Nascido em Bordeaux, de uma família burguesa abastada e católica, François Mauriac estudou literatura em sua cidade natal e em Paris antes que a riqueza familiar lhe permitisse devotar-se inteiramente à literatura. O primeiro verdadeiro sucesso chegou na década de 1920, com a publicação do romance O beijo ao leproso.
Os primeiros romances de Mauriac retratam o universo da burguesia provinciana de sua infância. A atmosfera é sufocante e destituída de moral, mas as intenções religiosas não estão aparentes à primeira vista. Abalado por uma crise religiosa entre 1928 e 1931, Mauriac batalhou com aquilo que enxergava como o dilema de todo autor cristão: como descrever a perversidade humana sem expor o leitor à tentação.
A mudança dramática em sua obra subsequente fica evidente.ao se compararem os dois livros mais conhecidos de Mauriac. Em Thérèse Desqueyroux, a heroína tenta assassinar o marido para escapar de uma vida asfixiante. Embora o retrato psicológico de Thérèse seja compassivo, está claro que suas ações só servirão para enredá-la ainda mais. Porém, em seu romance mais bem-sucedido, O nó de víboras, a má vontade do protagonista em relação a sua família e sua cobiça são superadas pelo despertar espiritual. Além da ficção e da poesia, Mauriac foi um jornalista de destaque, autor de eloquentes artigos políticos para diversos jornais. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi um dos mais atuantes escritores da Resistência Francesa, e depois foi um proeminente defensor de Charles de Gaulle, Também divulgou amplamente suas posições em relação à própria literatura, procurando se justificar junto aos críticos e delinear suas intenções morais. Em 1952, Mauriac recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, pela “profunda percepção espiritual e intensidade artística que empregou, em seus romances, para penetrar no drama da vida humana”.
(PATRICK, Julian. Grandes Escritores. Rio de Janeiro: Sextante, 2009, p. 286).
Texto
Na frase “Porém, em seu romance mais bem sucedido”, conjunção em destaque pode ser classificada como:
Aaditiva.
Badversativa.
Cnominativa.
Doptativa.
Econclusiva.
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GabaritoB — adversativa.
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Classificação da Conjunção "Porém" — Adversativa
Gabarito: letra B. A conjunção "porém" é classicamente adversativa, pois expressa oposição, contraste ou quebra de expectativa entre as ideias. No trecho do texto, "Porém, em seu romance mais bem-sucedido..." introduz uma ressalva ao que foi dito antes sobre Thérèse Desqueyroux, indicando uma mudança de direção argumentativa. A banca cobra exatamente o valor semântico da conjunção, que é o que a gramática tradicional reconhece.
O Comando
A questão pede a classificação da conjunção destacada. Isso é uma tarefa de morfologia (classe de palavras) e de semântica (valor que a conjunção estabelece no contexto). Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer o tipo de relação que a conjunção instaura entre as orações. O comando é direto: "pode ser classificada como". Portanto, você deve identificar a classe correta entre as opções.
O Texto e a Conjunção
No texto, a conjunção "Porém" aparece no início do terceiro parágrafo, ligando-o ao anterior. Veja o trecho:
"Em Thérèse Desqueyroux, a heroína tenta assassinar o marido para escapar de uma vida asfixiante. Embora o retrato psicológico de Thérèse seja compassivo, está claro que suas ações só servirão para enredá-la ainda mais. Porém, em seu romance mais bem-sucedido, O nó de víboras, a má vontade do protagonista em relação a sua família e sua cobiça são superadas pelo despertar espiritual."
Aqui, "Porém" contrapõe o destino de Thérèse (que se enreda) ao do protagonista de O nó de víboras (que se redime). Essa oposição é a marca das conjunções adversativas, que indicam contraste, ressalva ou quebra de expectativa. A gramática lista como adversativas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, ainda assim.
A Técnica que Decide
A pegadinha central é não confundir o valor semântico da conjunção com outras relações. Veja o quadro:
Conjunção
Valor
Exemplo
Porém
Adversativa (oposição)
"Estudou, porém não passou."
E
Aditiva (soma)
"Estudou e passou."
Logo
Conclusiva (conclusão)
"Estudou, logo passará."
Porque
Explicativa/Causal
"Passou porque estudou."
A banca oferece "aditiva", "conclusiva" e outras para testar se você sabe o sentido exato de "porém". A palavra "porém" nunca é aditiva, conclusiva, nominativa ou optativa — ela é exclusivamente adversativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca aposta na confusão entre "porém" e outras conjunções coordenativas. "Porém" sempre indica oposição; não há contexto em que ela seja aditiva ou conclusiva. A alternativa "aditiva" tenta atrair quem acha que "porém" soma ideias, mas ela contradiz o valor clássico da conjunção.
PEGA ESSA DICA!
Decore as conjunções adversativas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, ainda assim. Se a frase mostra contraste ou ressalva, é adversativa.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Aditiva — errada. Conjunções aditivas (e, nem, não só... como também) expressam soma, acréscimo. "Porém" não soma; ela opõe. No texto, "Porém" não acrescenta uma ideia à anterior; ela contrapõe o destino de Thérèse ao do protagonista de O nó de víboras. A alternativa troca o conceito: confunde adição com oposição.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Adversativa — correta. "Porém" é a conjunção adversativa por excelência, indicando oposição, contraste, ressalva. No trecho, ela marca a mudança de direção entre o que foi dito sobre Thérèse (que se enreda) e o que se diz sobre o protagonista de O nó de víboras (que se redime). A gramática confirma: mas, porém, contudo, todavia são adversativas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Nominativa — errada. "Nominativa" não é uma classificação de conjunção; é um termo usado para o caso do sujeito em línguas com declinação (como o latim) ou para predicativo do sujeito. Não existe "conjunção nominativa" na nomenclatura gramatical brasileira. A alternativa foge ao escopo: inventa uma classe inexistente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Optativa — errada. "Optativa" também não é uma classificação de conjunção; refere-se ao modo verbal que expressa desejo (ex.: "Tomara que passe!"). Não há "conjunção optativa" na gramática. A alternativa foge ao escopo: usa um termo de outra área (modo verbal) para confundir.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Conclusiva — errada. Conjunções conclusivas (logo, portanto, pois, por conseguinte) expressam conclusão, consequência. "Porém" não conclui; ela opõe. No texto, "Porém" não introduz uma conclusão do que foi dito; ela contrasta duas situações. A alternativa troca o conceito: confunde conclusão com oposição.
Conclusão: a banca pede a classificação da conjunção "porém", que é adversativa por definição e por uso no texto. As demais alternativas ou usam classes inexistentes (nominativa, optativa) ou confundem o valor semântico (aditiva, conclusiva). Gabarito: letra B.
PEGA ESSA DICA!
"Porém" = Põe Oposição, Ressalva, Expectativa quebrada, Mas. Lembre: "mas" e "porém" são irmãs adversativas.