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Questão de Português — Conjunção — Avança SP 2023

PortuguêsConjunção
Código
qa499123
Banca
Avança SP
Órgão
Pref Morungaba
Ano
2023
Cargo
Art ( )

FRANÇOIS MAURIAC (1885-1970)

 

Nascido em Bordeaux, de uma família burguesa abastada e católica, François Mauriac estudou literatura em sua cidade natal e em Paris antes que a riqueza familiar lhe permitisse devotar-se inteiramente à literatura. O primeiro verdadeiro sucesso chegou na década de 1920, com a publicação do romance O beijo ao leproso.

 

Os primeiros romances de Mauriac retratam o universo da burguesia provinciana de sua infância. A atmosfera é sufocante e destituída de moral, mas as intenções religiosas não estão aparentes à primeira vista. Abalado por uma crise religiosa entre 1928 e 1931, Mauriac batalhou com aquilo que enxergava como o dilema de todo autor cristão: como descrever a perversidade humana sem expor o leitor à tentação.

 

A mudança dramática em sua obra subsequente fica evidente.ao se compararem os dois livros mais conhecidos de Mauriac. Em Thérèse Desqueyroux, a heroína tenta assassinar o marido para escapar de uma vida asfixiante. Embora o retrato psicológico de Thérèse seja compassivo, está claro que suas ações só servirão para enredá-la ainda mais. Porém, em seu romance mais bem-sucedido, O nó de víboras, a má vontade do protagonista em relação a sua família e sua cobiça são superadas pelo despertar espiritual. Além da ficção e da poesia, Mauriac foi um jornalista de destaque, autor de eloquentes artigos políticos para diversos jornais. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi um dos mais atuantes escritores da Resistência Francesa, e depois foi um proeminente defensor de Charles de Gaulle, Também divulgou amplamente suas posições em relação à própria literatura, procurando se justificar junto aos críticos e delinear suas intenções morais. Em 1952, Mauriac recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, pela “profunda percepção espiritual e intensidade artística que empregou, em seus romances, para penetrar no drama da vida humana”.

 

(PATRICK, Julian. Grandes Escritores. Rio de Janeiro: Sextante, 2009, p. 286).

Texto

   

Na frase “Porém, em seu romance mais bem sucedido”, conjunção em destaque pode ser classificada como:

  1. Aaditiva.
  2. Badversativa.
  3. Cnominativa.
  4. Doptativa.
  5. Econclusiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — adversativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação da Conjunção "Porém" — Adversativa

Gabarito: letra B. A conjunção "porém" é classicamente adversativa, pois expressa oposição, contraste ou quebra de expectativa entre as ideias. No trecho do texto, "Porém, em seu romance mais bem-sucedido..." introduz uma ressalva ao que foi dito antes sobre Thérèse Desqueyroux, indicando uma mudança de direção argumentativa. A banca cobra exatamente o valor semântico da conjunção, que é o que a gramática tradicional reconhece.

O Comando

A questão pede a classificação da conjunção destacada. Isso é uma tarefa de morfologia (classe de palavras) e de semântica (valor que a conjunção estabelece no contexto). Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer o tipo de relação que a conjunção instaura entre as orações. O comando é direto: "pode ser classificada como". Portanto, você deve identificar a classe correta entre as opções.

O Texto e a Conjunção

No texto, a conjunção "Porém" aparece no início do terceiro parágrafo, ligando-o ao anterior. Veja o trecho:

"Em Thérèse Desqueyroux, a heroína tenta assassinar o marido para escapar de uma vida asfixiante. Embora o retrato psicológico de Thérèse seja compassivo, está claro que suas ações só servirão para enredá-la ainda mais. Porém, em seu romance mais bem-sucedido, O nó de víboras, a má vontade do protagonista em relação a sua família e sua cobiça são superadas pelo despertar espiritual."

Aqui, "Porém" contrapõe o destino de Thérèse (que se enreda) ao do protagonista de O nó de víboras (que se redime). Essa oposição é a marca das conjunções adversativas, que indicam contraste, ressalva ou quebra de expectativa. A gramática lista como adversativas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, ainda assim.

A Técnica que Decide

A pegadinha central é não confundir o valor semântico da conjunção com outras relações. Veja o quadro:

Conjunção

Valor

Exemplo

Porém

Adversativa (oposição)

"Estudou, porém não passou."

E

Aditiva (soma)

"Estudou e passou."

Logo

Conclusiva (conclusão)

"Estudou, logo passará."

Porque

Explicativa/Causal

"Passou porque estudou."

A banca oferece "aditiva", "conclusiva" e outras para testar se você sabe o sentido exato de "porém". A palavra "porém" nunca é aditiva, conclusiva, nominativa ou optativa — ela é exclusivamente adversativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na confusão entre "porém" e outras conjunções coordenativas. "Porém" sempre indica oposição; não há contexto em que ela seja aditiva ou conclusiva. A alternativa "aditiva" tenta atrair quem acha que "porém" soma ideias, mas ela contradiz o valor clássico da conjunção.

PEGA ESSA DICA!

Decore as conjunções adversativas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante, ainda assim. Se a frase mostra contraste ou ressalva, é adversativa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Aditiva — errada. Conjunções aditivas (e, nem, não só... como também) expressam soma, acréscimo. "Porém" não soma; ela opõe. No texto, "Porém" não acrescenta uma ideia à anterior; ela contrapõe o destino de Thérèse ao do protagonista de O nó de víboras. A alternativa troca o conceito: confunde adição com oposição.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Adversativa — correta. "Porém" é a conjunção adversativa por excelência, indicando oposição, contraste, ressalva. No trecho, ela marca a mudança de direção entre o que foi dito sobre Thérèse (que se enreda) e o que se diz sobre o protagonista de O nó de víboras (que se redime). A gramática confirma: mas, porém, contudo, todavia são adversativas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Nominativa — errada. "Nominativa" não é uma classificação de conjunção; é um termo usado para o caso do sujeito em línguas com declinação (como o latim) ou para predicativo do sujeito. Não existe "conjunção nominativa" na nomenclatura gramatical brasileira. A alternativa foge ao escopo: inventa uma classe inexistente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Optativa — errada. "Optativa" também não é uma classificação de conjunção; refere-se ao modo verbal que expressa desejo (ex.: "Tomara que passe!"). Não há "conjunção optativa" na gramática. A alternativa foge ao escopo: usa um termo de outra área (modo verbal) para confundir.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Conclusiva — errada. Conjunções conclusivas (logo, portanto, pois, por conseguinte) expressam conclusão, consequência. "Porém" não conclui; ela opõe. No texto, "Porém" não introduz uma conclusão do que foi dito; ela contrasta duas situações. A alternativa troca o conceito: confunde conclusão com oposição.

Conclusão: a banca pede a classificação da conjunção "porém", que é adversativa por definição e por uso no texto. As demais alternativas ou usam classes inexistentes (nominativa, optativa) ou confundem o valor semântico (aditiva, conclusiva). Gabarito: letra B.

PEGA ESSA DICA!

"Porém" = Põe Oposição, Ressalva, Expectativa quebrada, Mas. Lembre: "mas" e "porém" são irmãs adversativas.

Gabarito: letra B

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