com adaptações).

Texto para o item.

 

Quanto ao texto e a seus aspectos linguísticos, julgue o item.

 

O termo “visão”, no texto, adquire caráter polissêmico.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Polissemia da palavra “visão” no texto

Gabarito: Certo (C). O termo “visão” adquire caráter polissêmico no texto, pois é empregado com mais de um sentido ao longo do desenvolvimento: ora designa a capacidade física de enxergar (visão humana), ora a percepção/entendimento (visão do planeta). A polissemia é exatamente isso: uma mesma palavra com múltiplos significados, todos determinados pelo contexto. Como se lê no 3º parágrafo: “Esse avanço transformou por completo a visão humana do nosso planeta” — aqui “visão” não é apenas o ato de ver, mas a compreensão que se tem do planeta; já no 6º parágrafo, “A visão humana possui uma notável proficiência na identificação de objetos” — aqui o sentido é o da capacidade perceptiva (sentido físico).

O comando

O item pede um julgamento Certo/Errado sobre um aspecto linguístico do texto: se o termo “visão” adquire caráter polissêmico. Isso é uma questão de interpretação de texto aliada a semântica: não basta saber a definição de polissemia; é preciso verificar no texto se a palavra é usada com mais de um sentido. O comando não pede inferência — pede que se comprove a afirmação com base nas ocorrências do termo.

O texto e a polissemia

O texto trata do uso de imagens de satélite e do processamento desses dados por inteligência artificial. A palavra “visão” aparece em dois momentos-chave:

  • No 3º parágrafo: “Esse avanço transformou por completo a visão humana do nosso planeta” — aqui “visão” significa percepção, compreensão, entendimento (sentido figurado, abstrato).

  • No 6º parágrafo: “A visão humana possui uma notável proficiência na identificação de objetos” — aqui “visão” significa capacidade de enxergar, sentido da vista (sentido físico, denotativo).

A mesma palavra, portanto, é usada com dois sentidos diferentes no mesmo texto. Isso é polissemia: uma única forma com múltiplos significados, cada um preciso e determinado pelo contexto. Não se trata de homonímia (palavras diferentes com a mesma forma), pois “visão” é uma só palavra, com um núcleo semântico comum (a ideia de “ver”), que se desdobra em acepções distintas.

A técnica que decide

Para resolver, você deve localizar todas as ocorrências do termo e verificar se há mais de um sentido. Se houver, a polissemia está configurada. A banca não pede que você invente sentidos — pede que você observe o uso real no texto. A pegadinha aqui é confundir polissemia com homonímia ou com ambiguidade:

  • Polissemia: uma palavra com vários sentidos (ex.: “manga” da camisa e “manga” fruta).

  • Homonímia: palavras diferentes com a mesma forma (ex.: “são” (verbo) e “são” (santo)).

  • Ambiguidade: uma mesma frase com mais de uma leitura possível.

No texto, “visão” não gera ambiguidade (cada ocorrência tem sentido claro), mas sim multiplicidade de sentidos — polissemia.

Conclusão

O item está Certo. A palavra “visão” é polissêmica no texto, pois é empregada com sentidos distintos: percepção/entendimento (3º parágrafo) e capacidade física de ver (6º parágrafo). A banca explora a confusão entre polissemia e homonímia, mas a análise do contexto resolve: é a mesma palavra com múltiplos sentidos.

Polissemia
  • 1Uma palavra, vários sentidos
  • 2Determinada pelo contexto
  • 3"Visão" no texto
    • Percepção/entendimento (3º parágrafo)
    • Capacidade física de ver (6º parágrafo)
  • 4Distinções
    • Polissemia: vários sentidos de uma palavra
    • Homonímia: palavras diferentes, mesma forma
    • Ambiguidade: mais de uma leitura na frase
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PEGA ESSA DICA!

Em questões de polissemia, liste todas as ocorrências da palavra no texto e anote o sentido de cada uma. Se houver mais de um sentido, a polissemia está confirmada. Desconfie de itens que afirmam polissemia sem que o texto apresente usos variados.

Gabarito: Certo (C).

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